Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg684466
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia Oncológica)
A avaliação do risco perioperatório influencia todas as etapas do planejamento cirúrgico, incluindo a indicação operatória, a escolha do procedimento, o manejo perioperatório e as discussões sobre objetivos de cuidado. As cirurgias podem ser classificadas em baixo, intermediário e alto risco. De acordo com a última edição do “Sabiston Textbook of Surgery” (Townsend et al., 2021), no tópico estimativa de risco cirúrgico conforme o tipo de operação, são procedimentos considerados de alto risco (risco >5%), EXCETO:
ARevascularização aberta de membro inferior ou amputação ou tromboembolectomia.
BReparo de intestino perfurado.
CRessecção adrenal.
DCistectomia total.
EReparo endovascular de aneurisma.
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GabaritoE — Reparo endovascular de aneurisma.
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Classificação de risco cirúrgico: procedimentos de alto risco
Gabarito: letra E. O reparo endovascular de aneurisma (EVAR) é considerado procedimento de risco intermediário, e não de alto risco (>5%), segundo a classificação do Sabiston Textbook of Surgery (Townsend et al., 2021). As demais alternativas (revascularização aberta de membro inferior, reparo de intestino perfurado, ressecção adrenal e cistectomia total) são exemplos de cirurgias de alto risco, com mortalidade perioperatória superior a 5%.
A avaliação do risco perioperatório é etapa fundamental do planejamento cirúrgico, pois orienta a indicação operatória, a escolha do procedimento e o manejo perioperatório. A classificação do risco cirúrgico conforme o tipo de operação é uma ferramenta prática que divide os procedimentos em baixo (<1%), intermediário (1–5%) e alto risco (>5%). Essa estratificação baseia-se na mortalidade perioperatória associada a cada procedimento, refletindo a complexidade técnica, o potencial de sangramento, o estresse fisiológico e a probabilidade de complicações graves.
O Sabiston Textbook of Surgery, em sua última edição, apresenta uma lista de procedimentos considerados de alto risco, com mortalidade >5%. Entre eles, destacam-se: cirurgias vasculares abertas (como revascularização de membro inferior, amputação e tromboembolectomia), cirurgias de urgência/emergência (como reparo de intestino perfurado), ressecções oncológicas extensas (como cistectomia total e ressecção adrenal) e cirurgias cardíacas. O reparo endovascular de aneurisma (EVAR), por ser um procedimento minimamente invasivo, apresenta menor morbimortalidade quando comparado à cirurgia aberta, sendo classificado como risco intermediário.
A distinção entre risco alto e intermediário é crucial na prática clínica, pois influencia diretamente a decisão sobre a necessidade de avaliação cardiológica adicional, otimização clínica e monitorização intensiva no pós-operatório. Por exemplo, um paciente com doença arterial coronariana estável submetido a uma cirurgia de alto risco pode se beneficiar de testes não invasivos adicionais, enquanto o mesmo paciente submetido a um procedimento de baixo risco pode prosseguir sem investigação complementar.
A pegadinha desta questão reside na tentativa de confundir o candidato com um procedimento que, embora seja vascular e relacionado a aneurisma, é minimamente invasivo e, portanto, de menor risco. O candidato que associa automaticamente "aneurisma" a "alto risco" pode errar, sem considerar a via de acesso (endovascular vs. aberta).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre "aneurisma" e "alto risco". O reparo endovascular (EVAR) é minimamente invasivo, com menor morbimortalidade que a cirurgia aberta, sendo classificado como risco intermediário. A via de acesso (endovascular vs. aberta) é o fator que determina a classificação.
Procedimento
Classificação de risco
Mortalidade perioperatória
Revascularização aberta de membro inferior, amputação ou tromboembolectomia
Alto risco
>5%
Reparo de intestino perfurado
Alto risco
>5%
Ressecção adrenal
Alto risco
>5%
Cistectomia total
Alto risco
>5%
Reparo endovascular de aneurisma (EVAR)
Risco intermediário
1–5%
Alternativa A — ✅ Correta (é alto risco)
A revascularização aberta de membro inferior, amputação e tromboembolectomia são procedimentos vasculares abertos, associados a alta morbimortalidade perioperatória, com risco >5%. São classicamente listados como procedimentos de alto risco na literatura cirúrgica.
Alternativa B — ✅ Correta (é alto risco)
O reparo de intestino perfurado é uma cirurgia de urgência/emergência, frequentemente realizada em pacientes sépticos e hemodinamicamente instáveis. A combinação de sepse, contaminação peritoneal e necessidade de anastomose ou estoma eleva substancialmente o risco perioperatório, superando 5% de mortalidade.
Alternativa C — ✅ Correta (é alto risco)
A ressecção adrenal, especialmente quando realizada por via aberta ou em casos de feocromocitoma, é um procedimento de grande porte, com risco de instabilidade hemodinâmica intraoperatória e complicações pós-operatórias significativas. É classificada como alto risco (>5%).
Alternativa D — ✅ Correta (é alto risco)
A cistectomia total é uma cirurgia oncológica de grande porte, com extensa ressecção e reconstrução do trato urinário (derivação urinária). Apresenta alta morbimortalidade perioperatória, com risco >5%, sendo classicamente listada como procedimento de alto risco.
Alternativa E — ❌ Incorreta (é o gabarito) ⟵ GABARITO
O reparo endovascular de aneurisma (EVAR) é um procedimento minimamente invasivo, realizado por acesso percutâneo ou pequenas incisões, com menor sangramento, menor tempo de internação e menor morbimortalidade quando comparado à cirurgia aberta. Por isso, é classificado como risco intermediário (1–5%), e não alto risco (>5%). A alternativa está incorreta ao incluí-lo na lista de procedimentos de alto risco.
Gabarito: letra E — o reparo endovascular de aneurisma é o único procedimento que NÃO é considerado de alto risco (>5%), sendo classificado como risco intermediário.