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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026

MedicinaCirurgia Geral
Código
qg684469
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia Oncológica)
A nutrição pré-operatória é um aspecto essencial no preparo de pacientes submetidos a cirurgias hepáticas eletivas. Sobre o manejo nutricional no período pré-operatório, assinale a alternativa correta.
  1. APacientes com déficit nutricional devem receber nutrição parenteral por 7 dias antes da cirurgia para minimizar complicações metabólicas.
  2. BO jejum prolongado é essencial antes de qualquer anestesia geral, com restrição alimentar completa a partir da meia-noite anterior ao procedimento.
  3. CA recuperação precoce inclui a ingestão de carboidrato pré-operatório para minimizar a resistência à insulina e resposta ao estresse cirúrgico; essa prática é amplamente recomendada para todas as cirurgias hepáticas.
  4. DAlbumina sérica inferior a 30 g/L indica risco nutricional em candidatos à cirurgia hepática; esse é o critério utilizado para diagnóstico de insuficiência hepática aguda.
  5. EPacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) menor que 18,5 kg/m², albumina sérica abaixo de 30 g/L e sem sinais de disfunção hepática ou renal são considerados “em risco” e devem receber suplementação oral por 7 dias antes da cirurgia hepática eletiva.
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GabaritoE — Pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) menor que 18,5 kg/m², albumina sérica abaixo de 30 g/L e sem sinais de disfunção hepática ou renal são considerados “em risco” e devem receber suplementação oral por 7 dias antes da cirurgia hepática eletiva.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nutrição pré-operatória em cirurgia hepática

Gabarito: letra E. A alternativa correta é a que descreve corretamente os critérios de risco nutricional (IMC < 18,5 kg/m² e albumina < 30 g/L) e a conduta recomendada (suplementação oral por 7 dias antes da cirurgia hepática eletiva), desde que não haja disfunção orgânica. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de conduta, como o uso indiscriminado de nutrição parenteral, o jejum prolongado e a confusão entre risco nutricional e diagnóstico de insuficiência hepática aguda.

A avaliação nutricional pré-operatória é um pilar do preparo cirúrgico, especialmente em cirurgias de grande porte como as hepáticas, pois a desnutrição está diretamente associada a maior morbimortalidade, maior tempo de internação e piores desfechos. O objetivo é identificar pacientes em risco nutricional e instituir terapia nutricional adequada, seja por via oral, enteral ou parenteral, no intuito de reduzir complicações pós-operatórias.

A avaliação do estado nutricional é multifatorial e integra dados da história clínica e cirúrgica, exame físico, antropometria (como o IMC), exames laboratoriais (como a albumina sérica) e a dinâmica de perda de peso. Não existe um exame padrão-ouro isolado; a interpretação conjunta desses parâmetros é que permite classificar o paciente quanto ao risco nutricional. O IMC abaixo de 18,5 kg/m² é um marcador de baixo peso, e a albumina sérica abaixo de 30 g/L é um marcador de depleção proteica visceral, ambos utilizados como critérios de triagem e avaliação nutricional.

A conduta nutricional pré-operatória varia conforme o risco identificado. Para pacientes em risco nutricional, a suplementação oral por um período de 7 dias antes da cirurgia é uma estratégia recomendada para melhorar o estado nutricional e reduzir complicações. Já a nutrição parenteral é reservada para situações específicas, como impossibilidade de uso do trato gastrointestinal ou desnutrição grave, e não deve ser utilizada de forma rotineira ou por tempo fixo sem indicação precisa.

O jejum pré-operatório, por sua vez, passou por uma revisão de paradigma. O jejum prolongado é deletério, aumentando a resistência à insulina e o catabolismo. As diretrizes modernas de recuperação precoce (protocolos ERAS) recomendam a abreviação do jejum e a oferta de carboidratos no pré-operatório, mas essa prática não é universal para todas as cirurgias, devendo ser individualizada, especialmente em cirurgias hepáticas, onde há particularidades metabólicas.

A distinção crucial que separa as alternativas é o critério de risco nutricional versus diagnóstico de doença hepática. A albumina baixa é um marcador de risco nutricional, mas não é critério diagnóstico de insuficiência hepática aguda, que se baseia em outros parâmetros clínicos e laboratoriais (como coagulopatia, encefalopatia e elevação de transaminases). A banca explora exatamente essa confusão entre um marcador nutricional e um critério diagnóstico de outra condição.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que pacientes com déficit nutricional devem receber nutrição parenteral por 7 dias antes da cirurgia. O erro está na generalização da via de administração: a nutrição parenteral não é a primeira escolha para todos os pacientes com déficit nutricional. A via enteral ou oral é preferida sempre que o trato gastrointestinal estiver funcionante, por ser mais fisiológica, mais segura e de menor custo. A nutrição parenteral é indicada em situações específicas, como falência intestinal ou impossibilidade de usar a via enteral, e não por um período fixo de 7 dias para todos os casos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o jejum prolongado é essencial antes de qualquer anestesia geral, com restrição alimentar completa a partir da meia-noite. Essa é uma visão ultrapassada. O jejum prolongado é deletério, aumentando a resistência à insulina, o catabolismo proteico e o desconforto do paciente. As diretrizes atuais recomendam jejum de 6 horas para alimentos sólidos e 2 horas para líquidos claros, e a oferta de carboidratos no pré-operatório é incentivada em muitos protocolos. A restrição a partir da meia-noite não é mais a prática recomendada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a ingestão de carboidrato pré-operatório é amplamente recomendada para todas as cirurgias hepáticas. Embora a oferta de carboidratos seja parte dos protocolos de recuperação precoce (ERAS) e ajude a minimizar a resistência à insulina, a afirmação de que é amplamente recomendada para todas as cirurgias hepáticas é uma generalização indevida. A indicação deve ser individualizada, considerando comorbidades como diabetes mellitus, risco de aspiração e o tipo específico de cirurgia hepática. Não é uma recomendação universal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que albumina sérica inferior a 30 g/L indica risco nutricional e que esse é o critério utilizado para diagnóstico de insuficiência hepática aguda. A primeira parte está correta (albumina baixa é um marcador de risco nutricional), mas a segunda parte é incorreta: a albumina baixa não é critério diagnóstico de insuficiência hepática aguda. O diagnóstico de insuficiência hepática aguda se baseia em outros parâmetros, como coagulopatia (INR elevado), encefalopatia hepática e elevação de transaminases, em um paciente sem doença hepática prévia. A banca mistura dois conceitos distintos: marcador nutricional e critério diagnóstico.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve corretamente os critérios de risco nutricional (IMC < 18,5 kg/m² e albumina sérica < 30 g/L) e a conduta recomendada (suplementação oral por 7 dias antes da cirurgia hepática eletiva), condicionada à ausência de disfunção hepática ou renal. Essa é a abordagem alinhada com as diretrizes de nutrição perioperatória: identificar pacientes em risco e instituir suplementação oral no pré-operatório para melhorar o estado nutricional e reduzir complicações. A ressalva sobre a ausência de disfunção orgânica é importante, pois a conduta pode ser diferente em pacientes com insuficiência hepática ou renal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre marcador de risco nutricional e critério diagnóstico de doença hepática. A albumina baixa é um marcador de risco nutricional, mas não define insuficiência hepática aguda. Fique atento: a alternativa D mistura esses conceitos, e a alternativa E os separa corretamente.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de nutrição pré-operatória, lembre-se do tripé: avaliação (IMC, albumina, perda de peso), conduta (suplementação oral, enteral ou parenteral conforme o caso) e jejum (abreviado, com oferta de carboidratos quando indicado). Identifique o critério que a banca usa para separar o certo do errado — muitas vezes é a individualização da conduta ou a distinção entre conceitos.

Gabarito: letra E

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