Um paciente é diagnosticado com adenocarcinoma de vesícula biliar. Sobre as características, o comportamento biológico e as formas de disseminação dessa neoplasia, assinale a alternativa correta.
AO câncer de vesícula biliar possui baixa propensão de disseminação peritoneal devido à sua anatomia, sendo as metástases peritoneais incomuns em sua evolução.
BA disseminação por ferida cirúrgica é rara e não requer precauções adicionais durante a manipulação cirúrgica.
CO câncer de vesícula biliar pode se disseminar por via linfática e através de tratos de feridas cirúrgicas ou biópsias.
DA porção da vesícula mais frequentemente envolvida na disseminação do câncer é o infundíbulo, uma vez que está diretamente conectado aos linfonodos mesentéricos.
EOs pulmões são o principal local de metástases à distância no câncer de vesícula biliar devido à alta incidência de disseminação hematogênica.
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GabaritoC — O câncer de vesícula biliar pode se disseminar por via linfática e através de tratos de feridas cirúrgicas ou biópsias.
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Câncer de vesícula biliar: comportamento biológico e disseminação
Gabarito: letra C. O adenocarcinoma de vesícula biliar é uma neoplasia agressiva que se dissemina por múltiplas vias, incluindo a linfática e a contaminação de feridas cirúrgicas ou trajetos de biópsia — exatamente o que a alternativa C afirma. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a propensão à disseminação peritoneal, a necessidade de precauções cirúrgicas, a anatomia da drenagem linfática e o principal sítio de metástases à distância.
O carcinoma de vesícula biliar é uma neoplasia relativamente incomum, porém com alta taxa de letalidade, frequentemente diagnosticada em estádio avançado. Sua agressividade decorre da fina parede do órgão, que permite rápida invasão local, e da rica rede linfática subserosa, que facilita a disseminação regional. Além da via linfática, o tumor pode se disseminar por extensão direta ao fígado e estruturas adjacentes, por via hematogênica e por implantação peritoneal. Um aspecto crucial e frequentemente cobrado é a capacidade de implantação tumoral em trajetos de agulha, portais laparoscópicos e feridas cirúrgicas — por isso, durante a colecistectomia, especialmente quando há suspeita de neoplasia, adotam-se precauções como o uso de bolsa de extração para evitar o contato do espécime com a parede abdominal.
A disseminação linfática segue a drenagem da vesícula, que se dá principalmente para os linfonodos do hilo hepático e ao longo da artéria cística, e não para linfonodos mesentéricos. O infundíbulo, mencionado na alternativa D, é uma porção anatômica da vesícula, mas não é o principal ponto de partida da disseminação linfática. Quanto às metástases à distância, embora a via hematogênica ocorra, o fígado é o sítio mais comum, e não os pulmões, como afirma a alternativa E.
A disseminação peritoneal, ao contrário do que diz a alternativa A, é uma via relevante no câncer de vesícula biliar, especialmente em doença avançada, podendo ocorrer por invasão direta ou por implantação de células tumorais desprendidas. A alternativa B, por sua vez, subestima o risco de disseminação por ferida cirúrgica, que é um mecanismo bem documentado e exige precauções específicas durante a manipulação cirúrgica.
A pegadinha central desta questão está em reconhecer que o câncer de vesícula biliar é uma neoplasia de comportamento agressivo, com múltiplas vias de disseminação, e que a contaminação de feridas cirúrgicas é um risco real, não raro. A alternativa C é a única que sintetiza corretamente duas dessas vias: a linfática e a contaminação de trajetos de feridas ou biópsias.
Adenocarcinoma de vesícula biliar
1Comportamento agressivo
Parede fina → invasão local rápida
Rede linfática subserosa rica
2Vias de disseminação
Linfática (hilo hepático, art. cística)
Extensão direta (fígado)
Hematogênica (fígado é o principal sítio)
Peritoneal (doença avançada)
Implantação em feridas/biópsias
3Precauções cirúrgicas
Bolsa de extração
Evitar contato com parede abdominal
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o câncer de vesícula biliar possui baixa propensão de disseminação peritoneal. Isso é falso: a disseminação peritoneal é uma via relevante, especialmente em doença avançada, podendo ocorrer por invasão direta ou implantação de células tumorais. A anatomia da vesícula, com sua fina parede e localização intraperitoneal, favorece a disseminação para a cavidade peritoneal, e não o contrário.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a disseminação por ferida cirúrgica é rara e não requer precauções adicionais. Isso é incorreto: a implantação tumoral em trajetos de agulha, portais laparoscópicos e feridas cirúrgicas é um mecanismo bem documentado no câncer de vesícula biliar. Por isso, durante a manipulação cirúrgica, adotam-se precauções como o uso de bolsa de extração para evitar o contato do espécime com a parede abdominal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma corretamente que o câncer de vesícula biliar pode se disseminar por via linfática e através de tratos de feridas cirúrgicas ou biópsias. A via linfática é uma das principais rotas de disseminação, seguindo a drenagem para os linfonodos do hilo hepático e ao longo da artéria cística. A contaminação de feridas cirúrgicas e trajetos de biópsia é um mecanismo reconhecido, exigindo precauções durante a manipulação cirúrgica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a porção da vesícula mais frequentemente envolvida na disseminação é o infundíbulo, por estar diretamente conectado aos linfonodos mesentéricos. Há dois erros: o infundíbulo não é a porção mais frequentemente envolvida na disseminação, e a drenagem linfática da vesícula não se dá para linfonodos mesentéricos, mas sim para os linfonodos do hilo hepático e ao longo da artéria cística.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que os pulmões são o principal local de metástases à distância no câncer de vesícula biliar. Isso é falso: o fígado é o sítio mais comum de metástases à distância, devido à drenagem venosa portal e à proximidade anatômica. Embora a disseminação hematogênica ocorra, os pulmões não são o principal local.