Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg684473
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia Torácica)
Um paciente de 60 anos apresenta dor torácica progressiva, tosse e perda de peso. A radiografia de tórax mostra uma massa grande na parede torácica anterior direita. A tomografia confirma uma massa sólida de 7 cm, sem metástases aparentes, envolvendo parcialmente a pleura parietal. A biópsia revela condrossarcoma de alto grau. Qual é a conduta mais adequada para esse paciente?
ARadioterapia isolada, pois o tumor é radiossensível.
BQuimioterapia, já que condrossarcomas respondem bem a drogas sistêmicas.
CAblação percutânea guiada por imagem.
DObservação com seguimento radiológico, pois tumores da parede torácica têm crescimento lento.
ERessecção cirúrgica ampla com margem de 4 cm, considerando que é de alto grau.
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GabaritoE — Ressecção cirúrgica ampla com margem de 4 cm, considerando que é de alto grau.
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Condrossarcoma de parede torácica: tratamento cirúrgico como padrão-ouro
Gabarito: letra E. O condrossarcoma é um tumor mesenquimal maligno de cartilagem, classicamente resistente à radioterapia e à quimioterapia, sendo a ressecção cirúrgica ampla com margens negativas o único tratamento potencialmente curativo — e essa é exatamente a conduta descrita na alternativa E, que ainda acerta ao especificar margem de 4 cm para tumor de alto grau.
O condrossarcoma é o tumor maligno primário mais comum da parede torácica. Ele se origina de células cartilaginosas e tem uma biologia peculiar: por ser um tumor "avascular" e de matriz extracelular densa, as células tumorais ficam protegidas da ação de quimioterápicos e da radiação ionizante. Por isso, a resposta a tratamentos sistêmicos ou radioterápicos é pobre, e a cirurgia assume papel central. A ressecção deve ser ampla, com margens cirúrgicas livres — idealmente de 4 cm ou mais para tumores de alto grau —, pois a recidiva local está diretamente relacionada à qualidade das margens. Em tumores de alto grau, a taxa de recidiva local com margens inadequadas é alta, e a metastatização hematogênica (principalmente pulmonar) é o padrão de falha mais temido.
A apresentação clínica descrita — dor torácica progressiva, tosse e perda de peso em paciente idoso, com massa sólida de 7 cm na parede torácica anterior — é típica. A tomografia mostra envolvimento parcial da pleura parietal, o que reforça a necessidade de ressecção em bloco, incluindo a pleura quando necessário. A ausência de metástases aparentes torna o paciente candidato a tratamento curativo, o que reforça ainda mais a indicação cirúrgica.
A conduta correta, portanto, é a ressecção cirúrgica ampla. As demais alternativas propõem modalidades que não têm papel curativo no condrossarcoma: radioterapia isolada (tumor radiossensível? não — é radiorresistente), quimioterapia (não responde bem a drogas sistêmicas), ablação percutânea (não é tratamento padrão para tumor sólido de 7 cm) e observação (inaceitável diante de tumor maligno de alto grau com potencial de crescimento e metastatização).
Guarde o conceito-chave: condrossarcoma = tumor cirúrgico. A cirurgia é o pilar do tratamento, e a margem é o fator prognóstico mais importante. É exatamente esse raciocínio que separa a alternativa correta das demais.
Condrossarcoma de parede torácica
1Biologia
Tumor cartilaginoso avascular
Radiorresistente
Quimiorresistente
2Tratamento
Ressecção cirúrgica ampla
Margem ≥ 4 cm (alto grau)
Único potencial curativo
Radioterapia isolada
Quimioterapia
Ablação percutânea
Observação
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o condrossarcoma é radiossensível e que a radioterapia isolada é a conduta. Há dupla falha: o condrossarcoma é radiorresistente (a matriz cartilaginosa densa protege as células da radiação), e a radioterapia isolada não é curativa. A radioterapia pode ter papel adjuvante ou paliativo, mas nunca como tratamento isolado com intenção curativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que condrossarcomas respondem bem a quimioterapia sistêmica. É o oposto: o condrossarcoma é quimiorresistente, justamente pela baixa vascularização e pela matriz extracelular que dificulta a penetração dos fármacos. A quimioterapia não tem papel estabelecido no tratamento curativo do condrossarcoma convencional.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Abliação percutânea guiada por imagem não é tratamento padrão para um tumor sólido maligno de 7 cm na parede torácica. Essa técnica tem indicações limitadas (geralmente lesões pequenas, metástases hepáticas ou renais selecionadas) e não oferece margens cirúrgicas, sendo inadequada para um condrossarcoma de alto grau, que exige ressecção em bloco.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Observação com seguimento radiológico é inaceitável. O condrossarcoma de alto grau é um tumor maligno agressivo, com potencial de crescimento local e metastatização hematogênica. A premissa de que "tumores da parede torácica têm crescimento lento" é uma generalização perigosa — alguns podem crescer lentamente, mas o de alto grau não deve ser observado quando há chance de cura cirúrgica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ressecção cirúrgica ampla com margem de 4 cm é a conduta correta para condrossarcoma de alto grau da parede torácica. A cirurgia é o único tratamento potencialmente curativo, e a margem ampla (≥ 4 cm) é recomendada para tumores de alto grau, pois reduz a recidiva local. O paciente, sem metástases aparentes, é candidato a tratamento com intenção curativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre tumores radiossensíveis (linfoma, mieloma, seminoma) e tumores radiorresistentes (condrossarcoma, sarcoma de partes moles, melanoma). O candidato que generaliza "tumor maligno responde a quimio/radio" cai nas alternativas A ou B. A palavra-chave é condrossarcoma: tumor cartilaginoso, avascular, que só a cirurgia resolve.
Gabarito: letra E — ressecção cirúrgica ampla com margem de 4 cm.