Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg684476
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia Torácica)
Paciente de 63 anos, pós-lobectomia superior esquerda por neoplasia pulmonar, apresenta drenagem persistente de líquido de aspecto leitoso no 3º dia pós-operatório, com débito diário de aproximadamente 800 mL. O líquido pleural foi encaminhado para análise laboratorial, que evidenciou: predomínio de linfócitos, triglicerídeos = 320 mg/dL, colesterol sérico = 175 mg/dL. Em relação ao manejo inicial do quilotórax pós-operatório, recomenda-se:
  1. AEstimular a deambulação e fisioterapia, mantendo a drenagem torácica por mais 10 dias, sem restrição dietética.
  2. BRealizar, o mais breve possível, cirurgia para ligadura do ducto torácico.
  3. CInstilar antibiótico pelo dreno torácico para evitar infecção.
  4. DInstituir restrição dietética com dieta hipogordurosa, rica em triglicerídeos de cadeia média.
  5. EManter apenas observação, considerando que é uma condição autolimitada.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Instituir restrição dietética com dieta hipogordurosa, rica em triglicerídeos de cadeia média.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Quilotórax pós-operatório: manejo inicial

Gabarito: letra D. O quilotórax pós-lobectomia é tratado inicialmente com medidas conservadoras, incluindo dieta hipogordurosa rica em triglicerídeos de cadeia média (TCM), que reduzem a produção de linfa e o débito pelo ducto torácico. A cirurgia é reservada para falha do tratamento conservador ou débito elevado persistente.

O quilotórax é o acúmulo de linfa (quilo) no espaço pleural, decorrente de lesão do ducto torácico — estrutura que drena a linfa do abdome e do hemitórax esquerdo para a circulação venosa. No pós-operatório de cirurgias torácicas, como a lobectomia, a lesão pode ocorrer durante a dissecção do hilo ou do mediastino. O líquido leitoso, com predomínio de linfócitos e triglicerídeos elevados (> 110 mg/dL), confirma o diagnóstico. O manejo inicial é conservador, pois a maioria dos quilotórax pós-operatórios fecha espontaneamente com medidas que reduzem o fluxo linfático.

A base do tratamento conservador é a restrição dietética: dieta hipogordurosa, rica em triglicerídeos de cadeia média (TCM). Os triglicerídeos de cadeia longa (TCL), presentes na gordura alimentar comum, são absorvidos pelos lacteais intestinais e transportados pela linfa até o ducto torácico, aumentando o fluxo linfático e o débito do quilotórax. Já os TCM são absorvidos diretamente para a circulação portal, sem passar pelo ducto torácico, reduzindo a produção de linfa. Assim, a dieta com TCM diminui o débito e favorece a cicatrização da lesão. Em casos de débito muito elevado ou falha da dieta, pode-se optar por jejum com nutrição parenteral total (NPT), que reduz ainda mais o estímulo linfático.

A cirurgia (ligadura do ducto torácico) é indicada quando o débito permanece alto (> 500–1000 mL/dia por 5–7 dias) ou quando há falha do tratamento conservador após 2–4 semanas. Não é a primeira conduta. A instilação de antibiótico pelo dreno não tem papel no tratamento do quilotórax, e a simples observação sem intervenção dietética não é adequada, pois o débito de 800 mL/dia é significativo e pode levar a desnutrição e imunossupressão.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que o quilotórax pós-operatório não é tratado com cirurgia imediata, mas sim com medidas conservadoras que reduzem o fluxo linfático. A alternativa D é a única que combina a restrição dietética correta com o uso de TCM.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Estimular deambulação e fisioterapia sem restrição dietética é inadequado. A dieta hipogordurosa é essencial para reduzir o débito linfático; sem ela, o quilotórax tende a persistir. A deambulação e a fisioterapia são medidas gerais de pós-operatório, mas não substituem a restrição dietética.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A ligadura do ducto torácico é uma opção cirúrgica, mas não é o manejo inicial. O tratamento conservador com dieta e drenagem é a primeira linha, reservando a cirurgia para falha do tratamento clínico ou débito persistente elevado. Operar precocemente expõe o paciente a riscos cirúrgicos desnecessários quando a maioria dos casos resolve espontaneamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Instilar antibiótico pelo dreno torácico não é indicado no quilotórax. O quilotórax não é uma infecção; a instilação de antibióticos não trata a lesão do ducto torácico e pode causar irritação pleural ou reações adversas. Antibióticos sistêmicos são usados apenas se houver infecção associada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dieta hipogordurosa rica em triglicerídeos de cadeia média (TCM) é a base do manejo conservador do quilotórax. Os TCM são absorvidos diretamente na circulação portal, sem passar pelo ducto torácico, reduzindo o fluxo linfático e o débito do quilotórax. Essa medida, associada à drenagem torácica, é a conduta inicial recomendada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Manter apenas observação, considerando a condição autolimitada, é inadequado. Embora muitos quilotórax pós-operatórios fechem espontaneamente, o débito de 800 mL/dia é significativo e pode levar a desnutrição, perda de linfócitos e imunossupressão. A dieta hipogordurosa é necessária para acelerar a resolução e evitar complicações.

NÃO CAIA NESSA!

Para questões de quilotórax, lembre-se da tríade: dieta hipogordurosa com TCM (manejo inicial), drenagem torácica (controle do débito) e cirurgia (reservada para falha do conservador). A banca costuma trocar a ordem: cirurgia precoce em vez de dieta, ou dieta rica em TCL em vez de TCM.

Gabarito: letra D

Link permanente: /questoes/qg684476