Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg684485
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia Torácica)
De acordo com as recomendações e descrições do manejo/diagnóstico das lesões torácicas, assinale a alternativa correta.
AA lesão torácica mais comum em trauma é, em geral, uma lesão cardíaca penetrante, motivo pelo qual a toracotomia é o exame inicial mais importante para o diagnóstico.
BA história clínica, o exame físico e o raio X de tórax seguem fundamentais. Além disso, exames adicionais como eFAST, TC e angiografia por TC são frequentemente usados para avaliar lesão torácica.
CUm hemotórax retido deve ser manejado inicialmente com observação clínica e repetição de raio X, reservando videotoracoscopia ou toracotomia apenas se houver instabilidade hemodinâmica.
DA toracotomia anterolateral esquerda no terceiro ou quarto espaço intercostal é descrita como uma abordagem voltada principalmente ao tratamento de lesões do pulmão direito e com pouca utilidade para intervenções cardíacas diretas.
EUm débito de tubo torácico de 1.500 mL de sangue por hora, ou 200 mL na inserção, geralmente justifica toracotomia urgente.
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GabaritoB — A história clínica, o exame físico e o raio X de tórax seguem fundamentais. Além disso, exames adicionais como eFAST, TC e angiografia por TC são frequentemente usados para avaliar lesão torácica.
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Trauma torácico: diagnóstico e manejo inicial
Gabarito: letra B. A alternativa correta reflete a conduta moderna no trauma torácico: a história clínica, o exame físico e a radiografia de tórax continuam sendo a base da avaliação, complementados por exames como eFAST, tomografia computadorizada (TC) e angiografia por TC quando indicados. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de valores que as tornam incorretas.
O trauma torácico é definido como qualquer lesão muscular, óssea ou de órgãos da cavidade torácica, abrangendo um amplo espectro que inclui acometimento da musculatura intercostal, costelas, pulmões, coração, esôfago, traqueia, aorta torácica e ducto torácico. A maioria dos traumas torácicos é contusa e não necessita de procedimentos médicos emergenciais; dados americanos apontam que menos de 10% dos traumas contusos necessitam de intervenção do emergencista ou do cirurgião. No entanto, o trauma torácico penetrante, que compõe cerca de 20% dos óbitos relacionados ao trauma, necessita de intervenção cirúrgica em até 30% dos casos.
A avaliação inicial segue a sistemática do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a avaliação das vias aéreas, ventilação e circulação. Durante a avaliação primária, ainda em sala de emergência, destaca-se a importância do ultrassom point-of-care (POCUS), que pode ser utilizado rapidamente para avaliação de pneumotórax, hemotórax, tamponamento cardíaco e contusão pulmonar. O protocolo eFAST (Extended Focused Assessment with Sonography for Trauma) foi desenvolvido para, além de diagnosticar líquido livre em cavidade peritoneal, avaliar pneumotórax e derrame pleural.
Na avaliação secundária, a radiografia de tórax continua sendo um exame fundamental, capaz de identificar fraturas de costelas, pneumotórax, hemotórax e outras alterações. A tomografia computadorizada de tórax é o padrão-ouro para diagnóstico de lesões de costela e contusão pulmonar, apresentando acurácia superior à radiografia. Além disso, com a associação de contraste endovenoso, permite a avaliação de outras possíveis lesões associadas, como lacerações hepáticas ou hemotórax. Para a avaliação de lesões vasculares, como a rotura traumática da aorta, a angiotomografia de tórax é o método de escolha, com sensibilidade e especificidade próximas a 100% quando a aorta é bem contrastada.
O manejo das lesões torácicas depende da gravidade e do tipo de lesão. O hemotórax, por exemplo, é tratado inicialmente com drenagem torácica, e a indicação de abordagem cirúrgica ocorre quando há saída de mais de 1,5 litro de sangue imediatamente após a drenagem ou débito maior que 200 mL/h por 3 horas consecutivas. O pneumotórax hipertensivo é uma emergência que requer descompressão imediata com agulha de grande calibre, seguida de drenagem torácica. Lesões de via aérea, contusão cardíaca e rotura de aorta exigem abordagens específicas, muitas vezes cirúrgicas.
A pegadinha central desta questão está na alternativa E, que inverte os critérios de toracotomia urgente: o débito de 1.500 mL/h não é o critério correto, pois o valor correto é 1.500 mL imediatamente após a drenagem ou 200 mL/h por 3 horas consecutivas. A alternativa A erra ao afirmar que a lesão cardíaca penetrante é a mais comum e que a toracotomia é o exame inicial; na verdade, a lesão mais comum é a contusão pulmonar, e o diagnóstico inicial é clínico-radiológico. A alternativa C erra ao sugerir observação para hemotórax retido, quando a conduta correta é a drenagem torácica. A alternativa D erra ao descrever a toracotomia anterolateral esquerda como voltada ao pulmão direito, quando na verdade é a via de acesso para o coração.
Guarde a fronteira entre os critérios de toracotomia urgente e os exames de imagem: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Trauma torácico
1Avaliação inicial
História clínica
Exame físico
Raio X de tórax
eFAST (POCUS)
TC (padrão-ouro)
Angio-TC (aorta)
2Lesões mais comuns
Contusão pulmonar
Pneumotórax
Hemotórax
3Manejo
Hemotórax → drenagem torácica
Pneumotórax hipertensivo → descompressão + dreno
Toracotomia urgente
1.500 mL imediato
200 mL/h por 3h
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão torácica mais comum em trauma é a lesão cardíaca penetrante e que a toracotomia é o exame inicial mais importante. Há dois erros: (1) a lesão torácica mais comum é a contusão pulmonar, não a lesão cardíaca penetrante; (2) a toracotomia é um procedimento terapêutico de emergência, não um exame diagnóstico inicial. O diagnóstico inicial é feito por história clínica, exame físico e radiografia de tórax, com exames complementares como eFAST e TC.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa está correta ao afirmar que a história clínica, o exame físico e o raio X de tórax seguem fundamentais na avaliação do trauma torácico. Além disso, exames adicionais como eFAST, TC e angiografia por TC são frequentemente usados para avaliar lesão torácica, conforme descrito na literatura e nas diretrizes de trauma. O eFAST é útil na avaliação de pneumotórax, hemotórax e tamponamento cardíaco; a TC é o padrão-ouro para lesões de costela e contusão pulmonar; e a angiotomografia é o método de escolha para lesões de aorta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que um hemotórax retido deve ser manejado inicialmente com observação clínica e repetição de raio X, reservando videotoracoscopia ou toracotomia apenas se houver instabilidade hemodinâmica. O erro está em sugerir observação como conduta inicial. O hemotórax, mesmo retido, deve ser tratado com drenagem torácica, que é fundamental para evacuar o sangue acumulado e restaurar a pressão negativa na cavidade pleural. A observação clínica não é a conduta inicial adequada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Descreve a toracotomia anterolateral esquerda no terceiro ou quarto espaço intercostal como uma abordagem voltada principalmente ao tratamento de lesões do pulmão direito e com pouca utilidade para intervenções cardíacas diretas. O erro é duplo: (1) a toracotomia anterolateral esquerda é a via de acesso clássica para o coração, permitindo intervenções cardíacas diretas, como no tamponamento cardíaco; (2) não é voltada ao pulmão direito, mas sim às estruturas do lado esquerdo do tórax, incluindo o coração.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que um débito de tubo torácico de 1.500 mL de sangue por hora, ou 200 mL na inserção, geralmente justifica toracotomia urgente. O erro está na inversão dos valores. Os critérios corretos para toracotomia urgente são: saída de mais de 1.500 mL de sangue imediatamente após a drenagem, ou débito maior que 200 mL/h por 3 horas consecutivas. A alternativa troca o critério de volume imediato pelo critério de débito horário, e vice-versa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte os critérios de toracotomia urgente na alternativa E: o correto é 1.500 mL imediatamente após a drenagem ou 200 mL/h por 3 horas consecutivas. O candidato que decora os números sem entender o contexto cai na armadilha. Fique atento: 1.500 mL é o volume inicial, não o débito horário.
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os critérios de toracotomia urgente, lembre-se: "1.500 mL na hora, 200 mL por 3 horas". Ou seja, o volume grande é imediato, e o volume menor é sustentado por 3 horas. Essa distinção é clássica em provas de cirurgia e emergência.