Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FUNDATEC 2026
Medicina›Cirurgia Geral
Código
qg684491
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Cirurgia Torácica)
A avaliação do risco perioperatório influencia todas as etapas do planejamento cirúrgico, incluindo a indicação operatória, a escolha do procedimento, o manejo perioperatório e as discussões sobre objetivos de cuidado. As cirurgias podem ser classificadas em baixo, intermediário e alto risco. De acordo com a última edição do “Sabiston Textbook of Surgery” (Townsend et al., 2021), no tópico estimativa de risco cirúrgico conforme o tipo de operação, são procedimentos considerados de alto risco (risco >5%), EXCETO:
ARevascularização aberta de membro inferior ou amputação ou tromboembolectomia.
BReparo de intestino perfurado.
CRessecção adrenal.
DCistectomia total.
EReparo endovascular de aneurisma.
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GabaritoE — Reparo endovascular de aneurisma.
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Classificação de risco cirúrgico: procedimentos de alto risco
Gabarito: letra E. O reparo endovascular de aneurisma (EVAR) é considerado procedimento de risco intermediário (1–5%), e não de alto risco (>5%), conforme a classificação do Sabiston Textbook of Surgery (Townsend et al., 2021). As demais alternativas (revascularização aberta de membro inferior, reparo de intestino perfurado, ressecção adrenal e cistectomia total) são listadas como procedimentos de alto risco.
A avaliação do risco perioperatório é etapa fundamental do planejamento cirúrgico, pois orienta desde a indicação operatória até o manejo pós-operatório. A classificação do risco cirúrgico conforme o tipo de operação é uma das ferramentas mais utilizadas, permitindo estratificar os pacientes em baixo (<1%), intermediário (1–5%) e alto risco (>5%). Essa estratificação influencia diretamente a necessidade de exames complementares, a otimização clínica pré-operatória e a escolha da técnica anestésica e cirúrgica.
O Sabiston Textbook of Surgery, em sua edição mais recente, apresenta uma tabela que classifica os procedimentos cirúrgicos de acordo com o risco de eventos cardíacos e complicações perioperatórias. Procedimentos de alto risco (>5%) incluem cirurgias vasculares abertas, cirurgias de emergência em pacientes graves, ressecções oncológicas extensas e cirurgias urológicas de grande porte. Por outro lado, procedimentos endovasculares, como o reparo endovascular de aneurisma (EVAR), são considerados de risco intermediário, pois apresentam menor morbimortalidade quando comparados à cirurgia aberta.
A distinção entre risco alto e intermediário é crucial na prática clínica. Por exemplo, um paciente com aneurisma de aorta abdominal pode ser candidato a EVAR ou a cirurgia aberta, dependendo de sua condição clínica e do risco cirúrgico. O EVAR, por ser menos invasivo, é frequentemente preferido em pacientes de alto risco cirúrgico, justamente por apresentar menor morbimortalidade perioperatória. Essa lógica explica por que o EVAR não é classificado como procedimento de alto risco, mas sim de risco intermediário.
A banca explora a confusão entre procedimentos vasculares abertos e endovasculares. O candidato pode associar qualquer procedimento vascular a alto risco, mas a literatura distingue claramente o risco da cirurgia aberta (alto) do risco do procedimento endovascular (intermediário). Guarde essa fronteira: cirurgia vascular aberta = alto risco; cirurgia vascular endovascular = risco intermediário.
Alternativa A — ✅ Correta (é alto risco)
A revascularização aberta de membro inferior, amputação e tromboembolectomia são procedimentos vasculares abertos, associados a risco >5% de complicações perioperatórias. A manipulação direta de vasos, a isquemia-reperfusão e o sangramento intraoperatório justificam essa classificação.
Alternativa B — ✅ Correta (é alto risco)
O reparo de intestino perfurado é uma cirurgia de emergência, frequentemente realizada em pacientes sépticos e hemodinamicamente instáveis. A contaminação da cavidade peritoneal, a necessidade de anastomose em tecido inflamado e a sepse associada elevam o risco para >5%.
Alternativa C — ✅ Correta (é alto risco)
A ressecção adrenal é uma cirurgia de grande porte, realizada em órgão altamente vascularizado e retroperitoneal. O risco de sangramento, lesão de estruturas adjacentes (baço, pâncreas, rim) e complicações cardiovasculares (especialmente em feocromocitomas) justifica a classificação como alto risco.
Alternativa D — ✅ Correta (é alto risco)
A cistectomia total é uma cirurgia oncológica de grande porte, com extensa ressecção e reconstrução do trato urinário (derivação urinária). O tempo cirúrgico prolongado, a perda sanguínea significativa e a morbidade pós-operatória (fístulas, infecções) a classificam como procedimento de alto risco.
Alternativa E — ❌ Incorreta (é risco intermediário) ⟵ GABARITO
O reparo endovascular de aneurisma (EVAR) é um procedimento minimamente invasivo, realizado por acesso percutâneo ou femoral, com menor morbimortalidade quando comparado à cirurgia aberta. Por isso, é classificado como risco intermediário (1–5%), e não como alto risco (>5%). A banca explora a associação equivocada entre procedimentos vasculares e alto risco, mas a literatura distingue claramente o risco da abordagem aberta do risco da abordagem endovascular.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o risco da cirurgia vascular aberta pelo da endovascular. O candidato pode pensar que todo procedimento vascular é de alto risco, mas o EVAR é menos invasivo e tem menor morbimortalidade, sendo classificado como risco intermediário. Lembre-se: aberta = alto risco; endovascular = intermediário.
Gabarito: letra E — o reparo endovascular de aneurisma é o único procedimento de risco intermediário, não se enquadrando na categoria de alto risco (>5%).