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Questão de Medicina — Urologia — FUNDATEC 2026

MedicinaUrologia
Código
qg684498
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Médica)
Homem de 62 anos é avaliado por elevação progressiva do PSA (de 3,8 para 8,1 ng/mL em 18 meses). Apresenta toque retal com área endurecida na zona periférica direita. A ressonância multiparamétrica sugere lesão suspeita (PI-RADS 4). Biópsia confirma adenocarcinoma de próstata Gleason 3+4. Durante o estadiamento, discute-se a fisiopatologia e o comportamento das neoplasias prostáticas. Sobre o tema, assinale a alternativa correta.
  1. AA maioria dos adenocarcinomas prostáticos origina-se na zona de transição, motivo pelo qual sintomas urinários obstrutivos são a apresentação inicial mais comum.
  2. BMetástases ósseas do câncer de próstata são tipicamente osteolíticas, semelhantes às observadas no mieloma múltiplo.
  3. CO PSA é específico para câncer de próstata e valores elevados praticamente confirmam o diagnóstico.
  4. DA fosfatase alcalina pode se elevar em pacientes com metástases ósseas devido à atividade osteoblástica aumentada.
  5. ETumores com Gleason 3+4 e 4+3 possuem comportamento biológico equivalente, pois a soma dos padrões histológicos é a mesma.
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GabaritoD — A fosfatase alcalina pode se elevar em pacientes com metástases ósseas devido à atividade osteoblástica aumentada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Câncer de Próstata: Fisiopatologia e Comportamento Biológico

Gabarito: letra D. A fosfatase alcalina se eleva em pacientes com metástases ósseas do câncer de próstata porque essas lesões são tipicamente osteoblásticas (formadoras de osso), e a enzima é um marcador de atividade osteoblástica. As demais alternativas contêm erros conceituais: o adenocarcinoma prostático origina-se predominantemente na zona periférica (não na transição), as metástases ósseas são osteoblásticas (não osteolíticas), o PSA é específico da próstata mas não do câncer, e os escores de Gleason 3+4 e 4+3 têm prognósticos distintos apesar da mesma soma.

O câncer de próstata é o tumor maligno mais comum em homens (excluindo o câncer de pele não melanoma) e uma das principais causas de morte por câncer no sexo masculino. Para entender o comportamento dessa neoplasia, é essencial dominar três pilares: a zona prostática de origem, o padrão de metastatização óssea e o sistema de graduação histológica de Gleason. Cada um desses pilares é explorado nas alternativas, e a banca mistura conceitos corretos com inversões sutis para testar o conhecimento profundo do candidato.

Zona de origem e apresentação clínica: A próstata é dividida anatomicamente em zonas: periférica (onde se origina cerca de 70-75% dos adenocarcinomas), transição (origem da HPB e de cerca de 20% dos cânceres) e central (rara). Como a maioria dos tumores surge na zona periférica, distante da uretra, o câncer de próstata em estádio inicial é tipicamente assintomático — os sintomas obstrutivos (jato fraco, hesitação, noctúria) são mais característicos da HPB, que se origina na zona de transição e comprime a uretra. Essa distinção é crucial: o câncer costuma ser diagnosticado por PSA elevado ou toque retal alterado, não por sintomas urinários.

Metástases ósseas e fosfatase alcalina: O câncer de próstata metastatiza preferencialmente para ossos (coluna lombar, pelve, fêmur proximal), e essas metástases são tipicamente osteoblásticas — ou seja, há aumento da atividade dos osteoblastos (células formadoras de osso), resultando em lesões escleróticas (densas) na radiografia. A fosfatase alcalina (FA) é uma enzima presente nos osteoblastos e no epitélio biliar; na doença metastática óssea, a atividade osteoblástica aumentada eleva os níveis séricos de FA. Por isso, a FA é um marcador útil de doença óssea metastática no câncer de próstata, embora não seja específica (também se eleva em doenças hepáticas e outras condições ósseas). Em contraste, lesões osteolíticas (destrutivas) são típicas de mieloma múltiplo, carcinoma de células renais e tireoide.

Sistema de Gleason: O escore de Gleason é a graduação histológica mais importante no câncer de próstata, baseada no padrão arquitetural das glândulas tumorais (de 1 a 5, sendo 5 o mais indiferenciado). O escore final é a soma do padrão predominante (primeiro número) com o segundo padrão mais frequente (segundo número). Assim, 3+4 = 7 e 4+3 = 7 têm a mesma soma, mas prognósticos diferentes: o 4+3 tem maior proporção de padrão 4 (mais agressivo) e pior prognóstico que o 3+4. Essa distinção é fundamental para a decisão terapêutica — por exemplo, na vigilância ativa, são elegíveis tumores de baixo risco (Gleason 3+3) e médio risco favorável (3+4), mas não os de médio risco desfavorável (4+3).

PSA e especificidade: O PSA (antígeno prostático específico) é uma glicoproteína produzida pelas células epiteliais da próstata, cuja função é liquefazer o sêmen. Ele é específico do órgão (próstata), mas não do câncer: eleva-se na HPB, prostatite, manipulação prostática (biópsia, massagem), ejaculação recente, retenção urinária e até ciclismo de longa distância. Portanto, valores elevados não confirmam o diagnóstico de câncer — a biópsia é o método confirmatório. Na prática, o PSA é uma variável contínua de risco: quanto mais elevado, maior a probabilidade de câncer, mas não há um valor abaixo do qual o câncer esteja excluído.

A questão explora exatamente essas quatro armadilhas conceituais: a zona de origem (periférica vs. transição), o tipo de metástase óssea (osteoblástica vs. osteolítica), a especificidade do PSA (próstata vs. câncer) e a interpretação do Gleason (soma igual não significa comportamento igual). A alternativa D é a única que apresenta uma afirmação fisiopatologicamente correta e clinicamente relevante.

1Zona de origem
Periférica (70-75%) → câncer
Transição → HPB
2Metástase óssea
Osteoblástica (formadora)
FA elevada
3PSA
Específico da próstata
Não confirma câncer
4Gleason
3+4 (prognóstico melhor)
4+3 (prognóstico pior)
Câncer de próstata
LEVELsoulevel.com.br
Câncer de próstata: Zona de origem (Periférica (70-75%) → câncer, Transição → HPB); Metástase óssea (Osteoblástica (formadora), FA elevada); PSA (Específico da próstata, Não confirma câncer); Gleason (3+4 (prognóstico melhor), 4+3 (prognóstico pior))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a maioria dos adenocarcinomas prostáticos origina-se na zona de transição e que sintomas obstrutivos são a apresentação inicial mais comum. Erro duplo: (1) a maioria dos cânceres de próstata origina-se na zona periférica (cerca de 70-75%), não na transição; (2) por essa razão, o câncer inicial é tipicamente assintomático — os sintomas obstrutivos são mais característicos da HPB, que se origina na zona de transição e comprime a uretra. A banca inverte a zona de origem e a apresentação clínica, confundindo o candidato que associa câncer de próstata a sintomas urinários.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que as metástases ósseas do câncer de próstata são tipicamente osteolíticas, semelhantes às do mieloma múltiplo. Erro conceitual: as metástases ósseas do câncer de próstata são tipicamente osteoblásticas (formadoras de osso, escleróticas), enquanto as lesões osteolíticas (destrutivas) são características do mieloma múltiplo, carcinoma de células renais e tireoide. A banca troca o padrão de metastatização, um erro clássico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o PSA é específico para câncer de próstata e que valores elevados praticamente confirmam o diagnóstico. Erro: o PSA é específico da próstata (órgão), mas não do câncer — eleva-se na HPB, prostatite, manipulação prostática, ejaculação recente, retenção urinária, entre outras condições. Valores elevados indicam necessidade de investigação (biópsia), mas não confirmam o diagnóstico. A banca troca "específico da próstata" por "específico do câncer", uma inversão sutil e perigosa.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a fosfatase alcalina pode se elevar em pacientes com metástases ósseas devido à atividade osteoblástica aumentada. Correto: as metástases ósseas do câncer de próstata são osteoblásticas, e a fosfatase alcalina é um marcador de atividade osteoblástica. Quando há metástases ósseas, a proliferação de osteoblastos eleva os níveis séricos de FA, tornando-a um marcador útil de doença metastática. A alternativa está fisiopatologicamente correta e clinicamente relevante.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que tumores com Gleason 3+4 e 4+3 possuem comportamento biológico equivalente, pois a soma dos padrões histológicos é a mesma. Erro: embora ambos somem 7, o prognóstico é diferente — o 4+3 tem maior proporção do padrão 4 (mais agressivo) e pior prognóstico que o 3+4. Essa distinção é fundamental para a decisão terapêutica (por exemplo, na vigilância ativa, são elegíveis tumores 3+3 e 3+4, mas não 4+3). A banca explora a armadilha da soma igual, ignorando a importância do padrão predominante.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora inverter conceitos-chave do câncer de próstata. Nesta questão, ela troca a zona de origem (periférica por transição), o tipo de metástase óssea (osteoblástica por osteolítica), a especificidade do PSA (próstata por câncer) e a interpretação do Gleason (soma igual por comportamento igual). Fique atento a essas inversões — elas são o padrão de cobrança mais comum nesse tema. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um quadro mental com os pares corretos: zona periférica → câncer (assintomático); zona de transição → HPB (sintomas obstrutivos); metástase óssea → osteoblástica (FA elevada); PSA → específico da próstata, não do câncer; Gleason → o primeiro número é o padrão predominante e define o prognóstico. Esses são os pontos que a banca mais explora.

Gabarito: letra D

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