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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPneumologia
Código
qg684506
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Médica)
Homem de 54 anos com fibrose pulmonar idiopática em estágio avançado encontra-se em avaliação para transplante pulmonar. Apresenta dispneia em repouso, necessidade de oxigenoterapia contínua e queda progressiva da capacidade vital forçada (CVF). Durante a investigação pré-transplante, a equipe discute fatores que influenciam a indicação, o prognóstico e as complicações após o transplante pulmonar. Sobre o tema, assinale a alternativa correta.
  1. AA hipertensão pulmonar grave constitui contraindicação absoluta ao transplante pulmonar isolado, sendo mandatória a indicação de transplante cardiopulmonar nesses casos.
  2. BA principal causa de mortalidade tardia após o primeiro ano do transplante pulmonar é a rejeição hiperaguda mediada por anticorpos pré-formados.
  3. CA DLCO normal no pré-transplante indica ausência de doença vascular pulmonar e reduz significativamente o risco de disfunção primária do enxerto.
  4. DO transplante pulmonar bilateral está contraindicado em pacientes com bronquiectasias difusas devido ao alto risco de infecção persistente do enxerto.
  5. EA síndrome de bronquiolite obliterante é considerada uma manifestação de rejeição crônica e caracteriza-se funcionalmente por queda progressiva do VEF1.
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GabaritoE — A síndrome de bronquiolite obliterante é considerada uma manifestação de rejeição crônica e caracteriza-se funcionalmente por queda progressiva do VEF1.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transplante pulmonar: rejeição crônica e bronquiolite obliterante

Gabarito: letra E. A síndrome de bronquiolite obliterante (BOS) é a manifestação mais comum de rejeição crônica do enxerto após transplante pulmonar e se caracteriza funcionalmente por queda progressiva e irreversível do VEF1, geralmente definida como declínio ≥ 20% em relação ao valor basal pós-transplante. As demais alternativas contêm erros conceituais importantes sobre contraindicações, mortalidade tardia e avaliação pré-transplante.

O transplante pulmonar é a terapia definitiva para doenças pulmonares em estágio avançado, como a fibrose pulmonar idiopática (FPI), quando há falência respiratória progressiva apesar do tratamento otimizado. A avaliação pré-transplante busca identificar contraindicações absolutas e relativas, além de estratificar o risco cirúrgico e pós-operatório. Entre os fatores que influenciam o prognóstico estão a gravidade da doença de base, a presença de hipertensão pulmonar, a função ventricular direita, o estado nutricional e a presença de comorbidades.

A rejeição do enxerto pulmonar pode ser classificada em hiperaguda (minutos a horas, mediada por anticorpos pré-formados), aguda (dias a semanas, mediada por células T) e crônica (meses a anos). A rejeição crônica manifesta-se predominantemente como bronquiolite obliterante, um processo inflamatório e fibrótico que acomete as pequenas vias aéreas, levando a obstrução progressiva do fluxo aéreo. A BOS é diagnosticada clinicamente pela queda do VEF1, sem necessidade de biópsia, e é a principal causa de mortalidade tardia após o primeiro ano do transplante.

A hipertensão pulmonar (HP) é comum em candidatos a transplante pulmonar, especialmente na FPI avançada, e constitui fator de risco para disfunção primária do enxerto e mortalidade pós-operatória. No entanto, a HP grave não é contraindicação absoluta ao transplante pulmonar isolado; na maioria dos casos, o transplante bilateral ou mesmo unilateral pode ser realizado, com melhora da HP após a retirada do pulmão doente. O transplante cardiopulmonar é reservado para situações específicas, como cardiopatia congênita complexa com síndrome de Eisenmenger ou falência ventricular direita irreversível associada.

A DLCO (capacidade de difusão do monóxido de carbono) é um marcador de troca gasosa e pode estar reduzida em diversas doenças pulmonares, incluindo a FPI e a HP. Uma DLCO normal não exclui doença vascular pulmonar, pois a HP pode ocorrer com DLCO preservada em fases iniciais. Além disso, a DLCO não é um preditor isolado de disfunção primária do enxerto, que depende de múltiplos fatores, como tempo de isquemia, idade do doador e gravidade da doença de base.

As bronquiectasias difusas, como na fibrose cística, são indicação clássica de transplante pulmonar bilateral, pois a doença é bilateral e progressiva. O transplante bilateral remove todo o tecido pulmonar doente, eliminando o foco de infecção crônica. O risco de infecção do enxerto existe, mas é manejável com antibioticoterapia e imunossupressão adequadas, não constituindo contraindicação.

A rejeição hiperaguda é uma complicação rara, mediada por anticorpos pré-formados contra antígenos do doador, e ocorre nas primeiras horas após o transplante. A mortalidade tardia (após o primeiro ano) é dominada pela bronquiolite obliterante (rejeição crônica), infecções e malignidades, não pela rejeição hiperaguda, que é um evento precoce e incomum.

A compreensão desses conceitos é essencial para a prática clínica e para a prova. A alternativa correta (E) destaca a BOS como manifestação de rejeição crônica com queda progressiva do VEF1, o que está alinhado com a literatura e com as diretrizes de transplante pulmonar.

Aspecto

Rejeição Hiperaguda

Rejeição Aguda

Rejeição Crônica (BOS)

Tempo de ocorrência

Minutos a horas

Dias a semanas

Meses a anos

Mecanismo

Anticorpos pré-formados

Células T

Inflamação e fibrose de pequenas vias aéreas

Principal manifestação

Falência precoce do enxerto

Disfunção do enxerto

Queda progressiva do VEF1

Relação com mortalidade tardia

Rara, evento precoce

Pode contribuir, mas não é a principal causa tardia

Principal causa de mortalidade após o 1º ano

Rejeição no transplante pulmonar
  • 1Hiperaguda (minutos a horas)
    • Anticorpos pré-formados
    • Rara
  • 2Aguda (dias a semanas)
    • Células T
  • 3Crônica (meses a anos)
    • Bronquiolite obliterante (BOS)
      • Queda progressiva do VEF1
      • Principal causa de mortalidade tardia
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A hipertensão pulmonar grave não é contraindicação absoluta ao transplante pulmonar isolado. Embora aumente o risco cirúrgico e pós-operatório, a HP pode ser manejada e frequentemente melhora após o transplante, pois o pulmão doente é removido. O transplante cardiopulmonar é reservado para casos específicos, como cardiopatia congênita com síndrome de Eisenmenger ou falência ventricular direita irreversível, não sendo mandatório em todos os casos de HP grave.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A rejeição hiperaguda é uma complicação precoce (minutos a horas) e rara, mediada por anticorpos pré-formados. A principal causa de mortalidade tardia após o primeiro ano do transplante pulmonar é a bronquiolite obliterante (rejeição crônica), além de infecções e malignidades. A alternativa confunde o tipo de rejeição e o período de ocorrência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A DLCO normal não indica ausência de doença vascular pulmonar, pois a hipertensão pulmonar pode ocorrer com DLCO preservada em fases iniciais. Além disso, a DLCO não é um preditor isolado de disfunção primária do enxerto, que depende de múltiplos fatores, como tempo de isquemia, idade do doador e gravidade da doença de base. A alternativa superestima o valor da DLCO como marcador isolado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

As bronquiectasias difusas, como na fibrose cística, são indicação clássica de transplante pulmonar bilateral, pois a doença é bilateral e progressiva. O transplante bilateral remove todo o tecido pulmonar doente, eliminando o foco de infecção crônica. O risco de infecção do enxerto existe, mas é manejável, não constituindo contraindicação.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome de bronquiolite obliterante é a manifestação mais comum de rejeição crônica do enxerto após transplante pulmonar. Caracteriza-se por obstrução progressiva e irreversível do fluxo aéreo, diagnosticada clinicamente pela queda do VEF1 ≥ 20% em relação ao valor basal pós-transplante. É a principal causa de mortalidade tardia e limita a sobrevida em longo prazo.

Gabarito: letra E

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