Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2026
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg684508
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Médica)
Homem de 58 anos, tabagista, hipertenso, chega com dor torácica súbita, opressiva, irradiada para dorso e mandíbula. ECG mostra infra de ST em parede inferior, troponina inicial negativa. Ao exame físico: PA: 170 × 95 mmHg; FC: 110 bpm; sopro diastólico novo em foco aórtico; pulso femoral direito diminuído. Diante desse cenário, qual é a conduta inicial mais adequada?
AAdministrar AAS + clopidogrel + heparina.
BAdministrar trombolítico sistêmico.
CAdministrar betabloqueador intravenoso isolado.
DRealizar coronariografia imediata.
ERealizar angiotomografia de aorta antes de anticoagulação.
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GabaritoE — Realizar angiotomografia de aorta antes de anticoagulação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Dissecção de aorta: reconhecimento e conduta inicial
Gabarito: letra E. O quadro descrito — dor torácica súbita e opressiva irradiada para dorso e mandíbula, sopro diastólico novo em foco aórtico e pulso femoral direito diminuído — é altamente sugestivo de dissecção aguda de aorta, e não de síndrome coronariana aguda (SCA). Nesse cenário, a conduta inicial mais adequada é realizar angiotomografia de aorta antes de qualquer anticoagulação, pois anticoagular um paciente com dissecção de aorta pode ser catastrófico, aumentando o risco de ruptura e tamponamento. As demais alternativas (A, B, C, D) são condutas apropriadas para SCA, mas são contraindicadas ou inadequadas quando há suspeita de dissecção aórtica.
A dissecção de aorta é uma emergência cardiovascular com alta mortalidade — estima-se cerca de 1% por hora nas primeiras 24 horas. Ocorre, na maioria dos casos, por ruptura da íntima arterial com separação entre as camadas íntima e média, criando uma falsa luz. O fator predisponente mais importante é a hipertensão arterial sistêmica, presente neste paciente (PA 170 × 95 mmHg). O tabagismo também é um fator de risco relevante.
O quadro clínico clássico é de dor torácica excruciante, dilacerante, em 'facada', com início súbito e irradiação para o dorso e região interescapular. No entanto, a apresentação pode ser atípica, mimetizando uma SCA, como neste caso — dor opressiva irradiada para mandíbula e infra de ST no ECG. Os sinais que devem levantar a suspeita de dissecção são:
Sopro diastólico novo em foco aórtico: sugere insuficiência aórtica aguda, que pode ocorrer quando a dissecção envolve a raiz da aorta e compromete a valva aórtica.
Assimetria de pulsos ou pressão arterial: o pulso femoral direito diminuído indica comprometimento do fluxo para o membro inferior direito, provavelmente por extensão da dissecção para a aorta descendente ou obstrução da artéria ilíaca.
Déficit neurológico: pode ocorrer por comprometimento de artérias carótidas ou vertebrais.
A troponina inicial negativa também é um dado importante: embora possa ser negativa nas primeiras horas de um infarto, a presença de sinais de dissecção torna o diagnóstico de SCA menos provável como causa primária.
O diagnóstico de dissecção de aorta é confirmado por exames de imagem, sendo a angiotomografia de aorta o exame de escolha na maioria dos serviços, por ser rápido, amplamente disponível e capaz de avaliar toda a extensão da aorta. Alternativas como ecocardiograma transesofágico ou ressonância magnética também podem ser usadas, mas a angiotomografia é a mais prática na emergência.
A conduta inicial, portanto, é estabilizar o paciente e realizar o exame de imagem para confirmar o diagnóstico antes de iniciar qualquer terapia antitrombótica. A anticoagulação plena (heparina) ou a fibrinólise, indicadas para SCA, são absolutamente contraindicadas na dissecção de aorta, pois podem agravar o sangramento na parede aórtica e precipitar a ruptura.
NÃO CAIA NESSA!
A banca monta um caso que parece SCA (dor opressiva, infra de ST, troponina negativa) e insere sinais clássicos de dissecção de aorta (sopro diastólico novo, assimetria de pulso). O candidato que não reconhece a dissecção opta por A, B ou D, que são condutas para SCA e seriam iatrogênicas aqui. A chave é: sopro diastólico novo + assimetria de pulso em paciente com dor torácica = dissecção de aorta até que se prove o contrário.
Dissecção aguda de aorta
1Suspeita clínica
Dor torácica súbita (dorso/mandíbula)
Sopro diastólico novo (insuf. aórtica)
Assimetria de pulsos/PA
2Diagnóstico
Angiotomografia de aorta (escolha)
Ecocardiograma transesofágico
3Conduta inicial
Anticoagulação (heparina) — contraindicada
Fibrinólise — contraindicada
Coronariografia — contraindicada
Confirmar por imagem antes de tratar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Administrar AAS + clopidogrel + heparina é a terapia antiagregante e anticoagulante indicada para SCA. Porém, na suspeita de dissecção de aorta, a anticoagulação plena com heparina é contraindicada, pois aumenta o risco de sangramento na parede aórtica e de ruptura. O AAS e o clopidogrel também não devem ser administrados até que a dissecção seja excluída, pois podem agravar o quadro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O trombolítico sistêmico é indicado para IAM com supra de ST (IAMCSST) quando não há acesso à angioplastia primária em tempo hábil. Neste caso, o ECG mostra infra de ST (IAMSSST), e a suspeita de dissecção de aorta torna a fibrinólise absolutamente contraindicada — o risco de hemorragia fatal na aorta dissecada é altíssimo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O betabloqueador intravenoso isolado é parte do tratamento da dissecção de aorta (controle de FC e PA), mas não é a conduta inicial mais adequada isoladamente. Antes de iniciar qualquer terapia específica, é necessário confirmar o diagnóstico com exame de imagem. Além disso, na vigência de suspeita de dissecção, o betabloqueador deve ser usado com cautela e em associação a outras medidas, não como conduta isolada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A coronariografia imediata é indicada para SCA de muito alto risco (instabilidade hemodinâmica, choque cardiogênico, angina refratária). Porém, na suspeita de dissecção de aorta, a coronariografia é contraindicada antes da exclusão do diagnóstico, pois a manipulação de cateteres na aorta pode agravar a dissecção ou provocar ruptura. O exame de imagem (angiotomografia) deve vir primeiro.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Realizar angiotomografia de aorta antes de anticoagulação é a conduta inicial mais adequada. Diante da suspeita clínica de dissecção de aorta (dor torácica + sopro diastólico novo + assimetria de pulso), o diagnóstico deve ser confirmado por imagem antes de qualquer terapia antitrombótica. A angiotomografia é o exame de escolha na emergência, rápido e capaz de avaliar toda a extensão da aorta. Somente após a exclusão da dissecção é que se pode considerar o tratamento para SCA.