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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2026

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg684509
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Médica)
Homem de 58 anos, previamente hígido, apresenta dor cervical progressiva há 3 semanas, associada a fraqueza ascendente em membros inferiores, dificuldade para subir escadas e retenção urinária há 24 horas. Ao exame neurológico: força: MMII: 3/5 proximal, 4/5 distal; MMSS: 5/5; reflexos patelares exaltados; sinal de Babinski bilateral; sensibilidade preservada; sem febre. Qual é a conduta imediata mais adequada, antes mesmo da confirmação etiológica?
  1. ASolicitar TC de coluna cervical e aguardar resultado.
  2. BRealizar punção lombar para investigação infecciosa.
  3. CIniciar corticoterapia endovenosa em alta dose.
  4. DSolicitar eletroneuromiografia para diferenciar neuropatia.
  5. EIniciar levodopa, pela suspeita de doença extrapiramidal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Iniciar corticoterapia endovenosa em alta dose.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Mielopatia cervical aguda: conduta imediata

Gabarito: letra C. O quadro descrito — dor cervical progressiva, fraqueza ascendente em MMII, retenção urinária, hiperreflexia e sinal de Babinski bilateral — é altamente sugestivo de mielopatia cervical compressiva aguda, e a conduta imediata, antes mesmo da confirmação etiológica, é iniciar corticoterapia endovenosa em alta dose (metilprednisolona), conforme protocolos de emergência neurológica. A suspeita clínica de compressão medular exige ação terapêutica imediata, pois o atraso pode levar a déficits irreversíveis.

A mielopatia cervical é uma síndrome neurológica causada por lesão na medula espinhal cervical, que pode ser de origem degenerativa (como a mielopatia cervical degenerativa), traumática, neoplásica, infecciosa ou inflamatória. O diagnóstico é clínico e radiológico, com preferência para a ressonância magnética, e o tratamento definitivo é cirúrgico, visando descompressão e estabilização do segmento cervical. No entanto, na suspeita de compressão medular aguda, a conduta imediata é a administração de corticosteroides em alta dose, que atuam reduzindo o edema e a inflamação ao redor da medula, prevenindo danos secundários. Essa medida é uma ponte até a confirmação etiológica e a decisão cirúrgica.

O quadro clínico apresentado é clássico: dor cervical progressiva, fraqueza ascendente em membros inferiores (mais proximal que distal), retenção urinária (disfunção autonômica), hiperreflexia e sinal de Babinski bilateral (sinais de lesão do neurônio motor superior). A sensibilidade preservada e a ausência de febre ajudam a afastar, inicialmente, causas infecciosas agudas, mas não excluem a necessidade de investigação. A combinação de sinais de liberação piramidal com disfunção esfincteriana aponta para acometimento medular, e não para neuropatia periférica ou doença extrapiramidal.

A distinção crucial aqui é entre mielopatia (lesão medular) e neuropatia periférica ou radiculopatia. Na mielopatia, há sinais de neurônio motor superior (hiperreflexia, Babinski, espasticidade) e disfunção esfincteriana; na neuropatia periférica, os reflexos são hipoativos ou abolidos, e o padrão de fraqueza é distal e simétrico. A eletroneuromiografia (ENMG) tem papel secundário na avaliação de radiculopatia cervical, sendo mais indicada para diagnóstico diferencial com neuropatias periféricas, mas não é a conduta imediata em uma suspeita de compressão medular aguda. A punção lombar, por sua vez, é contraindicada na suspeita de lesão expansiva medular, pois pode causar herniação tonsilar e piora neurológica. A TC de coluna cervical é útil para avaliar fraturas ósseas, mas a RM é o exame de escolha para avaliar tecidos moles e compressão medular; solicitar TC e aguardar o resultado atrasaria a conduta terapêutica. A levodopa é indicada para doença de Parkinson, que se manifesta com bradicinesia, rigidez e tremor de repouso, não com fraqueza ascendente e sinais piramidais.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que parecem razoáveis em um primeiro momento, como solicitar exames de imagem ou realizar punção lombar, mas que não são a conduta imediata mais adequada. O candidato deve reconhecer a emergência neurológica e priorizar a intervenção terapêutica precoce. A corticoterapia em alta dose é o pilar do manejo inicial da mielopatia compressiva aguda, independentemente da causa, até que a etiologia seja definida e o tratamento definitivo (cirúrgico, na maioria dos casos) seja realizado.

  1. 1Suspeita clínica de compressão medular
  2. 2[+] Corticoterapia EV em alta dose
  3. 3RM para confirmação etiológica
  4. 4Cirurgia descompressiva (definitivo)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Solicitar TC de coluna cervical e aguardar o resultado é uma conduta passiva que atrasa o tratamento. A TC é útil para avaliar alterações ósseas, como fraturas, mas não é o exame ideal para avaliar compressão medular por tecidos moles (hérnia de disco, tumor, hematoma). A RM é o exame de escolha, mas mesmo ela não deve atrasar o início da corticoterapia. A conduta imediata é terapêutica, não diagnóstica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Realizar punção lombar para investigação infecciosa é contraindicado na suspeita de lesão expansiva medular, pois a retirada de líquido cefalorraquidiano pode causar herniação das tonsilas cerebelares e piora neurológica grave. Além disso, o quadro clínico (hiperreflexia, Babinski, retenção urinária) é mais sugestivo de compressão medular do que de infecção, e a ausência de febre reforça essa hipótese.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Iniciar corticoterapia endovenosa em alta dose é a conduta imediata mais adequada na suspeita de mielopatia cervical compressiva aguda. Os corticosteroides reduzem o edema e a inflamação medular, prevenindo danos neurológicos secundários. Essa medida deve ser iniciada o quanto antes, mesmo antes da confirmação etiológica, e é uma ponte até a decisão cirúrgica definitiva.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Solicitar eletroneuromiografia (ENMG) para diferenciar neuropatia é um exame que avalia a função dos nervos periféricos e músculos, mas tem papel secundário na avaliação de radiculopatia cervical e não é útil na suspeita de mielopatia aguda. Além disso, é um exame demorado e não deve ser realizado em uma emergência neurológica. A ENMG seria mais indicada para diferenciar neuropatias periféricas, mas não é a conduta imediata.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Iniciar levodopa, pela suspeita de doença extrapiramidal, é um erro grave. A doença de Parkinson se manifesta com bradicinesia, rigidez, tremor de repouso e instabilidade postural, não com fraqueza ascendente, hiperreflexia e sinal de Babinski. O quadro descrito é de lesão do neurônio motor superior (mielopatia), não de disfunção extrapiramidal. A levodopa não tem indicação neste caso e atrasaria o tratamento correto.

Gabarito: letra C — iniciar corticoterapia endovenosa em alta dose é a conduta imediata mais adequada na suspeita de mielopatia cervical compressiva aguda.

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