Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2026
Medicina›Medicina Intensiva
Código
qg684514
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Clínica Médica)
Paciente em UTI, com choque séptico, em uso de noradrenalina, apresenta glicemias persistentemente elevadas (220–260 mg/dL), hipocalemia e acidose metabólica leve. Inicia-se infusão contínua de insulina regular. Nas primeiras horas após o início da insulina, qual é a complicação mais provável e potencialmente grave, que exige monitorização intensiva?
AHipocalemia com risco arrítmico.
BHiperglicemia de rebote.
CHipercalemia aguda.
DHipoglicemia associada à alcalose metabólica.
EAcidose respiratória secundária.
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GabaritoA — Hipocalemia com risco arrítmico.
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Choque séptico e insulinoterapia: o risco da hipocalemia
Gabarito: letra A. Em paciente com choque séptico em uso de noradrenalina, com glicemias elevadas, hipocalemia e acidose metabólica leve, o início de infusão contínua de insulina regular tem como complicação mais provável e potencialmente grave a hipocalemia com risco arrítmico — a insulina promove o deslocamento do potássio para o interior das células, agravando a hipocalemia já presente e predispondo a arritmias ventriculares graves. Essa é a base fisiopatológica que sustenta a alternativa A.
A insulina é um hormônio anabólico que, além de controlar a glicemia, ativa a bomba de sódio-potássio-ATPase (Na⁺/K⁺-ATPase) na membrana celular, promovendo a entrada de potássio nas células. Esse efeito é tão marcante que a insulina é utilizada como tratamento da hipercalemia aguda. No paciente crítico com choque séptico, há frequentemente um déficit corporal total de potássio, mesmo quando o potássio sérico inicial está normal ou elevado, devido à acidose e ao estresse. Quando se inicia a infusão de insulina, o potássio extracelular é rapidamente deslocado para o intracelular, podendo causar hipocalemia grave e arritmias, especialmente em um coração já sensibilizado pelo estresse séptico e pelas catecolaminas.
O contexto clínico do enunciado é crucial: o paciente já apresenta hipocalemia e acidose metabólica leve. A acidose, por si só, tende a deslocar o potássio para o extracelular (em troca com hidrogênio), mascarando a depleção corporal. Ao corrigir a acidose e iniciar a insulina, o potássio retorna para as células, e a hipocalemia latente se manifesta. A monitorização intensiva do potássio sérico é, portanto, essencial nas primeiras horas de insulinoterapia, com reposição agressiva se necessário.
A alternativa A é a única que descreve corretamente essa complicação. As demais alternativas apresentam distúrbios que não são esperados ou que não são a complicação mais provável nesse cenário. A hiperglicemia de rebote (B) pode ocorrer se a infusão de insulina for interrompida abruptamente, mas não é a complicação mais provável nas primeiras horas. A hipercalemia aguda (C) é o oposto do efeito esperado da insulina. A hipoglicemia associada à alcalose metabólica (D) é uma possibilidade, mas a hipocalemia é mais iminente e grave. A acidose respiratória secundária (E) não é uma complicação direta da insulinoterapia.
A pegadinha da banca está em explorar o conhecimento do efeito da insulina sobre o potássio. O candidato pode ser levado a pensar na hipoglicemia como complicação mais comum, mas a questão pede a complicação mais provável e potencialmente grave em um paciente que já é hipocalêmico. A hipocalemia com risco arrítmico é a resposta correta, pois a insulina agrava a hipocalemia de forma rápida e perigosa.
1Ativa Na⁺/K⁺-ATPase
2K⁺ entra na célula
3Hipocalemia agrava
4Risco arrítmico
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A insulina, ao ativar a Na⁺/K⁺-ATPase, promove a entrada de potássio nas células, reduzindo o potássio sérico. Em um paciente com hipocalemia prévia, esse efeito pode levar a hipocalemia grave e arritmias ventriculares (como torsades de pointes e fibrilação ventricular). A monitorização intensiva do potássio e a reposição são essenciais. O contexto de choque séptico e uso de noradrenalina aumenta o risco arrítmico.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A hiperglicemia de rebote pode ocorrer se a infusão de insulina for interrompida abruptamente ou se a dose for insuficiente, mas não é a complicação mais provável nas primeiras horas de infusão contínua. O risco imediato e mais grave é a hipocalemia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A insulina causa hipocalemia, não hipercalemia. A hipercalemia aguda não é esperada com o uso de insulina; pelo contrário, a insulina é usada para tratar hipercalemia. Essa alternativa inverte o efeito da insulina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipoglicemia é uma complicação possível da insulinoterapia, mas não é a mais provável nas primeiras horas em um paciente com glicemia de 220–260 mg/dL. Além disso, a associação com alcalose metabólica não é o mecanismo principal. A hipocalemia é a complicação mais iminente e grave.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A acidose respiratória é causada por hipoventilação, não pela insulinoterapia. A insulina não tem efeito direto sobre a ventilação ou a PaCO₂. Essa alternativa não se relaciona com o mecanismo de ação da insulina.
Gabarito: letra A — a complicação mais provável e potencialmente grave é a hipocalemia com risco arrítmico, devido ao efeito da insulina de deslocar o potássio para o intracelular.