Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg684540
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Ecocardiografia)
Em relação à insuficiência da valva aórtica, analise as assertivas a seguir:I. Os planos paraesternal longitudinal e transverso são úteis e podem permitir a identificação da origem exata do jato regurgitante, assim como avaliar sua largura e área seccional transversa.II. Doenças da raiz da aorta não determinam insuficiência da valva aórtica.III. A ausência de fluxo reverso na aorta abdominal caracteriza insuficiência aórtica importante.IV. A estimativa da gravidade da insuficiência valvar aórtica pela aferição do volume e da fração regurgitantes não é realizada pela relação entre o fluxo sistólico através da valva aórtica e o fluxo diastólico medido na valva mitral.Quais estão corretas?
AApenas I.
BApenas I e IV.
CApenas II e III.
DApenas I, III e IV.
EApenas II, III e IV.
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GabaritoA — Apenas I.
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Insuficiência da valva aórtica: diagnóstico e quantificação
Gabarito: letra A — apenas a assertiva I está correta. A insuficiência aórtica (IAo) é uma valvopatia em que há refluxo diastólico de sangue da aorta para o ventrículo esquerdo, e sua avaliação ecocardiográfica envolve a identificação do jato regurgitante, a análise da raiz da aorta e a quantificação da regurgitação por métodos diretos e indiretos. As assertivas II, III e IV contêm erros conceituais que as tornam incorretas.
A insuficiência aórtica pode ser causada por anormalidades da própria valva (bicúspide, endocardite, doença reumática) ou por doenças da raiz da aorta (dilatação idiopática, síndrome de Marfan, dissecção, aortite). Portanto, a assertiva II, que nega essa relação, está errada. Na avaliação ecocardiográfica, a gravidade da IAo é estimada por múltiplos parâmetros, incluindo a presença de fluxo reverso na aorta abdominal — sua ausência sugere regurgitação leve, não importante. Além disso, a quantificação pelo volume regurgitante pode ser feita pela diferença entre o fluxo sistólico através da valva aórtica e o fluxo diastólico na valva mitral, método que a assertiva IV nega incorretamente.
A ecocardiografia é o exame de escolha para avaliar a presença, o mecanismo e a gravidade da IAo, tanto na forma aguda quanto na crônica. Os planos paraesternal longitudinal e transverso são fundamentais para visualizar o jato regurgitante, sua origem, largura e área seccional transversa, permitindo uma avaliação semiquantitativa da regurgitação. A avaliação integrada de parâmetros qualitativos, semiquantitativos e quantitativos é essencial para classificar a gravidade da lesão.
Na prática clínica, a quantificação da IAo envolve a medida do volume regurgitante e da fração regurgitante, que podem ser obtidos por métodos como a diferença entre o volume sistólico do ventrículo esquerdo e o volume sistólico através da valva aórtica, ou pela relação entre os fluxos aórtico e mitral. A presença de fluxo reverso holodiastólico na aorta abdominal é um marcador de IAo moderada a importante, enquanto sua ausência sugere regurgitação leve.
A banca explora a confusão entre os métodos de quantificação e os achados que indicam gravidade. É importante lembrar que a IAo importante apresenta fluxo reverso na aorta abdominal, e que a quantificação pelo método volumétrico utiliza a relação entre os fluxos aórtico e mitral. A assertiva I está correta ao descrever a utilidade dos planos paraesternal longitudinal e transverso na avaliação do jato regurgitante.
Insuficiência aórtica (IAo)
1Causas
Valvares (bicúspide, endocardite, reumática)
Raiz da aorta (Marfan, dissecção, aortite)
2Avaliação ecocardiográfica
Planos paraesternal longitudinal e transverso
Origem do jato regurgitante
Largura e área seccional
Fluxo reverso na aorta abdominal
Presente → IAo moderada a importante
Ausente → IAo leve
3Quantificação
Método volumétrico
Diferença entre fluxo aórtico e fluxo mitral
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Assertiva I — ✅ Correta
A assertiva I está correta. Os planos paraesternal longitudinal e transverso são essenciais na avaliação ecocardiográfica da IAo, permitindo identificar a origem do jato regurgitante, sua largura e área seccional transversa. Esses parâmetros são utilizados na avaliação semiquantitativa da gravidade da regurgitação, conforme as diretrizes de ecocardiografia.
Assertiva II — ❌ Incorreta
A assertiva II está incorreta. Doenças da raiz da aorta são causas importantes de insuficiência aórtica. A dilatação da raiz aórtica, por exemplo, pode levar à separação das cúspides valvares e consequente regurgitação. Entre as causas estão a ectasia anuloaórtica, a síndrome de Marfan, a dissecção aórtica e a aortite. A tabela de causas da IAo crônica inclui explicitamente as anormalidades da raiz da aorta como mecanismo etiológico.
Assertiva III — ❌ Incorreta
A assertiva III está incorreta. A ausência de fluxo reverso na aorta abdominal caracteriza IAo leve, não importante. Na IAo moderada a importante, há fluxo reverso holodiastólico na aorta abdominal, que é um sinal de regurgitação significativa. A presença de fluxo reverso é um parâmetro semiquantitativo de gravidade.
Assertiva IV — ❌ Incorreta
A assertiva IV está incorreta. A estimativa da gravidade da IAo pela aferição do volume e da fração regurgitantes PODE ser realizada pela relação entre o fluxo sistólico através da valva aórtica e o fluxo diastólico medido na valva mitral. Esse método, conhecido como método volumétrico, calcula o volume regurgitante pela diferença entre o fluxo aórtico e o fluxo mitral, sendo uma ferramenta válida na quantificação da regurgitação.
Conclusão: Apenas a assertiva I está correta, portanto o gabarito é a letra A.