Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg684543
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Ecocardiografia)
Em relação ao strain bidimensional, analise as assertivas abaixo:I. As medidas de deformação miocárdica têm sido utilizadas para a análise da sincronia interventricular, com resultados que permitem prever a resposta ao ressincronizador e orientar o melhor local de implante dos eletrodos.II. O strain longitudinal tem sido a técnica com maior pesquisa e com resultados mais robustos para a identificação de pacientes com maior taxa de resposta ao ressincronizador.III. O strain radial apresenta dificuldades em decorrênciada da baixa reprodutibilidade e disponibilidade do software nos ecocardiógrafos.IV. Nos estudos destacam-se a análise do strain radial obtido por meio das imagens de eixo curto no plano valvar mitral e dos músculos papilares e o strain longitudinal, obtido nos planos apicais.Quais estão corretas?
AApenas I e II.
BApenas I e III.
CApenas II e IV.
DApenas I, III e IV.
EI, II, III e IV.
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GabaritoE — I, II, III e IV.
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Strain bidimensional na terapia de ressincronização cardíaca
Gabarito: letra E — todas as assertivas (I, II, III e IV) estão corretas. O strain bidimensional (2D) é uma técnica ecocardiográfica que mede a deformação miocárdica em diferentes direções (longitudinal, radial e circunferencial) e tem papel crescente na avaliação da sincronia ventricular, na predição de resposta à terapia de ressincronização cardíaca (TRC) e na orientação do implante dos eletrodos. A questão cobra exatamente esse conhecimento, e todas as afirmativas refletem o estado da arte da técnica.
O strain bidimensional, também chamado de speckle tracking (rastreamento de manchas acústicas), é uma ferramenta que permite quantificar a deformação do miocárdio em três direções principais: longitudinal (encurtamento no eixo longo), radial (espessamento na direção perpendicular à parede) e circunferencial (encurtamento ao redor da cavidade). Diferentemente do Doppler tecidual, que mede velocidades e é limitado pelo ângulo de insonação, o strain por speckle tracking é relativamente independente do ângulo, o que o torna mais reprodutível e aplicável a todos os segmentos miocárdicos.
Na prática clínica, o strain longitudinal global (GLS) do ventrículo esquerdo é o parâmetro mais estudado e validado, com forte correlação prognóstica em diversas cardiopatias, incluindo insuficiência cardíaca. Na TRC, o GLS tem sido utilizado para identificar pacientes com maior probabilidade de resposta ao dispositivo, pois reflete a função miocárdica de forma mais sensível que a fração de ejeção. O strain radial, por sua vez, é obtido em cortes de eixo curto e avalia o espessamento segmentar, sendo útil na detecção de dissincronia, embora apresente limitações técnicas, como menor reprodutibilidade e dependência da qualidade da imagem e do software disponível.
A análise da sincronia interventricular e intraventricular por meio do strain é um dos pilares da avaliação pré-TRC. Estudos demonstram que a presença de atraso na ativação mecânica, identificada pelo retardo temporal do pico de strain entre segmentos, pode prever a resposta ao ressincronizador e orientar o melhor local de implante do eletrodo ventricular esquerdo, geralmente na região de maior atraso mecânico. Essa abordagem personalizada tem o potencial de melhorar as taxas de resposta, que historicamente giram em torno de 60-70% com os critérios tradicionais de seleção (duração do QRS e morfologia de bloqueio de ramo esquerdo).
A assertiva III menciona que o strain radial apresenta dificuldades devido à baixa reprodutibilidade e disponibilidade do software. Isso é verdadeiro: embora o strain radial seja útil na avaliação da dissincronia, sua reprodutibilidade é inferior à do strain longitudinal, e nem todos os ecocardiógrafos possuem o software específico para essa análise. A assertiva IV, por sua vez, destaca os planos de aquisição corretos: o strain radial é obtido nas imagens de eixo curto (no plano valvar mitral e dos músculos papilares), enquanto o strain longitudinal é obtido nos planos apicais (4 câmaras, 2 câmaras e 3 câmaras). Essas são as janelas ecocardiográficas padrão para cada tipo de deformação.
A pegadinha desta questão é que todas as afirmativas são verdadeiras, o que pode levar o candidato a desconfiar e marcar uma alternativa que exclui alguma delas. A banca testa o conhecimento detalhado da técnica, incluindo suas limitações (assertiva III) e os planos de aquisição (assertiva IV), que são pontos menos óbvios. O candidato que conhece apenas o básico do strain longitudinal pode achar que a assertiva III é falsa, mas ela é correta: o strain radial realmente tem menor reprodutibilidade e depende de software específico.
Item
Conteúdo da assertiva
Análise
I
Deformação miocárdica para sincronia interventricular, prever resposta ao ressincronizador e orientar local de implante dos eletrodos
✅ Correto
II
Strain longitudinal é a técnica com mais pesquisa e resultados robustos para predizer resposta ao ressincronizador
✅ Correto
III
Strain radial tem dificuldades por baixa reprodutibilidade e dependência de software específico
✅ Correto
IV
Strain radial obtido em eixo curto (plano valvar mitral e músculos papilares); strain longitudinal em planos apicais
✅ Correto
Strain bidimensional (2D): Direções de deformação (Longitudinal (GLS), Radial, Circunferencial); Aplicações na TRC (Prediz resposta ao ressincronizador, Orienta local do eletrodo); Planos de aquisição (Radial: eixo curto (mitral e papilares), Longitudinal: planos apicais); Limitações (Radial: baixa reprodutibilidade, Depende de software específico)
Item I — ✅ Correto
A assertiva está correta. As medidas de deformação miocárdica, incluindo o strain longitudinal e radial, são utilizadas para avaliar a sincronia interventricular e intraventricular. Estudos mostram que a análise do atraso mecânico por strain pode prever a resposta à TRC e orientar o melhor local de implante dos eletrodos, geralmente na região de maior atraso mecânico. Essa é uma aplicação clínica bem estabelecida da técnica.
Item II — ✅ Correto
A assertiva está correta. O strain longitudinal global (GLS) é a técnica com maior volume de pesquisa e resultados mais robustos para identificar pacientes com maior taxa de resposta à TRC. O GLS reflete a função miocárdica de forma sensível e tem sido validado em múltiplos estudos como preditor de resposta, superando outros parâmetros ecocardiográficos convencionais.
Item III — ✅ Correto
A assertiva está correta. O strain radial apresenta limitações técnicas, incluindo menor reprodutibilidade em comparação ao strain longitudinal e dependência da disponibilidade de software específico nos ecocardiógrafos. Essas limitações dificultam sua aplicação clínica rotineira, embora seja útil na avaliação da dissincronia em centros especializados.
Item IV — ✅ Correto
A assertiva está correta. Os planos de aquisição descritos são os corretos: o strain radial é obtido nas imagens de eixo curto, nos níveis do plano valvar mitral e dos músculos papilares, enquanto o strain longitudinal é obtido nos planos apicais (4, 2 e 3 câmaras). Essas são as janelas ecocardiográficas padrão para cada tipo de deformação miocárdica.
Conclusão: Todos os itens (I, II, III e IV) estão corretos, portanto a alternativa correta é a letra E.