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Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2026

MedicinaHematologia
Código
qg684557
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Hematologia e Hemoterapia - Transplante de Medula Óssea)
Em relação ao suporte nutricional em TMO, assinale a alternativa correta.
  1. AO uso de dieta enteral por sonda melhora os resultados do TMO mieloablativo.
  2. BO suplemento de zinco, magnésio e cálcio é importante apenas na fase aguda, sendo prescindível nas fases tardias.
  3. CAs exigências nutricionais para ablativo e não mieloablativo são as mesmas.
  4. DA nutrição parenteral total é indicada sempre antes da nutrição enteral.
  5. EO TMO autólogo não indica uso da nutrição enteral, apenas o alogênico com mucosite.
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GabaritoA — O uso de dieta enteral por sonda melhora os resultados do TMO mieloablativo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Suporte nutricional no transplante de medula óssea (TMO)

Gabarito: letra A. A dieta enteral por sonda melhora os resultados do TMO mieloablativo, pois preserva a integridade da mucosa intestinal, reduz a translocação bacteriana e a incidência de complicações infecciosas, além de ser a via preferencial sempre que o trato gastrointestinal estiver funcionante — princípio geral da terapia nutricional ("se o intestino funciona, use-o"). As demais alternativas erram ao restringir suplementos apenas à fase aguda, igualar exigências entre regimes distintos, inverter a hierarquia parenteral/enteral ou limitar a nutrição enteral a um único tipo de TMO.

O suporte nutricional no TMO é parte essencial do cuidado, pois o condicionamento mieloablativo (quimioterapia em altas doses, com ou sem radioterapia) gera intenso catabolismo, mucosite, náuseas, vômitos, diarreia e imunossupressão profunda. O objetivo é manter o estado nutricional, minimizar a perda de massa magra e reduzir complicações. A via enteral é sempre a primeira escolha quando o trato gastrointestinal está íntegro e funcionante, porque mantém o trofismo da mucosa, estimula a imunidade local e é mais fisiológica e econômica que a parenteral. A nutrição parenteral total fica reservada para contraindicações absolutas ao uso do TGI — como íleo paralítico prolongado, obstrução intestinal, fístulas de alto débito ou vômitos incoercíveis — ou quando a via enteral não atinge as metas nutricionais. Essa hierarquia (enteral > parenteral) é um princípio universal da dietoterapia, válido também no paciente crítico e no oncológico.

No TMO mieloablativo, a mucosite oral e esofágica é frequente e pode dificultar a alimentação oral, mas a sonda nasoenteral (ou gastrostomia) contorna essa barreira e permite oferta enteral precoce. Estudos mostram que a nutrição enteral precoce nesses pacientes está associada a menor taxa de infecções, menor tempo de internação e melhor sobrevida — exatamente o que a alternativa A afirma. Já no TMO não mieloablativo (condicionamento de intensidade reduzida), o paciente costuma tolerar dieta oral, mas as necessidades nutricionais também são elevadas e o acompanhamento é igualmente importante — não se pode dizer que as exigências são as mesmas, pois o grau de agressão ao organismo difere.

Quanto aos micronutrientes, zinco, magnésio e cálcio são importantes em todas as fases do TMO: na fase aguda, pela depleção e estresse oxidativo; nas fases tardias, pela recuperação imunológica, formação óssea e prevenção de deficiências. Não há fundamento para restringi-los apenas à fase aguda. E o TMO autólogo também se beneficia da nutrição enteral quando há indicação — a via não é exclusiva do alogênico com mucosite; a decisão depende da tolerância e da função gastrointestinal, não do tipo de transplante.

A pegadinha central desta questão é a hierarquia das vias de alimentação: a banca tenta inverter a lógica ao afirmar que a parenteral é sempre indicada antes da enteral. Na prática clínica, a regra é exatamente o oposto — a enteral é preferida; a parenteral é exceção. Guarde esse princípio: via enteral sempre que possível; parenteral apenas quando o TGI não pode ser usado ou é insuficiente.

Suporte nutricional no TMO
  • 1Hierarquia das vias
    • Enteral (1ª escolha)
      • TGI funcionante
      • Preserva mucosa
      • Reduz translocação bacteriana
    • Parenteral (exceção)
      • Íleo paralítico
      • Obstrução intestinal
      • Fístula de alto débito
  • 2TMO mieloablativo
    • Enteral precoce melhora desfechos
    • Exigências nutricionais maiores
  • 3TMO não mieloablativo
    • Tolerância à dieta oral
    • Exigências menores
  • 4Micronutrientes (Zn, Mg, Ca)
    • Importantes em todas as fases
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A dieta enteral por sonda, quando o trato gastrointestinal está funcionante, melhora os resultados do TMO mieloablativo. Isso ocorre porque a via enteral preserva a barreira intestinal, reduz a translocação bacteriana (menos infecções), mantém o trofismo da mucosa e é mais fisiológica. Estudos demonstram menor morbidade infecciosa e melhor evolução clínica com nutrição enteral precoce nesses pacientes. É a alternativa que reflete a prática baseada em evidências e o princípio geral de preferir o TGI.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O suplemento de zinco, magnésio e cálcio é importante em todas as fases do TMO, não apenas na fase aguda. Na fase aguda, há depleção por perdas gastrointestinais e estresse metabólico; nas fases tardias, são essenciais para a recuperação imunológica, consolidação óssea (especialmente com uso de corticoides) e reposição de estoques. A afirmação de que são "prescindíveis nas fases tardias" é falsa — a monitorização e a suplementação devem continuar conforme a avaliação nutricional individualizada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

As exigências nutricionais não são as mesmas entre TMO ablativo e não mieloablativo. O condicionamento mieloablativo é muito mais agressivo, causa maior catabolismo, mucosite grave e imunossupressão profunda, exigindo maior aporte calórico-proteico e suporte nutricional mais intensivo. No não mieloablativo, o paciente costuma tolerar dieta oral e as necessidades são menores, embora ainda elevadas. Igualar os dois regimes é um erro conceitual.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A nutrição parenteral total não é indicada sempre antes da enteral — é exatamente o contrário. A via enteral é a primeira escolha sempre que o TGI está funcionante; a parenteral é reservada para contraindicações absolutas (íleo paralítico, obstrução, fístulas de alto débito) ou quando a enteral não atinge as metas. Essa inversão é a pegadinha clássica da banca: a hierarquia correta é enteral > parenteral.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O TMO autólogo também pode indicar nutrição enteral, quando o paciente não consegue ingerir alimentos por via oral (mucosite, disfagia, anorexia) e o TGI está funcionante. A via enteral não é exclusiva do TMO alogênico com mucosite; a indicação depende da tolerância e da função gastrointestinal, não do tipo de transplante. Tanto no autólogo quanto no alogênico, a enteral é preferida à parenteral sempre que possível.

Gabarito: letra A

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