Médico (Hematologia e Hemoterapia - Transplante de Medula Óssea)
Em relação ao suporte nutricional em TMO, assinale a alternativa correta.
AO uso de dieta enteral por sonda melhora os resultados do TMO mieloablativo.
BO suplemento de zinco, magnésio e cálcio é importante apenas na fase aguda, sendo prescindível nas fases tardias.
CAs exigências nutricionais para ablativo e não mieloablativo são as mesmas.
DA nutrição parenteral total é indicada sempre antes da nutrição enteral.
EO TMO autólogo não indica uso da nutrição enteral, apenas o alogênico com mucosite.
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GabaritoA — O uso de dieta enteral por sonda melhora os resultados do TMO mieloablativo.
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Suporte nutricional no transplante de medula óssea (TMO)
Gabarito: letra A. A dieta enteral por sonda melhora os resultados do TMO mieloablativo, pois preserva a integridade da mucosa intestinal, reduz a translocação bacteriana e a incidência de complicações infecciosas, além de ser a via preferencial sempre que o trato gastrointestinal estiver funcionante — princípio geral da terapia nutricional ("se o intestino funciona, use-o"). As demais alternativas erram ao restringir suplementos apenas à fase aguda, igualar exigências entre regimes distintos, inverter a hierarquia parenteral/enteral ou limitar a nutrição enteral a um único tipo de TMO.
O suporte nutricional no TMO é parte essencial do cuidado, pois o condicionamento mieloablativo (quimioterapia em altas doses, com ou sem radioterapia) gera intenso catabolismo, mucosite, náuseas, vômitos, diarreia e imunossupressão profunda. O objetivo é manter o estado nutricional, minimizar a perda de massa magra e reduzir complicações. A via enteral é sempre a primeira escolha quando o trato gastrointestinal está íntegro e funcionante, porque mantém o trofismo da mucosa, estimula a imunidade local e é mais fisiológica e econômica que a parenteral. A nutrição parenteral total fica reservada para contraindicações absolutas ao uso do TGI — como íleo paralítico prolongado, obstrução intestinal, fístulas de alto débito ou vômitos incoercíveis — ou quando a via enteral não atinge as metas nutricionais. Essa hierarquia (enteral > parenteral) é um princípio universal da dietoterapia, válido também no paciente crítico e no oncológico.
No TMO mieloablativo, a mucosite oral e esofágica é frequente e pode dificultar a alimentação oral, mas a sonda nasoenteral (ou gastrostomia) contorna essa barreira e permite oferta enteral precoce. Estudos mostram que a nutrição enteral precoce nesses pacientes está associada a menor taxa de infecções, menor tempo de internação e melhor sobrevida — exatamente o que a alternativa A afirma. Já no TMO não mieloablativo (condicionamento de intensidade reduzida), o paciente costuma tolerar dieta oral, mas as necessidades nutricionais também são elevadas e o acompanhamento é igualmente importante — não se pode dizer que as exigências são as mesmas, pois o grau de agressão ao organismo difere.
Quanto aos micronutrientes, zinco, magnésio e cálcio são importantes em todas as fases do TMO: na fase aguda, pela depleção e estresse oxidativo; nas fases tardias, pela recuperação imunológica, formação óssea e prevenção de deficiências. Não há fundamento para restringi-los apenas à fase aguda. E o TMO autólogo também se beneficia da nutrição enteral quando há indicação — a via não é exclusiva do alogênico com mucosite; a decisão depende da tolerância e da função gastrointestinal, não do tipo de transplante.
A pegadinha central desta questão é a hierarquia das vias de alimentação: a banca tenta inverter a lógica ao afirmar que a parenteral é sempre indicada antes da enteral. Na prática clínica, a regra é exatamente o oposto — a enteral é preferida; a parenteral é exceção. Guarde esse princípio: via enteral sempre que possível; parenteral apenas quando o TGI não pode ser usado ou é insuficiente.
Suporte nutricional no TMO
1Hierarquia das vias
Enteral (1ª escolha)
TGI funcionante
Preserva mucosa
Reduz translocação bacteriana
Parenteral (exceção)
Íleo paralítico
Obstrução intestinal
Fístula de alto débito
2TMO mieloablativo
Enteral precoce melhora desfechos
Exigências nutricionais maiores
3TMO não mieloablativo
Tolerância à dieta oral
Exigências menores
4Micronutrientes (Zn, Mg, Ca)
Importantes em todas as fases
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dieta enteral por sonda, quando o trato gastrointestinal está funcionante, melhora os resultados do TMO mieloablativo. Isso ocorre porque a via enteral preserva a barreira intestinal, reduz a translocação bacteriana (menos infecções), mantém o trofismo da mucosa e é mais fisiológica. Estudos demonstram menor morbidade infecciosa e melhor evolução clínica com nutrição enteral precoce nesses pacientes. É a alternativa que reflete a prática baseada em evidências e o princípio geral de preferir o TGI.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O suplemento de zinco, magnésio e cálcio é importante em todas as fases do TMO, não apenas na fase aguda. Na fase aguda, há depleção por perdas gastrointestinais e estresse metabólico; nas fases tardias, são essenciais para a recuperação imunológica, consolidação óssea (especialmente com uso de corticoides) e reposição de estoques. A afirmação de que são "prescindíveis nas fases tardias" é falsa — a monitorização e a suplementação devem continuar conforme a avaliação nutricional individualizada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
As exigências nutricionais não são as mesmas entre TMO ablativo e não mieloablativo. O condicionamento mieloablativo é muito mais agressivo, causa maior catabolismo, mucosite grave e imunossupressão profunda, exigindo maior aporte calórico-proteico e suporte nutricional mais intensivo. No não mieloablativo, o paciente costuma tolerar dieta oral e as necessidades são menores, embora ainda elevadas. Igualar os dois regimes é um erro conceitual.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A nutrição parenteral total não é indicada sempre antes da enteral — é exatamente o contrário. A via enteral é a primeira escolha sempre que o TGI está funcionante; a parenteral é reservada para contraindicações absolutas (íleo paralítico, obstrução, fístulas de alto débito) ou quando a enteral não atinge as metas. Essa inversão é a pegadinha clássica da banca: a hierarquia correta é enteral > parenteral.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O TMO autólogo também pode indicar nutrição enteral, quando o paciente não consegue ingerir alimentos por via oral (mucosite, disfagia, anorexia) e o TGI está funcionante. A via enteral não é exclusiva do TMO alogênico com mucosite; a indicação depende da tolerância e da função gastrointestinal, não do tipo de transplante. Tanto no autólogo quanto no alogênico, a enteral é preferida à parenteral sempre que possível.