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Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2026

MedicinaHematologia
Código
qg684564
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Hematologia e Hemoterapia - Transplante de Medula Óssea)
Em relação à DECH crônica, assinale a alternativa INCORRETA.
  1. AEstá associada ao uso de células-tronco periféricas.
  2. BApresenta plaquetopenia como um dos sinais associados ao diagnóstico e à gravidade.
  3. CEstá associada a uma maior taxa de resposta em pacientes com doenças de alto risco de recidiva.
  4. DOcorre, em geral, após os 3 meses de transplante.
  5. EQuando ocorre após a DECH aguda, tem prognóstico melhor.
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GabaritoE — Quando ocorre após a DECH aguda, tem prognóstico melhor.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doença do Enxerto contra o Hospedeiro (DECH) crônica

Gabarito: letra E — a alternativa incorreta é a que afirma que a DECH crônica, quando ocorre após a DECH aguda, tem prognóstico melhor. Na verdade, a DECH crônica que se desenvolve a partir de uma DECH aguda prévia (forma progressiva) está associada a pior prognóstico, maior morbidade e menor resposta ao tratamento, ao contrário do que afirma a assertiva. As demais alternativas (A, B, C e D) estão corretas e descrevem características reconhecidas da DECH crônica.

A DECH crônica é uma complicação tardia e imunologicamente mediada do transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH), caracterizada por manifestações que mimetizam doenças autoimunes, como esclerodermia, síndrome de Sjögren, colestase hepática e bronquiolite obliterante. Diferentemente da forma aguda, que classicamente acomete pele, fígado e trato gastrointestinal, a forma crônica pode afetar praticamente qualquer órgão, com espectro clínico amplo e heterogêneo. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na presença de manifestações características, e o tratamento de primeira linha é feito com corticosteroides sistêmicos, frequentemente associados a inibidores de calcineurina.

A patogênese da DECH crônica envolve uma complexa interação entre células T alorreativas do doador, células B, células dendríticas e citocinas pró-inflamatórias, resultando em dano tecidual e fibrose. Fatores de risco bem estabelecidos incluem: história prévia de DECH aguda, incompatibilidade HLA, idade avançada do doador e do receptor, uso de células-tronco de sangue periférico (em vez de medula óssea) e sexo feminino do doador para receptor masculino. A incidência tem aumentado nas últimas décadas, em parte devido ao uso crescente de transplantes com condicionamento de intensidade reduzida e de doadores alternativos.

A classificação temporal da DECH crônica é um ponto crucial e frequentemente cobrado em provas. Historicamente, considerava-se DECH crônica aquela que ocorria após 100 dias do transplante. No entanto, com o advento de regimes de condicionamento menos intensivos e de estratégias de depleção de linfócitos, essa fronteira temporal tornou-se menos rígida. Atualmente, a classificação mais aceita (consenso NIH) baseia-se nas características clínicas e não apenas no tempo: a DECH crônica pode se manifestar precocemente (antes de 100 dias) e a DECH aguda pode ocorrer tardiamente (após 100 dias). Apesar disso, a alternativa D, que afirma que a DECH crônica ocorre "em geral, após os 3 meses de transplante", está correta, pois reflete a apresentação clássica e mais comum.

A relação entre DECH aguda e crônica é um dos aspectos mais importantes para o prognóstico. A DECH crônica pode ser classificada em três formas clínicas, de acordo com sua apresentação: (1) progressiva — quando se desenvolve diretamente a partir de uma DECH aguda ativa, sem intervalo livre de doença; (2) quiescente — quando surge após a resolução completa da DECH aguda, com um período de ausência de sintomas; e (3) de novo — quando ocorre sem DECH aguda prévia. A forma progressiva é a que apresenta pior prognóstico, com menor resposta ao tratamento e maior morbimortalidade, enquanto a forma de novo tende a ter melhor evolução. É exatamente essa distinção que a alternativa E inverte, ao afirmar que a DECH crônica após DECH aguda tem prognóstico melhor — o correto é o oposto.

A plaquetopenia, mencionada na alternativa B, é um achado laboratorial relevante na DECH crônica e está associada a maior gravidade da doença. A contagem de plaquetas inferior a 100.000/mm³ é um dos critérios utilizados para classificar a DECH crônica como grave, juntamente com outras manifestações como envolvimento pulmonar, hepático e gastrointestinal. A plaquetopenia reflete a disfunção da medula óssea e a destruição periférica de plaquetas mediada por mecanismos imunológicos, contribuindo para o risco de sangramento e piorando o prognóstico.

A alternativa C, que afirma que a DECH crônica está associada a uma maior taxa de resposta em pacientes com doenças de alto risco de recidiva, pode parecer contraintuitiva à primeira vista, mas está correta. Isso ocorre porque a DECH crônica está associada a um efeito enxerto-versus-leucemia (GVL) mais potente, ou seja, as células imunológicas do doador não apenas atacam os tecidos do receptor (causando a DECH), mas também eliminam células malignas residuais, reduzindo o risco de recidiva da doença de base. Esse efeito é particularmente importante em doenças hematológicas de alto risco, como leucemia mieloide aguda em remissão incompleta ou síndromes mielodisplásicas de alto risco, onde a recidiva é a principal causa de falha do transplante. Portanto, a presença de DECH crônica, embora seja uma complicação grave, confere um benefício em termos de controle da doença de base.

A alternativa A, que associa a DECH crônica ao uso de células-tronco periféricas, também está correta. O transplante de células-tronco do sangue periférico, mobilizadas com fator de crescimento de granulócitos (G-CSF), é um fator de risco bem estabelecido para o desenvolvimento de DECH crônica, em comparação com o transplante de medula óssea. Isso se deve à maior quantidade de linfócitos T maduros presentes no produto de aférese, que aumentam a alorreatividade e a probabilidade de DECH. Estudos randomizados demonstraram maior incidência de DECH crônica em pacientes que receberam células-tronco periféricas, embora com menor risco de recidiva, o que reforça a associação entre DECH e efeito GVL.

A pegadinha central desta questão está na inversão do prognóstico da DECH crônica quando precedida por DECH aguda. O candidato que memoriza que "DECH crônica tem prognóstico melhor que DECH aguda" pode ser induzido a marcar a alternativa E como correta, sem perceber que a comparação correta é entre as formas de DECH crônica (progressiva vs. quiescente vs. de novo). A forma progressiva, que surge a partir de DECH aguda ativa, é a de pior prognóstico, enquanto a forma de novo tende a ser mais branda. Portanto, a alternativa E está incorreta ao afirmar que a DECH crônica após DECH aguda tem prognóstico melhor.

Alternativa A — ✅ Correta

A associação entre DECH crônica e uso de células-tronco periféricas é um fato bem documentado na literatura. O transplante de células-tronco do sangue periférico, mobilizadas com G-CSF, contém maior número de linfócitos T maduros em comparação com a medula óssea, o que aumenta o risco de DECH, tanto aguda quanto crônica. Estudos clínicos randomizados, como o estudo BMT CTN 0201, demonstraram maior incidência de DECH crônica no grupo que recebeu células-tronco periféricas. Portanto, a afirmativa está correta.

Alternativa B — ✅ Correta

A plaquetopenia é um dos sinais associados ao diagnóstico e à gravidade da DECH crônica. A contagem de plaquetas inferior a 100.000/mm³ é um critério de gravidade na classificação do NIH, e sua presença está associada a pior prognóstico e maior morbidade. A plaquetopenia pode resultar de mecanismos imunológicos, como destruição periférica de plaquetas por anticorpos ou disfunção da medula óssea. Portanto, a afirmativa está correta.

Alternativa C — ✅ Correta

A DECH crônica está associada a um efeito enxerto-versus-leucemia (GVL) mais potente, que reduz o risco de recidiva da doença de base. Em pacientes com doenças de alto risco de recidiva, como leucemia aguda em remissão incompleta ou síndromes mielodisplásicas de alto risco, a presença de DECH crônica confere uma maior taxa de resposta e melhor controle da doença, apesar da morbidade associada. Portanto, a afirmativa está correta.

Alternativa D — ✅ Correta

A DECH crônica ocorre, em geral, após os 3 meses (100 dias) do transplante, embora possa se manifestar mais precocemente em alguns casos, especialmente com regimes de condicionamento de intensidade reduzida. A apresentação clássica é tardia, e a alternativa reflete o conhecimento tradicional e ainda válido na prática clínica. Portanto, a afirmativa está correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta ⟵ GABARITO

A afirmativa está incorreta porque inverte o prognóstico da DECH crônica quando precedida por DECH aguda. A forma progressiva de DECH crônica, que se desenvolve a partir de DECH aguda ativa, tem pior prognóstico, com menor resposta ao tratamento e maior morbimortalidade. A forma de novo, que ocorre sem DECH aguda prévia, tende a ter melhor evolução. Portanto, a DECH crônica após DECH aguda não tem prognóstico melhor, mas sim pior.

Gabarito: letra E — a única alternativa incorreta, pois inverte a relação prognóstica entre DECH crônica e DECH aguda prévia.

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