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Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2026

MedicinaHematologia
Código
qg684569
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Hematologia e Hemoterapia - Transplante de Medula Óssea)
Em relação às diferentes fontes de células-tronco hematopoiéticas, assinale a alternativa correta.
  1. ACélulas-tronco do cordão apresentam período de pega mais precoce por possuírem células-tronco jovens.
  2. BCélulas-tronco periféricas estão associadas à maior incidência de doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) crônica.
  3. CCélulas-tronco de medula óssea possuem tempo de pega neutrofílica semelhante ao das células-tronco oriundas de sangue periférico.
  4. DCélulas-tronco de cordão garantem incidência baixa de infecções, pois estão associadas à pega neutrofílica precoce e eficiente.
  5. ENão se utilizam células-tronco periféricas para leucemias de alto risco de recidiva devido ao risco de DECH aguda.
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GabaritoB — Células-tronco periféricas estão associadas à maior incidência de doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) crônica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fontes de células-tronco hematopoiéticas no transplante

Gabarito: letra B. As células-tronco periféricas (mobilizadas com fator de crescimento) estão associadas a maior incidência de doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) crônica, enquanto as de medula óssea e de cordão umbilical têm perfil distinto — é exatamente essa associação que a alternativa correta espelha. O conhecimento aqui é essencialmente clínico-prático de hematologia/transplante de medula óssea, sem dispositivo legal específico a citar.

O transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) pode usar três fontes principais: medula óssea (MO), sangue periférico (SP) e sangue de cordão umbilical e placentário (SCUP). Cada fonte tem características próprias de cinética de pega (tempo para neutrófilos e plaquetas se recuperarem), risco de DECH e risco de recidiva da doença de base. Compreender essas diferenças é o que permite escolher a melhor fonte para cada paciente.

A medula óssea é a fonte clássica, obtida por punção aspirativa da crista ilíaca sob anestesia. Tem pega neutrofílica em torno de 14 a 21 dias, com incidência intermediária de DECH aguda e crônica. O sangue periférico é mobilizado com fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF) e coletado por aférese; a pega é mais rápida (cerca de 10 a 14 dias), mas há maior risco de DECH crônica, pois o produto contém maior número de linfócitos T maduros. O cordão umbilical tem células mais jovens e imaturas, o que reduz a incidência e a gravidade da DECH, mas a pega é mais lenta (podendo levar 21 a 35 dias ou mais), aumentando o risco de infecções no período de aplasia.

Na prática, um exemplo concreto: um paciente com leucemia mieloide aguda de alto risco recebe transplante alogênico de sangue periférico de doador aparentado. A pega neutrofílica ocorre por volta do dia +12, mais rápida que a medula óssea, mas o paciente desenvolve DECH crônica extensa após o primeiro ano — exatamente o padrão esperado para essa fonte. Já um paciente que recebe cordão umbilical terá pega mais tardia, porém menor risco de DECH, à custa de maior janela de risco infeccioso.

A distinção que importa é entre velocidade de pega e risco de DECH: fontes com células mais maduras (sangue periférico) pegam mais rápido, mas causam mais DECH crônica; fontes com células mais imaturas (cordão) pegam mais devagar, mas causam menos DECH. A medula óssea fica em posição intermediária. É essa lógica que separa as alternativas corretas das incorretas.

A pegadinha que a banca explora é inverter essa relação: afirmar que cordão tem pega precoce (quando é tardia) ou que sangue periférico tem menor risco de DECH (quando tem maior risco de DECH crônica). Guarde o par fonte × cinética de pega × risco de DECH: é nele que as alternativas se dividem.

Fonte de Células-Tronco

Pega Neutrofílica

Risco de DECH Aguda

Risco de DECH Crônica

Risco de Infecções

Risco de Recidiva

Medula Óssea

Intermediária (14–21 dias)

Intermediário

Intermediário

Intermediário

Intermediário

Sangue Periférico

Rápida (10–14 dias)

Intermediário

Alto

Menor (pega rápida)

Menor (efeito enxerto vs. leucemia)

Cordão Umbilical

Tardia (21–35+ dias)

Baixo

Baixo

Alto (aplasia prolongada)

Variável

1Medula óssea
Pega neutrofílica: 14–21 dias
DECH: intermediária
2Sangue periférico (G-CSF)
Pega neutrofílica: 10–14 dias
DECH crônica: maior
Recidiva: menor
3Cordão umbilical
Pega neutrofílica: 21–35 dias
DECH: menor
Infecções: maior risco
Fontes de células-tronco hematopoiéticas
LEVELsoulevel.com.br
Fontes de células-tronco hematopoiéticas: Medula óssea (Pega neutrofílica: 14–21 dias, DECH: intermediária); Sangue periférico (G-CSF) (Pega neutrofílica: 10–14 dias, DECH crônica: maior, Recidiva: menor); Cordão umbilical (Pega neutrofílica: 21–35 dias, DECH: menor, Infecções: maior risco)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que células-tronco do cordão têm período de pega mais precoce por serem jovens. É exatamente o contrário: células do cordão são imaturas e têm pega mais tardia (neutrófilos em 21 a 35 dias ou mais), não mais precoce. A imaturidade celular reduz a DECH, mas atrasa a recuperação medular.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

As células-tronco periféricas mobilizadas com G-CSF contêm maior número de linfócitos T maduros, o que está associado a maior incidência de DECH crônica em comparação com medula óssea e cordão. Essa é a associação correta e bem estabelecida na prática do TCTH.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que medula óssea e sangue periférico têm tempo de pega neutrofílica semelhante. Na verdade, o sangue periférico tem pega mais rápida (cerca de 10 a 14 dias) que a medula óssea (cerca de 14 a 21 dias). A diferença é clinicamente relevante e influencia a escolha da fonte.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que cordão garante baixa incidência de infecções por ter pega neutrofílica precoce e eficiente. O cordão tem pega tardia, não precoce, e justamente por isso o período de aplasia é prolongado, aumentando o risco de infecções — não diminuindo. A baixa incidência de DECH não se traduz em baixa incidência de infecções.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que não se usam células-tronco periféricas em leucemias de alto risco de recidiva por risco de DECH aguda. Isso é falso: o sangue periférico é amplamente utilizado em leucemias de alto risco, inclusive por associar-se a menor risco de recidiva (efeito enxerto versus leucemia mais potente). O risco de DECH aguda não é maior que o da medula óssea de forma consistente; o que aumenta é a DECH crônica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte a relação entre maturidade celular e cinética de pega. O candidato que raciocina "células jovens pegam mais rápido" cai na alternativa A, mas o correto é o oposto: células imaturas do cordão pegam mais devagar. E na alternativa E, a banca troca o risco de DECH crônica (que é maior no sangue periférico) por DECH aguda — um near-miss clássico. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪

PEGA ESSA DICA!

Monte uma tabela mental comparando as três fontes — pega neutrofílica, risco de DECH aguda, risco de DECH crônica e risco de recidiva. O sangue periférico é o campeão de pega rápida e DECH crônica; o cordão é o oposto (pega lenta, pouca DECH); a medula óssea fica no meio. Essa tabela resolve qualquer questão sobre o tema.

Gabarito: letra B

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