Médico (Hematologia e Hemoterapia - Transplante de Medula Óssea)
Em relação às diferentes fontes de células-tronco hematopoiéticas, assinale a alternativa correta.
ACélulas-tronco do cordão apresentam período de pega mais precoce por possuírem células-tronco jovens.
BCélulas-tronco periféricas estão associadas à maior incidência de doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) crônica.
CCélulas-tronco de medula óssea possuem tempo de pega neutrofílica semelhante ao das células-tronco oriundas de sangue periférico.
DCélulas-tronco de cordão garantem incidência baixa de infecções, pois estão associadas à pega neutrofílica precoce e eficiente.
ENão se utilizam células-tronco periféricas para leucemias de alto risco de recidiva devido ao risco de DECH aguda.
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GabaritoB — Células-tronco periféricas estão associadas à maior incidência de doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) crônica.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Fontes de células-tronco hematopoiéticas no transplante
Gabarito: letra B. As células-tronco periféricas (mobilizadas com fator de crescimento) estão associadas a maior incidência de doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) crônica, enquanto as de medula óssea e de cordão umbilical têm perfil distinto — é exatamente essa associação que a alternativa correta espelha. O conhecimento aqui é essencialmente clínico-prático de hematologia/transplante de medula óssea, sem dispositivo legal específico a citar.
O transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH) pode usar três fontes principais: medula óssea (MO), sangue periférico (SP) e sangue de cordão umbilical e placentário (SCUP). Cada fonte tem características próprias de cinética de pega (tempo para neutrófilos e plaquetas se recuperarem), risco de DECH e risco de recidiva da doença de base. Compreender essas diferenças é o que permite escolher a melhor fonte para cada paciente.
A medula óssea é a fonte clássica, obtida por punção aspirativa da crista ilíaca sob anestesia. Tem pega neutrofílica em torno de 14 a 21 dias, com incidência intermediária de DECH aguda e crônica. O sangue periférico é mobilizado com fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF) e coletado por aférese; a pega é mais rápida (cerca de 10 a 14 dias), mas há maior risco de DECH crônica, pois o produto contém maior número de linfócitos T maduros. O cordão umbilical tem células mais jovens e imaturas, o que reduz a incidência e a gravidade da DECH, mas a pega é mais lenta (podendo levar 21 a 35 dias ou mais), aumentando o risco de infecções no período de aplasia.
Na prática, um exemplo concreto: um paciente com leucemia mieloide aguda de alto risco recebe transplante alogênico de sangue periférico de doador aparentado. A pega neutrofílica ocorre por volta do dia +12, mais rápida que a medula óssea, mas o paciente desenvolve DECH crônica extensa após o primeiro ano — exatamente o padrão esperado para essa fonte. Já um paciente que recebe cordão umbilical terá pega mais tardia, porém menor risco de DECH, à custa de maior janela de risco infeccioso.
A distinção que importa é entre velocidade de pega e risco de DECH: fontes com células mais maduras (sangue periférico) pegam mais rápido, mas causam mais DECH crônica; fontes com células mais imaturas (cordão) pegam mais devagar, mas causam menos DECH. A medula óssea fica em posição intermediária. É essa lógica que separa as alternativas corretas das incorretas.
A pegadinha que a banca explora é inverter essa relação: afirmar que cordão tem pega precoce (quando é tardia) ou que sangue periférico tem menor risco de DECH (quando tem maior risco de DECH crônica). Guarde o par fonte × cinética de pega × risco de DECH: é nele que as alternativas se dividem.
Afirma que células-tronco do cordão têm período de pega mais precoce por serem jovens. É exatamente o contrário: células do cordão são imaturas e têm pega mais tardia (neutrófilos em 21 a 35 dias ou mais), não mais precoce. A imaturidade celular reduz a DECH, mas atrasa a recuperação medular.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As células-tronco periféricas mobilizadas com G-CSF contêm maior número de linfócitos T maduros, o que está associado a maior incidência de DECH crônica em comparação com medula óssea e cordão. Essa é a associação correta e bem estabelecida na prática do TCTH.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que medula óssea e sangue periférico têm tempo de pega neutrofílica semelhante. Na verdade, o sangue periférico tem pega mais rápida (cerca de 10 a 14 dias) que a medula óssea (cerca de 14 a 21 dias). A diferença é clinicamente relevante e influencia a escolha da fonte.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que cordão garante baixa incidência de infecções por ter pega neutrofílica precoce e eficiente. O cordão tem pega tardia, não precoce, e justamente por isso o período de aplasia é prolongado, aumentando o risco de infecções — não diminuindo. A baixa incidência de DECH não se traduz em baixa incidência de infecções.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que não se usam células-tronco periféricas em leucemias de alto risco de recidiva por risco de DECH aguda. Isso é falso: o sangue periférico é amplamente utilizado em leucemias de alto risco, inclusive por associar-se a menor risco de recidiva (efeito enxerto versus leucemia mais potente). O risco de DECH aguda não é maior que o da medula óssea de forma consistente; o que aumenta é a DECH crônica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte a relação entre maturidade celular e cinética de pega. O candidato que raciocina "células jovens pegam mais rápido" cai na alternativa A, mas o correto é o oposto: células imaturas do cordão pegam mais devagar. E na alternativa E, a banca troca o risco de DECH crônica (que é maior no sangue periférico) por DECH aguda — um near-miss clássico. Com treino, você enxerga essas inversões de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Monte uma tabela mental comparando as três fontes — pega neutrofílica, risco de DECH aguda, risco de DECH crônica e risco de recidiva. O sangue periférico é o campeão de pega rápida e DECH crônica; o cordão é o oposto (pega lenta, pouca DECH); a medula óssea fica no meio. Essa tabela resolve qualquer questão sobre o tema.