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Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2026

MedicinaHematologia
Código
qg684570
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Hematologia e Hemoterapia - Transplante de Medula Óssea)
O transplante alogênico de medula óssea está indicado como primeira escolha em:
  1. AMieloma múltiplo.
  2. BNeuroblastoma infantil.
  3. CLinfoma não Hodgkin após primeira recidiva.
  4. DLeucemia mielóide aguda.
  5. ESíndrome hipereosinofílica.
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GabaritoD — Leucemia mielóide aguda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transplante alogênico de medula óssea: indicações de primeira linha

Gabarito: letra D. A leucemia mielóide aguda (LMA) é a doença em que o transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas (TCTH) está indicado como primeira escolha, especialmente em pacientes de risco intermediário ou alto, na primeira remissão completa. As demais alternativas representam situações em que o transplante alogênico não é a primeira opção terapêutica, seja por haver outras estratégias iniciais preferenciais, seja por o transplante ser reservado para fases mais avançadas da doença.

O transplante alogênico de medula óssea, também chamado de transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) alogênico, consiste na infusão de células progenitoras hematopoéticas provenientes de um doador — que pode ser aparentado (em geral irmão HLA idêntico), não aparentado ou haploidêntico — após um regime de condicionamento que pode ser mieloablativo ou de intensidade reduzida. O objetivo é substituir a hematopoese doente do receptor por uma hematopoese sadia de origem doadora, o que confere um efeito curativo em diversas doenças hematológicas, tanto malignas quanto não malignas. A grande vantagem do transplante alogênico sobre o autólogo é o efeito enxerto versus leucemia (EVL), pelo qual as células imunológicas do doador reconhecem e eliminam células neoplásicas residuais do receptor.

A indicação do TCTH alogênico como primeira linha de tratamento depende fundamentalmente da doença de base e do risco de recaída. Nas leucemias agudas, o transplante é oferecido precocemente quando o risco de recidiva com a quimioterapia convencional é alto. Na LMA, por exemplo, pacientes com citogenética desfavorável, leucemia secundária ou doença residual mensurável (DRM) positiva após a indução são candidatos ao transplante alogênico na primeira remissão completa, pois a quimioterapia isolada não é suficiente para curar a doença nesses subgrupos. Já na leucemia linfóide aguda (LLA), o transplante alogênico é indicado na primeira remissão para pacientes de alto risco, como aqueles com DRM positiva, enquanto pacientes de baixo risco, especialmente crianças, são tratados apenas com quimioterapia, reservando o transplante para a recidiva.

É importante distinguir as situações em que o transplante alogênico é a primeira escolha daquelas em que outras modalidades terapêuticas são preferenciais. No mieloma múltiplo, por exemplo, o transplante autólogo de células-tronco é o padrão de cuidado para pacientes elegíveis, sendo o transplante alogênico uma opção experimental ou reservada para casos selecionados. No neuroblastoma infantil, o transplante autólogo é utilizado em protocolos de alta dose, enquanto o alogênico não é a primeira escolha. No linfoma não Hodgkin, o transplante autólogo é a opção padrão na primeira recidiva quimiossensível, e o alogênico é considerado em situações específicas, como recidiva após transplante autólogo ou doença de muito alto risco. Na síndrome hipereosinofílica, o transplante alogênico é reservado para casos refratários ou com transformação leucêmica, não sendo a primeira linha.

A banca explora exatamente essa fronteira: o candidato precisa saber que, entre as opções apresentadas, apenas a LMA tem o transplante alogênico como primeira escolha estabelecida. As demais doenças têm outras estratégias iniciais preferenciais, e o transplante alogênico, quando indicado, entra em fases mais avançadas ou em situações específicas. Guarde esse critério: transplante alogênico de primeira linha é regra para leucemias agudas de alto risco (LMA e LLA de alto risco), enquanto nas demais doenças hematológicas malignas ele é reservado para recidiva ou refratariedade.

Doença

Transplante alogênico como 1ª escolha?

Tratamento inicial preferencial

Leucemia mielóide aguda (LMA)

✅ Sim (risco intermediário/alto, 1ª remissão completa)

TCTH alogênico

Mieloma múltiplo

❌ Não

Transplante autólogo (para elegíveis)

Neuroblastoma infantil

❌ Não

Transplante autólogo (protocolos de alta dose)

Linfoma não Hodgkin (1ª recidiva)

❌ Não

Quimioterapia de resgate + transplante autólogo

Síndrome hipereosinofílica

❌ Não

Corticosteroides, imatinibe ou terapias-alvo

Alternativa A — ❌ Incorreta

O mieloma múltiplo tem como primeira linha de tratamento, para pacientes elegíveis, o transplante autólogo de células-tronco, precedido de quimioterapia de indução. O transplante alogênico não é a primeira escolha nessa doença, sendo considerado apenas em situações experimentais ou em casos muito selecionados, devido à alta toxicidade e à mortalidade relacionada ao procedimento. A confusão aqui é trocar o transplante autólogo (padrão no mieloma) pelo alogênico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

No neuroblastoma infantil, o transplante de células-tronco utilizado em protocolos de alta dose é o autólogo, após quimioterapia de indução e cirurgia. O transplante alogênico não é a primeira escolha nessa doença, sendo reservado para situações de recidiva ou refratariedade, sem evidência robusta de benefício na primeira linha.

Alternativa C — ❌ Incorreta

No linfoma não Hodgkin, a primeira recidiva quimiossensível é tratada com quimioterapia de resgate seguida de transplante autólogo de células-tronco, que é o padrão de cuidado. O transplante alogênico é considerado em situações específicas, como recidiva após transplante autólogo, doença refratária ou subtipos de muito alto risco, mas não é a primeira escolha na primeira recidiva.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A leucemia mielóide aguda (LMA) é a doença em que o transplante alogênico de células-tronco hematopoéticas está indicado como primeira escolha, especialmente em pacientes com risco intermediário ou alto, na primeira remissão completa. A quimioterapia convencional não é curativa nesses subgrupos, e o transplante alogênico oferece a melhor chance de cura, devido ao efeito enxerto versus leucemia. Pacientes com citogenética desfavorável, leucemia secundária ou doença residual mensurável positiva são os principais candidatos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome hipereosinofílica é tratada inicialmente com corticosteroides, imatinibe (em casos com rearranjo PDGFRA) ou outras terapias-alvo. O transplante alogênico é reservado para casos refratários, com transformação leucêmica ou com doença avançada, não sendo a primeira escolha.

Gabarito: letra D — a leucemia mielóide aguda é a única entre as opções em que o transplante alogênico de medula óssea é a primeira escolha terapêutica.

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