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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg684573
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista)
A oclusão coronariana após implante transcateter de válvula aórtica (TAVI) em válvula aórtica nativa é uma complicação rara, porém associada à elevada mortalidade. A adequada avaliação anatômica por tomografia cardíaca é fundamental para estratificação de risco e planejamento do procedimento. Com base nesse contexto, assinale a alternativa correta.
  1. AAltura baixa do óstio da coronária esquerda, seios de Valsalva pequenos e cúspides valvares volumosamente calcificadas constituem importantes fatores anatômicos de risco para oclusão coronariana.
  2. BA oclusão coronariana ocorre mais frequentemente na artéria coronária direita, especialmente quando sua altura é inferior a 12 mm.
  3. CO principal mecanismo de oclusão coronariana está relacionado à embolização de cálcio valvar distal durante a expansão da prótese.
  4. DA incidência dessa complicação é maior com válvulas autoexpansíveis, independentemente da anatomia do seio de Valsalva ou da altura coronariana.
  5. ESexo masculino, seios de Valsalva amplos e altura coronariana esquerda inferior a 12 mm estão associados a maior risco de oclusão coronariana após TAVI.
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GabaritoA — Altura baixa do óstio da coronária esquerda, seios de Valsalva pequenos e cúspides valvares volumosamente calcificadas constituem importantes fatores anatômicos de risco para oclusão coronariana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Oclusão coronariana após TAVI: fatores anatômicos de risco

Gabarito: letra A. A oclusão coronariana após implante transcateter de válvula aórtica (TAVI) é uma complicação rara, porém grave, e os principais fatores anatômicos de risco identificados na tomografia cardíaca pré-procedimento são: altura baixa do óstio coronariano, seios de Valsalva pequenos e cúspides valvares volumosamente calcificadas. A alternativa A descreve exatamente esses três fatores, sendo a única correta.

A oclusão coronariana é uma complicação temida do TAVI, pois resulta em isquemia miocárdica aguda e colapso hemodinâmico, com mortalidade extremamente elevada. O mecanismo fisiopatológico central não é a embolização distal de cálcio, mas sim o deslocamento das cúspides nativas calcificadas da valva aórtica em direção ao óstio coronariano durante a expansão da prótese. Quando a cúspide nativa é empurrada contra a parede da aorta, ela pode obstruir mecanicamente a entrada da artéria coronária, especialmente se o óstio estiver em posição baixa e o seio de Valsalva for pequeno, oferecendo pouco espaço para o deslocamento da cúspide.

A avaliação por tomografia computadorizada cardíaca é fundamental no planejamento do TAVI, pois permite medir com precisão a altura dos óstios coronarianos em relação ao anel aórtico, o diâmetro dos seios de Valsalva e o grau de calcificação das cúspides. Esses três parâmetros anatômicos são os principais preditores de risco de oclusão coronariana. A altura coronariana é medida do plano do anel aórtico até a borda inferior do óstio coronariano; valores baixos, geralmente inferiores a 12 mm, aumentam o risco. Seios de Valsalva pequenos reduzem o espaço disponível para o deslocamento das cúspides nativas. Cúspides volumosamente calcificadas, especialmente com calcificação em massa, têm maior probabilidade de serem deslocadas em direção ao óstio.

É importante distinguir a oclusão coronariana de outras complicações do TAVI. A embolização de cálcio valvar distal é um mecanismo de acidente vascular cerebral (AVC) e de infarto do miocárdio por embolia, mas não é o mecanismo principal da oclusão coronariana aguda, que é por deslocamento mecânico das cúspides. A incidência de oclusão coronariana é maior com válvulas balão-expansíveis em comparação com as autoexpansíveis, pois as primeiras tendem a deslocar mais o tecido nativo. Além disso, a artéria coronária esquerda é mais frequentemente acometida que a direita, devido à sua posição anatômica e à maior proximidade com o anel aórtico.

A alternativa E menciona sexo masculino como fator de risco, mas os estudos não demonstram associação consistente entre sexo e oclusão coronariana. O que importa é a anatomia: altura coronariana baixa, seios de Valsalva pequenos e calcificação volumosa. A alternativa B erra ao afirmar que a oclusão ocorre mais frequentemente na coronária direita — na verdade, a esquerda é a mais acometida. A alternativa C erra ao atribuir o mecanismo à embolização distal de cálcio, quando o mecanismo principal é o deslocamento das cúspides. A alternativa D erra ao afirmar que a incidência é maior com válvulas autoexpansíveis, quando o oposto é verdadeiro.

Guarde a tríade de risco anatômico — altura coronariana baixa, seio de Valsalva pequeno e cúspide calcificada — e o mecanismo de deslocamento das cúspides: é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

Fator anatômico

Risco para oclusão coronariana

Mecanismo

Altura do óstio coronariano

Baixa (< 12 mm)

Cúspide deslocada obstrui óstio próximo ao anel

Seios de Valsalva

Pequenos

Pouco espaço para deslocamento da cúspide nativa

Calcificação das cúspides

Volumosa

Deslocamento mecânico da cúspide em direção ao óstio

Oclusão coronariana pós-TAVI
  • 1Fatores de risco anatômicos
    • Altura baixa do óstio coronariano
    • Seios de Valsalva pequenos
    • Cúspides volumosamente calcificadas
  • 2Mecanismo
    • Deslocamento das cúspides nativas
    • Obstrução mecânica do óstio
  • 3Características
    • Mais comum na coronária esquerda
    • Maior com balão-expansíveis
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente os três principais fatores anatômicos de risco para oclusão coronariana após TAVI: altura baixa do óstio da coronária esquerda, seios de Valsalva pequenos e cúspides valvares volumosamente calcificadas. Esses fatores são identificados na tomografia cardíaca pré-procedimento e estão associados a maior risco de deslocamento das cúspides nativas em direção ao óstio coronariano durante a expansão da prótese.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A oclusão coronariana ocorre mais frequentemente na artéria coronária esquerda, não na direita. A coronária esquerda tem origem mais baixa e mais próxima do anel aórtico, o que a torna mais vulnerável ao deslocamento das cúspides. A altura inferior a 12 mm é um fator de risco, mas o erro está na artéria acometida.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O principal mecanismo de oclusão coronariana não é a embolização distal de cálcio, mas sim o deslocamento mecânico das cúspides nativas calcificadas em direção ao óstio coronariano durante a expansão da prótese. A embolização de cálcio é um mecanismo de AVC e infarto embólico, não de oclusão coronariana aguda.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A incidência de oclusão coronariana é maior com válvulas balão-expansíveis, não autoexpansíveis. As válvulas balão-expansíveis tendem a deslocar mais o tecido nativo calcificado, aumentando o risco de obstrução coronariana. Além disso, a anatomia do seio de Valsalva e a altura coronariana são fatores determinantes, independentemente do tipo de válvula.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O sexo masculino não é um fator de risco estabelecido para oclusão coronariana após TAVI. Os fatores de risco são anatômicos: altura coronariana baixa, seios de Valsalva pequenos e calcificação volumosa. A alternativa erra ao incluir sexo masculino e seios de Valsalva amplos como fatores de risco, quando o correto é o oposto para os seios de Valsalva.

Gabarito: letra A

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