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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg684594
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista)
Um paciente idoso, 75 anos, aposentado, portador de hiperuricemia e hipertensão, foi levado ao pronto-socorro após um episódio de síncope enquanto cuidava do jardim de casa, após longo período em jejum, sob o sol escaldante. Foi realizada angiotomografia de artérias coronárias que não mostrou lesões coronarianas obstrutivas, mas evidenciou a seguinte anomalia coronariana de origem e trajeto, na Figura 1 abaixo:Captura_de tela 2026-03-26 150913.png 460×437A partir do diagnóstico obtido após a realização do exame complementar, qual é a conduta inicial mais indicada para o caso?
  1. AAngioplastia com stent da artéria coronária direita.
  2. BCirurgia de revascularização miocárdica.
  3. CRestrição definitiva de atividade física.
  4. DAcompanhamento clínico, sem intervenção.
  5. EAngioplastia com balão farmacológico da artéria coronária direita.
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GabaritoD — Acompanhamento clínico, sem intervenção.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Anomalia coronariana de origem e trajeto: conduta inicial

Gabarito: letra D. A angiotomografia evidenciou uma anomalia coronariana de origem e trajeto, sem lesões obstrutivas — o que caracteriza uma condição anatômica, não uma doença aterosclerótica. A conduta inicial mais indicada é o acompanhamento clínico, sem intervenção, pois não há indicação de revascularização (percutânea ou cirúrgica) na ausência de obstrução significativa ou isquemia documentada.

As anomalias coronarianas de origem e trajeto são variações anatômicas congênitas em que uma artéria coronária nasce de um seio aórtico diferente do habitual ou segue um trajeto anômalo (por exemplo, entre a aorta e o tronco pulmonar). A maioria é assintomática e benigna, sendo um achado incidental em exames de imagem. O risco de eventos isquêmicos ou morte súbita está associado principalmente a trajetos interarteriais (entre aorta e artéria pulmonar), especialmente quando há origem do seio coronariano contralateral e curso intramural. No entanto, a decisão de intervir depende da presença de sintomas, isquemia documentada ou anatomia de alto risco — não da simples presença da anomalia.

No caso apresentado, o paciente teve síncope, mas o contexto clínico (jejum prolongado, exposição ao sol, idoso) sugere fortemente uma causa vasovagal ou ortostática, e não um evento isquêmico. A angiotomografia não mostrou lesões obstrutivas, o que afasta doença aterosclerótica significativa. A conduta inicial, portanto, é o acompanhamento clínico, com orientação sobre fatores de risco (controle da hipertensão e da hiperuricemia) e investigação da síncope por outras causas. A restrição definitiva de atividade física não se justifica sem evidência de isquemia ou anatomia de alto risco. Intervenções como angioplastia ou cirurgia de revascularização são reservadas para casos com obstrução significativa, isquemia documentada ou anomalia de alto risco — nenhuma dessas condições está presente.

A distinção crucial é entre anomalia anatômica (achado de imagem) e doença obstrutiva (que causa isquemia). A presença de uma anomalia de origem e trajeto, por si só, não é indicação de revascularização. A decisão de intervir baseia-se em sintomas atribuíveis à anomalia, isquemia em teste funcional ou anatomia de alto risco (trajeto interarterial com origem contralateral). No paciente assintomático ou com sintomas de outra etiologia, o acompanhamento clínico é a conduta padrão.

A banca explora a confusão entre achar que toda anomalia coronariana exige intervenção. O candidato pode ser tentado a escolher uma opção de revascularização, mas a ausência de lesão obstrutiva e a provável etiologia não cardíaca da síncope tornam o acompanhamento clínico a conduta correta. A palavra-chave é "sem lesões coronarianas obstrutivas" — isso afasta a indicação de angioplastia ou cirurgia.

Anomalia coronariana de origem e trajeto
  • 1Condição anatômica (achado de imagem)
  • 2Sem lesão obstrutiva
  • 3Maioria assintomática e benigna
  • 4Risco: trajeto interarterial
    • Origem contralateral
    • Curso intramural
  • 5Indicação de intervir
    • Sintomas atribuíveis
    • Isquemia documentada
    • Anatomia de alto risco
  • 6Conduta inicial
    • Acompanhamento clínico
    • Revascularização (sem obstrução/isquemia)
    • Restrição definitiva de atividade física
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A angioplastia com stent da artéria coronária direita é indicada para lesões obstrutivas significativas que causam isquemia ou sintomas. No caso, a angiotomografia não mostrou lesões obstrutivas, portanto não há alvo para a intervenção. A simples presença de uma anomalia de origem e trajeto não é indicação de stent.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cirurgia de revascularização miocárdica é reservada para doença obstrutiva significativa (tronco de coronária esquerda, doença multiarterial com disfunção ventricular, etc.) ou anomalia de alto risco com isquemia documentada. Nenhuma dessas condições está presente no caso — não há obstrução e não há evidência de isquemia. A cirurgia seria um overtreatment.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A restrição definitiva de atividade física não é indicada sem evidência de isquemia ou anatomia de alto risco. A maioria das anomalias coronarianas é benigna e não impõe limitação de atividades. A conduta seria orientar atividade física regular, como parte do controle de fatores de risco cardiovascular, e não restringi-la.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O acompanhamento clínico, sem intervenção, é a conduta inicial mais indicada. A angiotomografia não mostrou lesões obstrutivas, e a anomalia de origem e trajeto, por si só, não é indicação de revascularização. A síncope provavelmente tem causa não cardíaca (vasovagal, ortostática), e o manejo deve focar na investigação dessa causa e no controle dos fatores de risco (hipertensão, hiperuricemia). A conduta é seguimento clínico com cardiologista, com orientações sobre sinais de alarme.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A angioplastia com balão farmacológico da artéria coronária direita é uma técnica de intervenção percutânea para lesões obstrutivas. Sem obstrução significativa, não há indicação. Além disso, o balão farmacológico é usado em situações específicas (reestenose intrastent, por exemplo), não em anomalias anatômicas.

Gabarito: letra D — acompanhamento clínico, sem intervenção, pois não há lesão obstrutiva nem indicação de revascularização.

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