Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Epidemiologia
Código
qg684622
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina da Família e Comunidade)
Em uma Unidade de Saúde da Família, um teste é utilizado para rastreamento de uma doença prevalente na população adscrita. Estudos mostram que esse teste apresenta sensibilidade de 80%. Com base nesse dado, assinale a alternativa que melhor orienta a interpretação clínica na APS.
AO teste é capaz de confirmar o diagnóstico em 80% dos pacientes que apresentam resultado positivo.
BEm indivíduos que não possuem a doença, o teste apresentará resultado negativo em 80% dos casos.
CO teste deve ser preferencialmente utilizado para confirmação diagnóstica em pacientes sintomáticos.
DUm resultado negativo exclui a doença em 80% dos casos.
EEntre os indivíduos que realmente possuem a doença, espera-se que 80% terão resultado positivo no teste.
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GabaritoE — Entre os indivíduos que realmente possuem a doença, espera-se que 80% terão resultado positivo no teste.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Sensibilidade e especificidade de testes diagnósticos na Atenção Primária
Gabarito: letra E. A sensibilidade de um teste é a proporção de indivíduos verdadeiramente doentes que apresentam resultado positivo — ou seja, entre os que realmente possuem a doença, espera-se que 80% tenham teste positivo. As demais alternativas confundem sensibilidade com valor preditivo positivo, especificidade ou valor preditivo negativo, conceitos distintos que a banca explora como armadilha.
A sensibilidade e a especificidade são os dois parâmetros fundamentais que descrevem a acurácia de um teste diagnóstico. A sensibilidade mede a capacidade do teste de identificar corretamente os pacientes que têm a doença — é a taxa de verdadeiros positivos. A especificidade mede a capacidade de identificar corretamente quem não tem a doença — é a taxa de verdadeiros negativos. Nenhum teste atinge 100% em ambos simultaneamente, e essa limitação inerente gera os falsos positivos e falsos negativos.
A fórmula da sensibilidade é VP/(VP+FN), onde VP são os verdadeiros positivos e FN os falsos negativos. Isso significa que, se um teste tem sensibilidade de 80%, de cada 100 pessoas doentes, 80 terão resultado positivo e 20 terão resultado falso-negativo. A especificidade, por sua vez, é calculada por VN/(VN+FP), onde VN são os verdadeiros negativos e FP os falsos positivos.
Na prática clínica da Atenção Primária, esses conceitos orientam a escolha do teste: testes de alta sensibilidade são úteis para rastreamento (para não deixar doentes escapar), enquanto testes de alta especificidade são úteis para confirmação diagnóstica (para evitar tratar quem não tem a doença). No entanto, a sensibilidade isolada não diz nada sobre o valor preditivo positivo — que depende também da prevalência da doença na população testada.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre sensibilidade e valor preditivo. A alternativa A fala em "confirmar o diagnóstico em 80% dos pacientes com resultado positivo" — isso é valor preditivo positivo, não sensibilidade. A alternativa B descreve a especificidade. A alternativa D descreve o valor preditivo negativo. A alternativa C faz uma recomendação clínica que não decorre diretamente do dado de sensibilidade. Somente a alternativa E define corretamente o que é sensibilidade.
Guarde a fronteira entre os quatro conceitos — sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e valor preditivo negativo — pois é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Doentes
Não doentes
Teste negativo
Verdadeiro positivo (VP)
Falso positivo (FP)
Teste positivo
Falso negativo (FN)
Verdadeiro negativo (VN)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Confunde sensibilidade com valor preditivo positivo (VPP). O VPP é a proporção de pacientes com resultado positivo que realmente têm a doença, calculado por VP/(VP+FP). A sensibilidade de 80% não permite afirmar que 80% dos positivos estão doentes — isso depende da prevalência da doença na população. Em doenças de baixa prevalência, mesmo um teste com alta sensibilidade gera muitos falsos positivos, como ilustra o exemplo clássico: com prevalência de 0,5% e especificidade de 80%, cada doente identificado vem acompanhado de aproximadamente 40 alarmes falsos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Descreve a especificidade, não a sensibilidade. A especificidade é a taxa de verdadeiros negativos — a capacidade de o teste dar negativo em quem não tem a doença. O enunciado forneceu apenas a sensibilidade (80%), então não há como afirmar que 80% dos não doentes terão resultado negativo. Esse número seria a especificidade, que não foi informada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Faz uma recomendação clínica que não decorre do dado de sensibilidade. Testes de alta sensibilidade são preferíveis para rastreamento (triagem), pois minimizam os falsos negativos — o objetivo é não deixar doentes escapar. Para confirmação diagnóstica em pacientes sintomáticos, o ideal é um teste de alta especificidade, que minimize os falsos positivos. A sensibilidade de 80% é moderada e não sustenta a recomendação de uso preferencial para confirmação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Confunde sensibilidade com valor preditivo negativo (VPN). O VPN é a proporção de pacientes com resultado negativo que realmente não têm a doença, calculado por VN/(VN+FN). A sensibilidade de 80% não permite afirmar que um resultado negativo exclui a doença em 80% dos casos — isso dependeria da prevalência e da especificidade do teste. Um resultado negativo em um teste de alta sensibilidade reduz a probabilidade de doença, mas não a exclui completamente.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Define corretamente a sensibilidade: entre os indivíduos que realmente possuem a doença, espera-se que 80% terão resultado positivo no teste. Isso corresponde exatamente à fórmula VP/(VP+FN) — a proporção de verdadeiros positivos entre todos os doentes. É a definição canônica de sensibilidade, sem qualquer confusão com outros parâmetros.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca sensibilidade por valor preditivo positivo (alternativa A) e por valor preditivo negativo (alternativa D), além de confundir com especificidade (alternativa B). O candidato que não domina a diferença entre esses quatro conceitos cai facilmente. Lembre-se: sensibilidade e especificidade são propriedades intrínsecas do teste, enquanto os valores preditivos dependem da prevalência da doença na população testada. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte a tabela 2x2 mentalmente: sensibilidade = VP/(VP+FN) — foca nos doentes; especificidade = VN/(VN+FP) — foca nos não doentes; VPP = VP/(VP+FP) — foca nos positivos; VPN = VN/(VN+FN) — foca nos negativos. Na prova, identifique qual grupo está no denominador: se é o grupo de doentes, é sensibilidade; se é o grupo de não doentes, é especificidade; se é o grupo de positivos, é VPP; se é o grupo de negativos, é VPN.