Dengue: aspectos clínicos, epidemiológicos e diagnósticos
Gabarito: letra C. A hepatomegalia maior que 2 cm abaixo do rebordo costal é, de fato, um dos sinais de alarme da dengue, conforme a classificação da OMS adotada pelo Ministério da Saúde. Os sinais de alarme indicam o extravasamento de plasma e/ou hemorragias, que podem levar ao choque grave e ao óbito, sendo fundamentais para a decisão de hospitalização e monitoramento intensivo.
A dengue é uma doença febril aguda, sistêmica e dinâmica, causada por um flavivírus com quatro sorotipos distintos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). A infecção confere imunidade permanente para o sorotipo homólogo e imunidade cruzada transitória para os demais. A doença apresenta um amplo espectro clínico, desde formas oligossintomáticas até quadros graves, com choque, sangramento e comprometimento de órgãos. O reconhecimento precoce dos sinais de alarme é a chave para prevenir a progressão para a forma grave, pois eles sinalizam o início do extravasamento plasmático, que ocorre tipicamente na fase de defervescência da febre, entre o terceiro e o sétimo dia do início dos sintomas.
A classificação de risco da OMS (adotada pelo Brasil desde 2014) divide os casos em dengue sem sinais de alarme (grupo A e B), dengue com sinais de alarme (grupo C) e dengue grave (grupo D). Os sinais de alarme são: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), hipotensão postural e/ou lipotimia, hepatomegalia > 2 cm abaixo do rebordo costal, sangramento de mucosa, letargia e/ou irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. A presença de qualquer um desses sinais indica a necessidade de hospitalização e manejo mais agressivo, com hidratação venosa e monitoramento hemodinâmico rigoroso.
O diagnóstico laboratorial da dengue pode ser feito por diferentes métodos, dependendo do tempo de evolução da doença. Na fase aguda (até o 5º dia de sintomas), os exames de escolha são a pesquisa do antígeno NS1, o isolamento viral e a RT-PCR. O NS1 é positivo do 1º dia antes dos sintomas até o 4º dia de sintomas, com sensibilidade de 50-75% e especificidade maior que 90%. A sorologia (IgM) torna-se reagente a partir do 6º dia de sintomas. É importante destacar que um resultado negativo do NS1 não exclui o diagnóstico, dada a baixa sensibilidade do teste, especialmente se realizado tardiamente.
A banca explora, nesta questão, o conhecimento dos sinais de alarme, dos sorotipos virais, da fase crítica da doença, dos grupos de risco e das limitações dos testes diagnósticos. A alternativa correta é a que descreve corretamente um sinal de alarme, enquanto as demais contêm erros conceituais ou informações incompletas. Vamos analisar cada uma.
Aspecto | Descrição correta | Erro na alternativa |
|---|
Sorotipos virais (A) | Existem quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 | Afirma que são apenas três sorotipos |
Grupo de risco (B) | Crianças < 10 anos (incluindo < 2 anos) têm maior risco de formas graves | Afirma que crianças < 2 anos têm menor risco |
Sinal de alarme (C) | Hepatomegalia > 2 cm abaixo do rebordo costal é sinal de alarme (correto) | — |
Fase crítica (D) | Inicia-se na defervescência da febre (3º–7º dia) | Afirma que inicia simultaneamente ao surgimento da febre |
Diagnóstico (E) | NS1 negativo não exclui dengue (sensibilidade 50–75%) | Afirma que NS1 negativo exclui o diagnóstico |
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o vírus da dengue apresenta três sorotipos (DENV-1, DENV-2 e DENV-3). O erro está no número: existem quatro sorotipos antigenicamente distintos — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. No Brasil, desde 2011, circulam os quatro sorotipos virais. A infecção por um sorotipo confere imunidade permanente para aquele sorotipo e imunidade cruzada transitória para os demais, o que pode aumentar o risco de formas graves em infecções subsequentes por sorotipos diferentes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que crianças com idade inferior a 2 anos apresentam menor risco de evolução para formas graves. Na verdade, a literatura e os manuais do Ministério da Saúde indicam que crianças com idade < 10 anos (incluindo, portanto, as menores de 2 anos) apresentam maior risco de complicações e formas graves da dengue, juntamente com idosos e indivíduos com comorbidades. A banca inverteu o grupo de risco: a população pediátrica jovem é mais vulnerável, não menos.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hepatomegalia maior que 2 cm abaixo do rebordo costal é, de fato, um dos sinais de alarme da dengue, conforme a classificação da OMS adotada pelo Ministério da Saúde. Os sinais de alarme indicam o extravasamento de plasma e/ou hemorragias, que podem levar ao choque grave e ao óbito, sendo fundamentais para a decisão de hospitalização e monitoramento intensivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a fase crítica da dengue inicia-se simultaneamente ao surgimento da febre. O erro está no momento: a fase crítica ocorre na defervescência da febre, ou seja, quando a febre cede, geralmente entre o 3º e o 7º dia do início dos sintomas. É nesse período que pode ocorrer o extravasamento plasmático, levando ao choque. A banca trocou o início da fase crítica para o início da febre, o que é incorreto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que um resultado negativo do teste rápido para NS1, entre o 1º e o 5º dia de sintomas, exclui o diagnóstico de dengue aguda. O erro está na palavra "exclui": o teste NS1 tem sensibilidade de apenas 50-75%, ou seja, um resultado negativo não exclui o diagnóstico, especialmente se o teste for realizado tardiamente no período de 5 dias. A confirmação pode ser feita por outros métodos, como RT-PCR, isolamento viral ou sorologia (IgM) a partir do 6º dia.
Gabarito: letra C