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Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2026

MedicinaEpidemiologia
Código
qg684626
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina da Família e Comunidade)
A dengue é uma arbovirose de notificação compulsória endêmica em mais de 100 países, constituindo importante problema de saúde pública. Sobre os aspectos clínicos, epidemiológicos e diagnósticos dessa doença, assinale a alternativa correta.
  1. AO vírus da dengue apresenta três sorotipos antigenicamente distintos, denominados DENV-1, DENV-2 e DENV-3.
  2. BCrianças com idade inferior a 2 anos apresentam menor risco de evolução para formas graves da dengue quando comparadas à população adulta.
  3. CA presença de hepatomegalia maior que 2 cm abaixo do rebordo costal é considerada um sinal de alarme na dengue.
  4. DA fase crítica da dengue inicia-se simultaneamente ao surgimento da febre, ocorrendo entre o terceiro e o sétimo dia do início dos sintomas.
  5. EUm resultado negativo do teste rápido para antígeno NS1, realizado entre o primeiro e o quinto dia de sintomas, exclui o diagnóstico de dengue aguda.
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GabaritoC — A presença de hepatomegalia maior que 2 cm abaixo do rebordo costal é considerada um sinal de alarme na dengue.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dengue: aspectos clínicos, epidemiológicos e diagnósticos

Gabarito: letra C. A hepatomegalia maior que 2 cm abaixo do rebordo costal é, de fato, um dos sinais de alarme da dengue, conforme a classificação da OMS adotada pelo Ministério da Saúde. Os sinais de alarme indicam o extravasamento de plasma e/ou hemorragias, que podem levar ao choque grave e ao óbito, sendo fundamentais para a decisão de hospitalização e monitoramento intensivo.

A dengue é uma doença febril aguda, sistêmica e dinâmica, causada por um flavivírus com quatro sorotipos distintos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). A infecção confere imunidade permanente para o sorotipo homólogo e imunidade cruzada transitória para os demais. A doença apresenta um amplo espectro clínico, desde formas oligossintomáticas até quadros graves, com choque, sangramento e comprometimento de órgãos. O reconhecimento precoce dos sinais de alarme é a chave para prevenir a progressão para a forma grave, pois eles sinalizam o início do extravasamento plasmático, que ocorre tipicamente na fase de defervescência da febre, entre o terceiro e o sétimo dia do início dos sintomas.

A classificação de risco da OMS (adotada pelo Brasil desde 2014) divide os casos em dengue sem sinais de alarme (grupo A e B), dengue com sinais de alarme (grupo C) e dengue grave (grupo D). Os sinais de alarme são: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico), hipotensão postural e/ou lipotimia, hepatomegalia > 2 cm abaixo do rebordo costal, sangramento de mucosa, letargia e/ou irritabilidade e aumento progressivo do hematócrito. A presença de qualquer um desses sinais indica a necessidade de hospitalização e manejo mais agressivo, com hidratação venosa e monitoramento hemodinâmico rigoroso.

O diagnóstico laboratorial da dengue pode ser feito por diferentes métodos, dependendo do tempo de evolução da doença. Na fase aguda (até o 5º dia de sintomas), os exames de escolha são a pesquisa do antígeno NS1, o isolamento viral e a RT-PCR. O NS1 é positivo do 1º dia antes dos sintomas até o 4º dia de sintomas, com sensibilidade de 50-75% e especificidade maior que 90%. A sorologia (IgM) torna-se reagente a partir do 6º dia de sintomas. É importante destacar que um resultado negativo do NS1 não exclui o diagnóstico, dada a baixa sensibilidade do teste, especialmente se realizado tardiamente.

A banca explora, nesta questão, o conhecimento dos sinais de alarme, dos sorotipos virais, da fase crítica da doença, dos grupos de risco e das limitações dos testes diagnósticos. A alternativa correta é a que descreve corretamente um sinal de alarme, enquanto as demais contêm erros conceituais ou informações incompletas. Vamos analisar cada uma.

Aspecto

Descrição correta

Erro na alternativa

Sorotipos virais (A)

Existem quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4

Afirma que são apenas três sorotipos

Grupo de risco (B)

Crianças < 10 anos (incluindo < 2 anos) têm maior risco de formas graves

Afirma que crianças < 2 anos têm menor risco

Sinal de alarme (C)

Hepatomegalia > 2 cm abaixo do rebordo costal é sinal de alarme (correto)

Fase crítica (D)

Inicia-se na defervescência da febre (3º–7º dia)

Afirma que inicia simultaneamente ao surgimento da febre

Diagnóstico (E)

NS1 negativo não exclui dengue (sensibilidade 50–75%)

Afirma que NS1 negativo exclui o diagnóstico

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o vírus da dengue apresenta três sorotipos (DENV-1, DENV-2 e DENV-3). O erro está no número: existem quatro sorotipos antigenicamente distintos — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. No Brasil, desde 2011, circulam os quatro sorotipos virais. A infecção por um sorotipo confere imunidade permanente para aquele sorotipo e imunidade cruzada transitória para os demais, o que pode aumentar o risco de formas graves em infecções subsequentes por sorotipos diferentes.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que crianças com idade inferior a 2 anos apresentam menor risco de evolução para formas graves. Na verdade, a literatura e os manuais do Ministério da Saúde indicam que crianças com idade < 10 anos (incluindo, portanto, as menores de 2 anos) apresentam maior risco de complicações e formas graves da dengue, juntamente com idosos e indivíduos com comorbidades. A banca inverteu o grupo de risco: a população pediátrica jovem é mais vulnerável, não menos.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A hepatomegalia maior que 2 cm abaixo do rebordo costal é, de fato, um dos sinais de alarme da dengue, conforme a classificação da OMS adotada pelo Ministério da Saúde. Os sinais de alarme indicam o extravasamento de plasma e/ou hemorragias, que podem levar ao choque grave e ao óbito, sendo fundamentais para a decisão de hospitalização e monitoramento intensivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a fase crítica da dengue inicia-se simultaneamente ao surgimento da febre. O erro está no momento: a fase crítica ocorre na defervescência da febre, ou seja, quando a febre cede, geralmente entre o 3º e o 7º dia do início dos sintomas. É nesse período que pode ocorrer o extravasamento plasmático, levando ao choque. A banca trocou o início da fase crítica para o início da febre, o que é incorreto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que um resultado negativo do teste rápido para NS1, entre o 1º e o 5º dia de sintomas, exclui o diagnóstico de dengue aguda. O erro está na palavra "exclui": o teste NS1 tem sensibilidade de apenas 50-75%, ou seja, um resultado negativo não exclui o diagnóstico, especialmente se o teste for realizado tardiamente no período de 5 dias. A confirmação pode ser feita por outros métodos, como RT-PCR, isolamento viral ou sorologia (IgM) a partir do 6º dia.

Gabarito: letra C

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