Questão de Medicina — Médico da Família — FUNDATEC 2026
Medicina›Médico da Família
Código
qg684627
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina da Família e Comunidade)
Homem de 56 anos, acompanhado na UBS, em bom estado geral, sem doença sistêmica aguda ou internações recentes, refere fadiga, sonolência e ganho de peso. Nega uso de medicações. Exames laboratoriais, repetidos e confirmados, mostram: TSH = 1,1 mUI/L (VR: 0,4–4,5 mUI/L) e T4 livre = 0,7 ng/dL (VR: 0,9–1,7 ng/dL). Qual é a interpretação correta do quadro?
AHipotireoidismo primário.
BHipotireoidismo central.
CHipotireoidismo subclínico.
DSíndrome do eutireoidiano doente.
EVariação fisiológica sem relevância clínica.
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GabaritoB — Hipotireoidismo central.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Hipotireoidismo central: TSH baixo ou inapropriadamente normal com T4 livre baixo
Gabarito: letra B. O quadro é de hipotireoidismo central (secundário), pois o TSH está inapropriadamente normal (1,1 mUI/L) diante de um T4 livre baixo (0,7 ng/dL) — ou seja, a hipófise não responde adequadamente à redução do hormônio tireoidiano periférico. No hipotireoidismo primário, o TSH estaria elevado; no subclínico, o T4 livre estaria normal; na síndrome do eutireoidiano doente, o paciente teria doença aguda grave; e a combinação TSH normal + T4 livre baixo não é variação fisiológica.
O eixo hipotálamo-hipófise-tireoide funciona como um sistema de retroalimentação negativa: quando os hormônios tireoidianos (T4 e T3) caem, a hipófise deveria aumentar a secreção de TSH para estimular a tireoide a produzir mais. Quando isso não acontece — o TSH permanece normal ou baixo apesar do T4 livre baixo —, a falha está na hipófise (ou no hipotálamo), caracterizando o hipotireoidismo central. É exatamente o que os exames mostram: TSH = 1,1 mUI/L (dentro da faixa de referência, mas inapropriado para o contexto) e T4 livre = 0,7 ng/dL (abaixo do valor de referência).
O diagnóstico diferencial mais importante é com a síndrome do eutireoidiano doente, que ocorre em pacientes com doença aguda grave e também cursa com T4 livre baixo e TSH normal ou baixo. No entanto, o enunciado afirma expressamente que o paciente está "sem doença sistêmica aguda ou internações recentes", o que afasta essa hipótese. Além disso, a síndrome do eutireoidiano doente é uma condição adaptativa que se normaliza com a resolução da doença de base, não exigindo reposição hormonal.
Na prática clínica, o hipotireoidismo central é uma condição rara (prevalência estimada de 1 em 80.000 a 120.000 indivíduos), geralmente causada por hipopituitarismo — tumores hipofisários, cirurgias, radioterapia, doenças infiltrativas. O tratamento é feito com reposição de levotiroxina, mas o acompanhamento é diferente do hipotireoidismo primário: em vez de monitorar o TSH (que não responde adequadamente), utiliza-se a dosagem de T4 livre como guia para ajuste da dose. Antes de iniciar a reposição, é fundamental excluir insuficiência suprarrenal, pois a correção do hipotireoidismo pode precipitar uma crise suprarrenal.
A pegadinha desta questão está em reconhecer que o TSH "normal" não é sinônimo de função tireoidiana normal — o valor precisa ser interpretado em conjunto com o T4 livre. O candidato que decora apenas "TSH alto = hipotireoidismo primário" erra ao ver TSH normal e pensar em variação fisiológica ou síndrome do eutireoidiano doente. A chave é o conceito de TSH inapropriadamente normal: diante de T4 livre baixo, o TSH deveria estar elevado; se não está, a lesão é central.
Guarde o padrão de interpretação do eixo tireoidiano: TSH alto + T4 livre baixo = primário; TSH baixo/normal + T4 livre baixo = central; TSH alto + T4 livre normal = subclínico; TSH baixo + T4 livre alto = hipertireoidismo. É exatamente essa combinação que separa as alternativas desta questão.
Eixo tireoidiano: TSH alto + T4 livre baixo (Hipotireoidismo primário); TSH baixo/normal + T4 livre baixo (Hipotireoidismo central); TSH alto + T4 livre normal (Hipotireoidismo subclínico); TSH baixo + T4 livre alto (Tireotoxicose); TSH normal/baixo + T4 livre baixo (Eutireoidiano doente (doença aguda))
Alternativa A — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo primário é caracterizado por TSH elevado e T4 livre baixo — a tireoide não responde ao estímulo da hipófise, que aumenta a produção de TSH. No caso, o TSH está normal (1,1 mUI/L), o que afasta a lesão primária da glândula tireoide. A banca explora a associação automática entre "hipotireoidismo" e "TSH alto", mas o TSH normal desmonta essa hipótese.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O hipotireoidismo central (secundário) ocorre quando a hipófise (ou o hipotálamo) não produz TSH suficiente para estimular a tireoide. O diagnóstico é feito pela combinação de T4 livre baixo com TSH baixo ou inapropriadamente normal — exatamente o padrão apresentado (TSH = 1,1 mUI/L, T4 livre = 0,7 ng/dL). O TSH "normal" é inapropriado porque, diante de T4 livre baixo, a hipófise deveria aumentar sua secreção; a ausência dessa resposta aponta para disfunção central.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo subclínico é definido por TSH elevado com T4 livre normal — a tireoide ainda consegue manter os níveis periféricos, mas às custas de um estímulo aumentado. No caso, o T4 livre está baixo (0,7 ng/dL), o que exclui o diagnóstico de subclínico. A banca troca o padrão laboratorial: subclínico tem T4 livre normal, não baixo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A síndrome do eutireoidiano doente (ou síndrome do T3 baixo) ocorre em pacientes com doença aguda grave, internação ou cirurgia de grande porte, cursando com alterações nos hormônios tireoidianos sem doença tireoidiana primária. O enunciado afirma expressamente que o paciente está "sem doença sistêmica aguda ou internações recentes", o que afasta essa hipótese. Além disso, a síndrome é autolimitada e não exige tratamento específico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A combinação de TSH normal com T4 livre baixo não é variação fisiológica — é um padrão laboratorial anormal que indica disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. Em um indivíduo saudável, o T4 livre baixo seria acompanhado de TSH elevado como resposta compensatória. A ausência dessa resposta é o achado patológico que define o hipotireoidismo central.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a leitura isolada do TSH: o candidato vê "TSH normal" e descarta hipotireoidismo, caindo em variação fisiológica ou síndrome do eutireoidiano doente. O erro está em não interpretar o TSH em conjunto com o T4 livre — o TSH é inapropriadamente normal diante de um T4 livre baixo, e é essa combinação que aponta para a lesão central. Na prova, sempre leia os dois valores juntos e pergunte: "o TSH está adequado para o nível de T4 livre?"
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar o padrão do eixo tireoidiano, use a tabela:
Padrão
TSH
T4 livre
Diagnóstico
Primário
Alto
Baixo
Hipotireoidismo primário
Central
Baixo/normal
Baixo
Hipotireoidismo central
Subclínico
Alto
Normal
Hipotireoidismo subclínico
Hipertireoidismo
Baixo
Alto
Tireotoxicose
Eutireoidiano doente
Normal/baixo
Baixo
Doença aguda grave
Decore a combinação TSH + T4 livre, não cada valor isolado — é isso que a banca cobra.