Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg684632
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina da Família e Comunidade)
Uma mulher de 25 anos, em idade reprodutiva, previamente hígida, comparece à consulta ambulatorial solicitando orientação sobre métodos contraceptivos. Considerando os métodos anticoncepcionais disponíveis, assinale a alternativa correta.
AO dispositivo intrauterino (DIU) de cobre apresenta eficácia contraceptiva aproximada de 80%.
BO DIU liberador de levonorgestrel pode ser utilizado como método de contracepção de emergência até 5 dias após a relação sexual desprotegida, devido a seus efeitos pós-fertilização.
COs anticoncepcionais orais combinados são seguros em mulheres com história prévia de trombose venosa profunda, desde que a doença esteja estabilizada.
DA cardiopatia isquêmica, atual ou pregressa, constitui contraindicação ao uso de métodos contraceptivos que contenham estrogênio.
EO implante subdérmico é um método contraceptivo combinado, com liberação contínua de estrogênio e progesterona.
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GabaritoD — A cardiopatia isquêmica, atual ou pregressa, constitui contraindicação ao uso de métodos contraceptivos que contenham estrogênio.
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Anticoncepção: critérios de elegibilidade e métodos disponíveis
Gabarito: letra D. A cardiopatia isquêmica, atual ou pregressa, é contraindicação formal ao uso de métodos contraceptivos combinados que contenham estrogênio, conforme os critérios de elegibilidade da OMS (Categoria 4 — risco inaceitável à saúde). As demais alternativas apresentam erros conceituais: o DIU de cobre tem eficácia superior a 99%, o DIU de levonorgestrel não é método de emergência, anticoncepcionais orais combinados são contraindicados em história de trombose venosa profunda, e o implante subdérmico é método de progestagênio isolado, não combinado.
A contracepção moderna se baseia em dois pilares: a eficácia do método e a segurança individual da usuária. A eficácia é medida pelo índice de Pearl — número de gestações por 100 mulheres-ano de uso — e os métodos de longa duração (LARC), como DIU e implante, apresentam as menores taxas de falha, comparáveis à esterilização cirúrgica. Já a segurança é avaliada pelos Critérios de Elegibilidade da OMS, que classificam cada método em quatro categorias: 1 (sem restrição), 2 (benefícios superam riscos), 3 (riscos geralmente superam benefícios) e 4 (risco inaceitável à saúde). É essa classificação que orienta a prescrição individualizada, e é exatamente nela que a questão se concentra.
O estrogênio é o componente dos contraceptivos hormonais combinados responsável pelo aumento do risco tromboembólico. Por isso, qualquer condição que predisponha a trombose — como cardiopatia isquêmica, história de trombose venosa profunda, acidente vascular cerebral, enxaqueca com aura, tabagismo após 35 anos e hipertensão não controlada — contraindica o uso de métodos combinados (pílula, anel vaginal e adesivo). Nesses casos, a alternativa segura são os métodos de progestagênio isolado (pílula de progestagênio, implante, DIU hormonal e injetável), que não aumentam o risco trombótico de forma relevante.
O DIU de cobre é um dos métodos mais eficazes disponíveis, com taxa de falha inferior a 1% no primeiro ano de uso — muito superior aos 80% citados na alternativa A. Sua eficácia se deve à ação espermicida e à alteração do ambiente endometrial, que impede a fertilização. Além disso, o DIU de cobre é o método de contracepção de emergência mais eficaz, podendo ser inserido em até 5 dias após a relação sexual desprotegida — mas o DIU de levonorgestrel não tem essa indicação, pois seu mecanismo de ação não é eficaz como método de emergência. O implante subdérmico, por sua vez, libera apenas progestagênio (etonogestrel), sendo um método de progestagênio isolado, não combinado.
A pegadinha central desta questão é a confusão entre os dois tipos de DIU e entre os métodos combinados e os de progestagênio isolado. A banca explora o conhecimento superficial do candidato: quem sabe que "DIU é eficaz" pode aceitar os 80% da alternativa A; quem sabe que "DIU pode ser usado em emergência" pode aceitar a alternativa B sem perceber que isso vale apenas para o DIU de cobre; e quem sabe que "implante é um método moderno" pode não perceber que ele não contém estrogênio. A alternativa D, por outro lado, exige conhecimento específico dos critérios de elegibilidade da OMS — e é a única tecnicamente correta.
Guarde a distinção que decide esta questão: métodos combinados (estrogênio + progestagênio) são contraindicados em condições trombogênicas, enquanto métodos de progestagênio isolado são seguros nessas mesmas condições. É exatamente essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.
Método Contraceptivo
Contém Estrogênio?
Indicação como Contracepção de Emergência?
Eficácia (falha no 1º ano)
Contraindicado em Cardiopatia Isquêmica?
DIU de Cobre
Não
Sim (até 5 dias)
< 1% (superior a 99%)
Não
DIU de Levonorgestrel
Não
Não
< 1%
Não
Anticoncepcional Oral Combinado
Sim
Não
~91% (uso típico)
Sim (Categoria 4 OMS)
Implante Subdérmico (Etonogestrel)
Não
Não
< 1%
Não
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o DIU de cobre tem eficácia contraceptiva aproximada de 80%. O erro é numérico e grosseiro: o DIU de cobre é um dos métodos mais eficazes, com taxa de falha inferior a 1% no primeiro ano de uso — eficácia superior a 99%, comparável à laqueadura tubária. O valor de 80% não corresponde a nenhum método contraceptivo moderno; mesmo métodos de eficácia intermediária, como a pílula combinada em uso típico, apresentam eficácia em torno de 91%. A banca provavelmente quis testar se o candidato sabe que o DIU é um método de alta eficácia, não de eficácia mediana.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que o DIU liberador de levonorgestrel pode ser usado como contracepção de emergência até 5 dias após relação sexual desprotegida. Há dois erros: (1) o método de emergência intrauterino é o DIU de cobre, não o DIU hormonal; (2) o mecanismo de ação do DIU de levonorgestrel não é eficaz como método de emergência, pois sua principal ação é o espessamento do muco cervical e a atrofia endometrial, que não impedem a fertilização de forma confiável. O DIU de cobre, por sua ação espermicida e alteração do ambiente endometrial, é o único DIU indicado para emergência, podendo ser inserido em até 5 dias após a relação desprotegida — e, vantagem adicional, pode ser mantido como método regular de longa duração.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que anticoncepcionais orais combinados são seguros em mulheres com história prévia de trombose venosa profunda, desde que a doença esteja estabilizada. O erro é grave: história de trombose venosa profunda é contraindicação absoluta (Categoria 4 da OMS) ao uso de contraceptivos combinados, independentemente de estabilização. O estrogênio aumenta o risco de recorrência trombótica, e mesmo uma trombose antiga contraindica o método. A alternativa correta seria indicar métodos de progestagênio isolado, que não aumentam o risco trombótico de forma relevante. A banca explora a falsa premissa de que "estabilizada" tornaria o método seguro — o que não é verdade para contraindicações categoria 4.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que a cardiopatia isquêmica, atual ou pregressa, constitui contraindicação ao uso de métodos contraceptivos que contenham estrogênio. Correto: a cardiopatia isquêmica é condição Categoria 4 da OMS para contraceptivos combinados, pois o estrogênio aumenta o risco de eventos trombóticos e cardiovasculares. A contraindicação vale tanto para doença atual quanto para história pregressa, pois o risco cardiovascular permanece elevado. Nesses casos, a alternativa segura são os métodos de progestagênio isolado (implante, DIU hormonal, pílula de progestagênio, injetável), que não aumentam o risco de eventos isquêmicos. Esta alternativa espelha corretamente os critérios de elegibilidade da OMS.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o implante subdérmico é um método contraceptivo combinado, com liberação contínua de estrogênio e progesterona. O erro é conceitual: o implante subdérmico (Nexplanon®) libera apenas progestagênio (etonogestrel), sendo um método de progestagênio isolado, não combinado. Não contém estrogênio em sua formulação. O mecanismo de ação envolve supressão da ovulação e espessamento do muco cervical. A banca explora a confusão entre métodos combinados (que contêm estrogênio e progestagênio) e métodos de progestagênio isolado (que contêm apenas progestagênio) — distinção crucial para a segurança da prescrição.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora três confusões clássicas: (1) troca a eficácia do DIU de cobre (superior a 99%) por 80%; (2) atribui ao DIU hormonal uma indicação que é exclusiva do DIU de cobre (contracepção de emergência); (3) classifica o implante subdérmico como método combinado, quando na verdade é de progestagênio isolado. A alternativa C, por sua vez, testa se o candidato sabe que história de trombose é contraindicação absoluta, não relativa. Com treino, você identifica essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para questões de anticoncepção, memorize a regra de ouro: estrogênio = risco trombótico. Toda condição que aumente risco de trombose (cardiopatia isquêmica, TVP, AVC, enxaqueca com aura, tabagismo >35 anos, HAS não controlada) contraindica métodos combinados e indica progestagênio isolado. E lembre: DIU de cobre é o único DIU indicado para emergência; implante e DIU hormonal são progestagênio isolado.