Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg684633
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina da Família e Comunidade)
Mulher de 29 anos comparece à UBS relatando ausência de menstruação há 9 meses. Refere que, após seu último parto, apresentou sangramento muito volumoso, necessitando de internação e transfusão sanguínea. Desde então, queixa-se de cansaço persistente, dificuldade para amamentar e redução da libido. Ao exame físico, observa-se pressão arterial limítrofe baixa e rarefação de pelos axilares. Qual é o diagnóstico mais provável?
AAmenorreia hipotalâmica funcional associada ao estresse pós-parto.
BInsuficiência ovariana prematura.
CSíndrome de Sheehan.
DHipotireoidismo primário autoimune.
ESíndrome dos ovários policísticos.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — Síndrome de Sheehan.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Síndrome de Sheehan: hipopituitarismo pós-parto
Gabarito: letra C. A paciente apresenta o quadro clássico de Síndrome de Sheehan: amenorreia secundária após hemorragia pós-parto (com transfusão), agalactia (dificuldade para amamentar), cansaço, hipotensão e rarefação de pelos axilares — todos decorrentes de necrose hipofisária por choque hipovolêmico. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história de sangramento obstétrico seguido de insuficiência hipofisária múltipla.
A Síndrome de Sheehan é uma causa de hipopituitarismo adquirido, resultante de necrose isquêmica da hipófise anterior, geralmente desencadeada por hemorragia obstétrica grave (hemorragia pós-parto). Durante a gestação, a glândula hipofisária aumenta de tamanho (hiperplasia fisiológica), tornando-se mais vulnerável à isquemia. Quando ocorre choque hipovolêmico, há redução do fluxo sanguíneo para a hipófise, levando à necrose celular. A extensão da necrose determina quais hormônios serão deficientes.
O quadro clínico é insidioso e pode se manifestar de forma aguda ou crônica. Os sintomas mais comuns incluem:
Agalactia ou hipogalactia (falha na lactação) — devido à deficiência de prolactina, sendo frequentemente o primeiro sinal.
Amenorreia secundária — por deficiência de gonadotrofinas (FSH e LH).
Hipotireoidismo secundário — por deficiência de TSH, causando cansaço, intolerância ao frio e ganho de peso.
Insuficiência adrenal secundária — por deficiência de ACTH, levando a hipotensão, fadiga, hipoglicemia e rarefação de pelos (por redução de androgênios adrenais).
Diminuição da libido — por deficiência de gonadotrofinas e androgênios.
O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado por exames laboratoriais que demonstram níveis baixos de hormônios hipofisários (FSH, LH, TSH, ACTH, prolactina) com hormônios-alvo também baixos (estradiol, cortisol, T4 livre). Em casos selecionados, a ressonância magnética da hipófise pode mostrar a glândula pequena ou vazia (sela túrcica vazia).
A distinção entre as causas de amenorreia secundária é fundamental. A tabela abaixo resume as principais diferenças:
Característica
Síndrome de Sheehan
Amenorreia hipotalâmica funcional
Insuficiência ovariana prematura
SOP
História
Hemorragia pós-parto
Estresse, perda de peso, exercício
Idiopática, autoimune, genética
Irregularidade menstrual desde a adolescência
FSH/LH
Baixos
Baixos ou normais
Elevados
Normais
Prolactina
Baixa
Normal
Normal
Normal
Lactação
Falha (agalactia)
Normal
Normal
Normal
Sinais de hipopituitarismo
Presentes (hipotensão, hipotireoidismo)
Ausentes
Ausentes
Hiperandrogenismo (acne, hirsutismo)
A pegadinha da questão está em associar a amenorreia pós-parto com estresse (alternativa A) ou com insuficiência ovariana (alternativa B), ignorando o evento-sentinela: a hemorragia com transfusão. A história de sangramento volumoso é o dado que direciona o diagnóstico para a necrose hipofisária.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a associação automática entre amenorreia pós-parto e estresse ou alterações ovarianas. O candidato que não valoriza a hemorragia obstétrica como evento desencadeante cai na alternativa A. A chave é reconhecer que a sequência "hemorragia pós-parto → agalactia → hipotensão → rarefação de pelos" é patognomônica de Síndrome de Sheehan.
Síndrome de Sheehan
1Causa
Hemorragia pós-parto
Necrose isquêmica da hipófise
2Manifestações
Agalactia (deficiência de prolactina)
Amenorreia (deficiência de FSH/LH)
Hipotireoidismo secundário (deficiência de TSH)
Insuficiência adrenal (deficiência de ACTH)
3Diagnóstico
Clínico (história + sintomas)
Hormônios hipofisários baixos
RM: sela túrcica vazia
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
A amenorreia hipotalâmica funcional é causada por estresse, exercício físico intenso, perda de peso ou transtornos alimentares, sem relação com hemorragia pós-parto. Embora o estresse pós-parto possa contribuir para irregularidades menstruais, o quadro descrito — com agalactia, hipotensão e rarefação de pelos — indica comprometimento hipofisário orgânico, não funcional. Além disso, na amenorreia hipotalâmica, a lactação geralmente é preservada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A insuficiência ovariana prematura (falência ovariana precoce) caracteriza-se por FSH elevado (hipogonadismo hipergonadotrófico) e sintomas de deficiência estrogênica, como fogachos e ressecamento vaginal. A história de hemorragia pós-parto e a presença de agalactia e hipotensão não são compatíveis com essa condição. A amenorreia na insuficiência ovariana não é precedida por sangramento obstétrico, e a lactação permanece normal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Síndrome de Sheehan é a causa mais provável. A paciente apresenta todos os elementos clássicos: hemorragia pós-parto com necessidade de transfusão, subsequente agalactia (dificuldade para amamentar), amenorreia secundária, cansaço (hipotireoidismo e insuficiência adrenal secundários), hipotensão e rarefação de pelos axilares (deficiência de ACTH e androgênios adrenais). O diagnóstico é clínico, e a história de choque hipovolêmico no pós-parto é o dado essencial.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo primário autoimune (tireoidite de Hashimoto) pode causar alterações menstruais e fadiga, mas não explica a agalactia, a hipotensão e a rarefação de pelos. No hipotireoidismo primário, o TSH está elevado (hipotireoidismo hipergonadotrófico), enquanto na Síndrome de Sheehan o TSH está baixo ou inapropriadamente normal (hipotireoidismo secundário). Além disso, a história de hemorragia pós-parto não se relaciona com a etiologia autoimune.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma causa comum de amenorreia secundária, mas se manifesta com hiperandrogenismo (hirsutismo, acne), obesidade e irregularidade menstrual desde a adolescência. Não há relação com hemorragia pós-parto, e a lactação é normal. A presença de agalactia, hipotensão e rarefação de pelos exclui a SOP, que cursa com excesso de androgênios, não com deficiência.