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Questão de Medicina — Médico da Família — FUNDATEC 2026

MedicinaMédico da Família
Código
qg684638
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina da Família e Comunidade)
Criança de 4 anos com asma persistente está em uso regular de beclometasona inalatória 100 mcg/dia há 4 meses, com técnica inalatória adequada e adesão confirmada. Apresentou duas exacerbações moderadas na última semana, com necessidade de corticoide sistêmico. Já fez uso prévio de antagonista de leucotrienos, sem resposta clínica satisfatória. Encontra-se assintomática no momento. Qual é a melhor conduta terapêutica?
  1. AAssociar beta-2 agonista de longa duração ao corticoide inalatório.
  2. BReintroduzir antagonista de leucotrienos associado ao esquema atual.
  3. CAumentar a dose do corticoide inalatório.
  4. DRealizar cursos intermitentes de corticoide sistêmico durante exacerbações, mantendo a dose atual do corticoide inalatório.
  5. EManter o esquema atual, pois a criança encontra-se assintomática no momento.
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GabaritoC — Aumentar a dose do corticoide inalatório.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Asma em crianças: escalonamento terapêutico

Gabarito: letra C. A criança de 4 anos está em uso de dose baixa de corticoide inalatório (beclometasona 100 mcg/dia) e apresentou duas exacerbações moderadas na última semana, exigindo corticoide sistêmico — isso indica falta de controle, e o próximo passo é aumentar a dose do corticoide inalatório (etapa 3 do tratamento), conforme as diretrizes do GINA e do Ministério da Saúde. A associação com LABA não é recomendada em crianças < 4 anos, e o antagonista de leucotrienos já falhou.

O tratamento da asma é escalonado por etapas, e a decisão de subir ou descer de etapa depende do controle dos sintomas e do risco de exacerbações. Nesta criança, a dose atual (100 mcg/dia de beclometasona) é a dose baixa para a faixa etária de 6 a 11 anos, mas para crianças ≤ 5 anos o GINA 2025 define 100 mcg/dia como dose baixa — e ela está com exacerbações frequentes, o que configura asma não controlada. O passo correto é aumentar a dose do corticoide inalatório para a dose média, mantendo o SABA como medicação de alívio.

A associação com LABA (salmeterol, formoterol) não é recomendada em crianças < 4 anos, pois ainda não há estudos bem conduzidos nessa faixa etária — essa é uma restrição específica que a banca explora. O antagonista de leucotrienos (montelucaste) já foi tentado sem resposta clínica satisfatória, então reintroduzi-lo seria repetir uma falha terapêutica. Cursos intermitentes de corticoide sistêmico tratam a exacerbação aguda, mas não resolvem o controle de base — e manter o esquema atual diante de exacerbações repetidas seria negligenciar a falta de controle.

O racional do escalonamento é simples: sintomas frequentes ou exacerbações repetidas = aumentar o tratamento de manutenção. A dose baixa de corticoide inalatório é o primeiro degrau; quando ela não controla, sobe-se para dose média (ou associa-se LABA, quando permitido pela idade). A criança está assintomática agora, mas o histórico de duas exacerbações moderadas em uma semana é o sinal de alerta que manda ajustar a medicação de base — não se pode esperar a próxima crise para agir.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer você cair na associação com LABA, que é o passo padrão em adultos e crianças maiores, mas em crianças < 4 anos essa associação não é recomendada — a restrição etária é o detalhe que separa a letra A (errada) da letra C (correta). Além disso, o fato de a criança estar assintomática no momento (letra E) é uma armadilha: o controle é avaliado pelo histórico de exacerbações, não pelo estado atual.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Associar LABA ao corticoide inalatório é o passo padrão da etapa 3 em adultos e crianças ≥ 6 anos, mas não é recomendado em crianças < 4 anos — exatamente a faixa etária da paciente. As associações de corticoide com broncodilatadores de ação prolongada ainda não estão bem estudadas nessa idade, sendo contraindicadas. A conduta correta é aumentar a dose do corticoide inalatório isolado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O antagonista de leucotrienos (montelucaste) já foi tentado sem resposta clínica satisfatória — reintroduzi-lo seria repetir uma falha terapêutica. Além disso, os antileucotrienos são menos efetivos que os corticoides inalatórios e não são a primeira escolha de escalonamento quando o corticoide em dose baixa não controla.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Aumentar a dose do corticoide inalatório é a conduta correta. A criança está em dose baixa (100 mcg/dia de beclometasona) e apresentou duas exacerbações moderadas em uma semana — sinal claro de falta de controle. O próximo degrau é a dose média do corticoide inalatório, mantendo o SABA como medicação de alívio. Essa é a recomendação do GINA 2025 e do Protocolo Clínico do Ministério da Saúde para crianças ≤ 5 anos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Cursos intermitentes de corticoide sistêmico tratam a exacerbação aguda, mas não resolvem o controle de base. Manter a dose atual do corticoide inalatório enquanto se usa corticoide oral repetidamente é tratar a consequência sem corrigir a causa — o tratamento de manutenção precisa ser ajustado para prevenir novas crises.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Manter o esquema atual porque a criança está assintomática no momento ignora o histórico de duas exacerbações moderadas na última semana. O controle da asma é avaliado pelo padrão de sintomas e exacerbações ao longo do tempo, não pelo estado atual. A dose baixa de corticoide inalatório não está prevenindo as crises — é preciso escalonar.

Gabarito: letra C — aumentar a dose do corticoide inalatório é o passo correto no escalonamento terapêutico da asma infantil não controlada.

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