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Questão de Medicina — Médico da Família — FUNDATEC 2026

MedicinaMédico da Família
Código
qg684639
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina da Família e Comunidade)
Homem de 72 anos comparece à UBS para consulta de rotina. É hipertenso, em uso de losartana e hidroclorotiazida, e nega uso de betabloqueadores, digitálicos ou bloqueadores de canal de cálcio. Ao exame, apresenta FC de 75 bpm e PA de 128/76 mmHg. Foi realizado eletrocardiograma, conforme apresentado na figura abaixo. Com base no quadro clínico e no traçado eletrocardiográfico, assinale a alternativa mais correta.Imagem associada para resolução da questão
  1. ABloqueio atrioventricular de segundo grau Mobitz I, geralmente de bom prognóstico, passível de acompanhamento na atenção primária.
  2. BBloqueio atrioventricular de segundo grau Mobitz II, com indicação imediata de marca-passo definitivo.
  3. CBloqueio atrioventricular de primeiro grau, sem falhas de condução.
  4. DBloqueio atrioventricular total, com necessidade de encaminhamento imediato.
  5. ETaquiarritmia supraventricular intermitente, com indicação de cardioversão elétrica.
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GabaritoA — Bloqueio atrioventricular de segundo grau Mobitz I, geralmente de bom prognóstico, passível de acompanhamento na atenção primária.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Bloqueio atrioventricular de segundo grau Mobitz I (Wenckebach)

Gabarito: letra A. O traçado mostra um bloqueio atrioventricular de segundo grau Mobitz I (Wenckebach), caracterizado pelo prolongamento progressivo do intervalo PR até a onda P bloqueada, geralmente de bom prognóstico e passível de acompanhamento na atenção primária. A alternativa B (Mobitz II) e a D (BAVT) descrevem bloqueios de pior prognóstico, que exigem avaliação especializada imediata.

O bloqueio atrioventricular (BAV) é a interrupção ou retardo na condução do estímulo elétrico dos átrios para os ventrículos. Ele é classificado em primeiro, segundo e terceiro graus (total). No BAV de segundo grau, algumas ondas P não são seguidas de QRS. A distinção entre Mobitz I e Mobitz II é crucial: no Mobitz I (Wenckebach), há um prolongamento progressivo do intervalo PR até que uma onda P seja bloqueada, e o ciclo recomeça. No Mobitz II, o intervalo PR é constante e, subitamente, uma onda P não conduz. Essa diferença tem implicações prognósticas e terapêuticas importantes.

O Mobitz I é geralmente benigno, frequentemente associado a aumento do tônus vagal (como em atletas ou durante o sono) ou a doença degenerativa do nó atrioventricular. Raramente progride para bloqueio total e, em pacientes assintomáticos, pode ser acompanhado na atenção primária. Já o Mobitz II é mais grave, geralmente associado a doença do sistema de condução abaixo do nó AV (feixe de His), com maior risco de degeneração para BAVT e indicação de marca-passo definitivo. O BAVT (terceiro grau) é a dissociação completa entre a atividade atrial e ventricular, com risco de bradicardia extrema e assistolia, exigindo encaminhamento imediato.

No caso apresentado, o paciente está assintomático, com FC de 75 bpm e PA controlada. O ECG mostra o padrão típico de Mobitz I: o intervalo PR aumenta progressivamente até a onda P bloqueada. A conduta adequada é o acompanhamento clínico, sem necessidade de intervenção imediata. A banca explora a confusão entre os tipos de BAV de segundo grau, que têm prognósticos e condutas distintos.

Guarde a fronteira entre Mobitz I e Mobitz II: o comportamento do intervalo PR é o critério decisivo. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.

BAV de 2º grau
  • 1Mobitz I (Wenckebach)
    • PR aumenta progressivamente
    • Bom prognóstico
    • Acompanhamento na AP
  • 2Mobitz II
    • PR constante
    • Bloqueio súbito
    • Marca-passo definitivo
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve corretamente o BAV de segundo grau Mobitz I, com prolongamento progressivo do PR até a onda P bloqueada. É geralmente de bom prognóstico, pois raramente progride para BAVT, e pode ser acompanhado na atenção primária, especialmente em pacientes assintomáticos. O paciente do caso está estável, com FC e PA controladas, sem sintomas, o que reforça a conduta conservadora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa descreve o BAV de segundo grau Mobitz II, que se caracteriza por intervalo PR constante com bloqueio súbito de uma onda P. No traçado, o PR é progressivamente crescente, o que define Mobitz I. O Mobitz II tem pior prognóstico e indicação de marca-passo, mas não é o caso apresentado. A banca troca o tipo de bloqueio, explorando a confusão entre os dois subtipos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que se trata de BAV de primeiro grau, que é definido por um intervalo PR prolongado (> 200 ms) sem ondas P bloqueadas. No traçado, há ondas P bloqueadas, o que caracteriza um bloqueio de segundo grau, não de primeiro. A alternativa ignora a presença das falhas de condução.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa descreve o BAV total (terceiro grau), no qual há dissociação completa entre a atividade atrial e ventricular, com PP e RR regulares, mas sem relação entre P e QRS. No traçado, há condução AV, apenas com bloqueio intermitente de algumas ondas P, o que exclui o BAVT. O BAVT exige encaminhamento imediato, mas não é o caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa descreve uma taquiarritmia supraventricular, que se caracteriza por frequência cardíaca elevada (geralmente > 100 bpm). O paciente apresenta FC de 75 bpm, e o traçado mostra bradiarritmia (bloqueio AV), não taquiarritmia. A cardioversão elétrica é indicada para taquiarritmias instáveis, não para bloqueios AV.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora trocar os tipos de BAV de segundo grau. A chave é observar o intervalo PR: se ele aumenta progressivamente até a onda P bloqueada, é Mobitz I (benigno); se é constante e a onda P bloqueia subitamente, é Mobitz II (grave). Nesta questão, o traçado mostra o padrão de Wenckebach, mas a alternativa B tenta induzir o candidato a pensar em Mobitz II. Com treino, você identifica essa troca de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar os bloqueios AV, monte uma tabela mental:

Critério

Mobitz I (Wenckebach)

Mobitz II

Intervalo PR

Aumenta progressivamente

Constante

Onda P bloqueada

Após prolongamento máximo

Subitamente

Prognóstico

Geralmente benigno

Pior, risco de BAVT

Conduta

Acompanhamento (se assintomático)

Marca-passo definitivo

Gabarito: letra A

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