Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2026
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg684642
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina da Família e Comunidade)
Homem de 62 anos apresenta episódios recorrentes de vertigem de curta duração, desencadeados por mudanças da posição da cabeça, especialmente ao deitar-se e ao girar na cama. Os episódios duram segundos, são acompanhados de náuseas e cessam espontaneamente. Nega zumbido, hipoacusia ou sinais neurológicos. O exame neurológico é normal. A hipótese diagnóstica é de vertigem posicional paroxística benigna por acometimento do canal semicircular posterior. Assinale a alternativa que apresenta corretamente a conduta indicada para confirmação diagnóstica.
AManobra de Epley, utilizada como teste diagnóstico inicial.
BManobra de Dix–Hallpike, indicada apenas na presença de nistagmo espontâneo.
CManobra de Lempert (barbecue), indicada para avaliação do canal semicircular posterior.
DManobra de Dix–Hallpike, com pesquisa de vertigem e nistagmo posicional característico.
ETratamento empírico com antivertiginosos como critério diagnóstico.
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GabaritoD — Manobra de Dix–Hallpike, com pesquisa de vertigem e nistagmo posicional característico.
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Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB): diagnóstico pela manobra de Dix-Hallpike
Gabarito: letra D. A confirmação diagnóstica da VPPB do canal semicircular posterior é feita pela manobra de Dix-Hallpike, que pesquisa a vertigem e o nistagmo posicional característico (torcional, de batimento descendente) — exatamente o que descreve a alternativa D. As demais alternativas confundem o papel das manobras: a de Epley é terapêutica (reposicionamento otolítico), a de Lempert (barbecue) avalia o canal semicircular lateral, e a Dix-Hallpike não é indicada apenas na presença de nistagmo espontâneo.
A VPPB é a causa mais comum de vertigem recorrente e resulta do deslocamento de otólitos (cristais de carbonato de cálcio) para o interior de um canal semicircular, mais frequentemente o posterior. Quando o paciente movimenta a cabeça, esses otólitos se deslocam dentro do canal, estimulando as células ciliadas e gerando a falsa sensação de rotação. O quadro clínico é típico: episódios de vertigem de curta duração (segundos), desencadeados por mudanças de posição da cabeça, como deitar-se ou girar na cama, acompanhados de náuseas, sem zumbido, hipoacusia ou sinais neurológicos — exatamente o caso do enunciado.
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e na manobra de Dix-Hallpike. Nessa manobra, o paciente senta-se com a cabeça virada 45° para um lado e é rapidamente deitado com a cabeça pendente para trás. A resposta positiva é o aparecimento de vertigem e nistagmo torcional, com batimento descendente, após um curto período de latência (geralmente 5 a 20 segundos), que se esgota em menos de 1 minuto. A manobra é o padrão-ouro para o diagnóstico da VPPB do canal posterior, com valor preditivo positivo de 83% e valor preditivo negativo de 52% em cenário de atenção primária.
É fundamental distinguir as manobras diagnósticas das terapêuticas. A manobra de Epley é o tratamento de escolha para a VPPB do canal posterior, consistindo em uma sequência de movimentos da cabeça que reposiciona os otólitos de volta ao utrículo. A manobra de Lempert (barbecue) é utilizada para o canal semicircular lateral. A manobra de Semont também é terapêutica para o canal posterior. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que sabe que a Epley é o tratamento pode marcá-la como diagnóstico, mas ela não é utilizada como teste diagnóstico inicial.
A pegadinha central desta questão é a inversão entre manobra diagnóstica e terapêutica. A alternativa A apresenta a manobra de Epley como teste diagnóstico, quando na verdade ela é o tratamento. A alternativa C atribui à manobra de Lempert a avaliação do canal posterior, quando ela é indicada para o canal lateral. A alternativa B restringe a Dix-Hallpike à presença de nistagmo espontâneo, o que é incorreto, pois a manobra é justamente para provocar o nistagmo posicional. A alternativa E propõe tratamento empírico como critério diagnóstico, o que não é recomendado. A alternativa D descreve corretamente a manobra de Dix-Hallpike com pesquisa de vertigem e nistagmo posicional característico.
Guarde a fronteira entre as manobras: Dix-Hallpike diagnostica o canal posterior; Epley e Semont tratam o canal posterior; Lempert (barbecue) trata o canal lateral. É exatamente nessa distinção que as alternativas se dividem.
Manobras na VPPB
1Canal posterior
Diagnóstico
Dix-Hallpike
Tratamento
Epley
Semont
2Canal lateral
Tratamento
Lempert (barbecue)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A manobra de Epley é um procedimento terapêutico de reposicionamento otolítico, não um teste diagnóstico. Ela é utilizada para tratar a VPPB do canal semicircular posterior, reposicionando os otólitos deslocados. Utilizá-la como teste diagnóstico inicial é um erro conceitual: o diagnóstico é feito pela manobra de Dix-Hallpike, e a Epley é aplicada após a confirmação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A manobra de Dix-Hallpike não é indicada apenas na presença de nistagmo espontâneo. Pelo contrário, ela é realizada justamente para provocar o nistagmo posicional em pacientes com suspeita de VPPB, mesmo na ausência de nistagmo espontâneo. A presença de nistagmo espontâneo não é um pré-requisito para a realização da manobra; ela é o teste que busca desencadear o nistagmo característico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A manobra de Lempert (barbecue) é indicada para avaliação e tratamento do canal semicircular lateral (horizontal), não do canal posterior. Para o canal posterior, a manobra diagnóstica é a Dix-Hallpike e a terapêutica é a Epley ou a Semont. Atribuir à manobra de Lempert a avaliação do canal posterior é uma troca de canal acometido.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A manobra de Dix-Hallpike é o teste diagnóstico padrão para a VPPB do canal semicircular posterior. Ela consiste em posicionar o paciente sentado, virar a cabeça 45° para o lado a ser testado e deitá-lo rapidamente com a cabeça pendente. A resposta positiva é o aparecimento de vertigem e nistagmo posicional característico (torcional, de batimento descendente), com latência curta e duração inferior a 1 minuto. A alternativa descreve exatamente esse procedimento, sendo a conduta correta para confirmação diagnóstica.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O tratamento empírico com antivertiginosos não é utilizado como critério diagnóstico. O diagnóstico da VPPB é clínico, baseado na história e na manobra de Dix-Hallpike. O tratamento medicamentoso com supressores vestibulares em longo prazo não é recomendado, e a resposta ao tratamento não confirma o diagnóstico. A alternativa propõe uma conduta inadequada e sem respaldo na prática clínica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o papel das manobras: apresenta a Epley (terapêutica) como diagnóstico e a Dix-Hallpike (diagnóstica) como restrita a nistagmo espontâneo. O candidato que decora os nomes sem entender a função cai na armadilha. Lembre-se: Dix-Hallpike diagnostica, Epley trata — e ambas são para o canal posterior. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪.
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte um quadro mental das manobras: Dix-Hallpike = diagnóstico do canal posterior; Epley e Semont = tratamento do canal posterior; Lempert (barbecue) = tratamento do canal lateral. Na prova, identifique primeiro se a questão pede diagnóstico ou tratamento e qual canal está envolvido — isso elimina as alternativas erradas rapidamente.