A urolitíase pode ocorrer devido a características anatômicas que levam a estase urinária, baixo volume urinário, fatores dietéticos, infecções do trato urinário, acidose sistêmica, medicamentos e fatores genéticos hereditários. Sobre o tema, assinale a alternativa correta.
AA hipomagnesemia é considerada um fator predisponente para a formação de cálculos urinários à base de cálcio.
BHomens e mulheres apresentam incidência proporcionalmente semelhante de litíase urinária.
CA elevada ingestão de sódio reduz a osmolaridade urinária e está associada ao aumento da excreção urinária de cálcio.
DEscherichia coli é o microrganismo mais frequentemente envolvido na formação de cálculos de estruvita.
EA litotripsia extracorpórea por ondas de choque é o método preferível para cálculos >2,5 cm.
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GabaritoA — A hipomagnesemia é considerada um fator predisponente para a formação de cálculos urinários à base de cálcio.
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Litíase urinária: fatores de risco e manejo
Gabarito: letra A. A hipomagnesemia é, de fato, um fator predisponente reconhecido para a formação de cálculos urinários à base de cálcio, pois o magnésio forma complexos solúveis com o oxalato e o cálcio na urina, reduzindo a supersaturação desses íons. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a incidência é maior em homens, a ingestão elevada de sódio aumenta (e não reduz) a excreção urinária de cálcio, a bactéria mais associada aos cálculos de estruvita é a Proteus mirabilis (e não a E. coli), e a litotripsia extracorpórea não é o método preferível para cálculos >2,5 cm.
A urolitíase é uma doença multifatorial, resultante da interação entre fatores genéticos, dietéticos, metabólicos e anatômicos. O princípio fisiopatológico central é a supersaturação urinária de determinados íons — como cálcio, oxalato, ácido úrico e fosfato — que, em condições favoráveis, cristalizam-se e agregam-se formando cálculos. A compreensão desse mecanismo é essencial para interpretar os fatores de risco: qualquer condição que aumente a concentração urinária desses íons ou reduza o volume urinário favorece a litogênese.
A hipomagnesemia, citada na alternativa correta, atua de forma dupla: o magnésio, em concentrações adequadas, liga-se ao oxalato e ao cálcio no trato urinário, formando complexos solúveis que são excretados sem precipitar. Quando há deficiência de magnésio, esse efeito protetor diminui, aumentando a disponibilidade de cálcio e oxalato livres para formar cristais. Além disso, a hipomagnesemia pode estar associada a acidose tubular renal, que também predispõe à litíase. Esse é um ponto clássico de prova, pois muitos candidatos associam erroneamente a hipomagnesemia a um fator protetor, quando na verdade sua deficiência é um fator de risco.
A epidemiologia da litíase urinária mostra clara predominância no sexo masculino, com uma razão de aproximadamente 2 a 3 homens para cada mulher. Essa diferença é atribuída a fatores hormonais (os estrogênios aumentam a excreção de citrato, um inibidor da cristalização), dietéticos e ao menor volume urinário em homens. Portanto, a afirmação de que a incidência é proporcionalmente semelhante entre os sexos está incorreta.
A relação entre sódio e cálcio urinário é um ponto de confusão frequente. A alta ingestão de sódio aumenta a excreção urinária de cálcio, pois o sódio compete com o cálcio pela reabsorção no túbulo proximal e na alça de Henle. No entanto, a osmolaridade urinária não é reduzida pela ingestão de sódio; pelo contrário, o sódio é um dos principais osmólitos da urina, e sua excreção aumentada tende a elevar a osmolaridade. A alternativa C inverte essa relação, afirmando que a elevada ingestão de sódio reduz a osmolaridade urinária, o que é fisiologicamente incorreto.
Os cálculos de estruvita (fosfato amoniacal de magnésio) são formados em urina alcalina, geralmente em decorrência de infecção por bactérias produtoras de urease. A urease hidrolisa a ureia em amônia e dióxido de carbono, elevando o pH urinário e favorecendo a precipitação de estruvita. O microrganismo mais frequentemente envolvido é a Proteus mirabilis, e não a Escherichia coli. Embora a E. coli seja a causa mais comum de infecções urinárias em geral, ela não produz urease e, portanto, não está associada à formação de cálculos de estruvita. Essa distinção é uma pegadinha clássica: a banca troca o agente etiológico mais comum da infecção urinária pelo mais comum da litíase infecciosa.
O tratamento da litíase urinária depende do tamanho, da localização e da composição do cálculo. A litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO) é indicada para cálculos renais de até 2 cm, preferencialmente menores que 1,5 cm, e para cálculos ureterais proximais. Para cálculos maiores que 2,5 cm, a LECO não é o método preferível, pois a taxa de fragmentação diminui e o risco de complicações aumenta. Nesses casos, a nefrolitotripsia percutânea (NLPC) é o tratamento de escolha. A alternativa E, portanto, está incorreta ao afirmar que a LECO é preferível para cálculos >2,5 cm.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a troca de agentes etiológicos e a inversão de relações fisiológicas. Na alternativa D, o candidato pode confundir a bactéria mais comum das infecções urinárias (E. coli) com a mais associada aos cálculos de estruvita (Proteus mirabilis). Na alternativa C, a relação entre sódio e cálcio urinário é correta, mas a osmolaridade é invertida. Fique atento a essas inversões — com treino, você as identifica rapidamente.
Fatores de risco para litíase: Metabólicos (Hipomagnesemia (cálculos de cálcio), Hipercalciúria, Hiperoxalúria); Dietéticos (Baixo volume urinário, Ingestão de sódio (↑ excreção de cálcio)); Infecciosos (Bactérias produtoras de urease, Proteus mirabilis (estruvita)); Anatômicos (Estase urinária)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hipomagnesemia é um fator de risco para cálculos de cálcio, pois o magnésio forma complexos solúveis com oxalato e cálcio, reduzindo a supersaturação. A deficiência de magnésio diminui essa proteção, aumentando o risco de litíase. Essa é uma associação bem estabelecida na literatura e frequentemente cobrada em provas de urologia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A incidência de litíase urinária é maior em homens, com razão de aproximadamente 2-3:1 em relação às mulheres. A afirmação de que a incidência é proporcionalmente semelhante está incorreta. Fatores hormonais, dietéticos e de volume urinário explicam essa diferença.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A elevada ingestão de sódio aumenta a excreção urinária de cálcio, o que está correto. No entanto, a osmolaridade urinária não é reduzida; o sódio é um osmólito importante e sua excreção aumentada tende a elevar a osmolaridade. A alternativa inverte a relação entre sódio e osmolaridade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O microrganismo mais frequentemente envolvido na formação de cálculos de estruvita é a Proteus mirabilis, uma bactéria produtora de urease. A Escherichia coli é a causa mais comum de infecções urinárias, mas não produz urease e não está associada à litíase infecciosa. A banca troca os agentes etiológicos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A litotripsia extracorpórea por ondas de choque é indicada para cálculos renais de até 2 cm. Para cálculos >2,5 cm, o método preferível é a nefrolitotripsia percutânea (NLPC), pois a LECO tem menor taxa de sucesso e maior risco de complicações em cálculos grandes.