Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2026
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg684647
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina de Emergência/UPA)
Homem, 53 anos, procura a emergência por quadro de palpitações e desconforto torácico de padrão anginoso, com início há 30 minutos. Na avaliação primária, verifica-se via aérea prévia, taquipneia leve em ar ambiente e ausculta pulmonar bem distribuída, sem ruídos adventícios. Taquicardia importante, pulsos radiais filiformes e perfusão lentificada. Considerando o caso clínico descrito, assinale a alternativa correta sobre o manejo da taquiarritmia, conforme a atualização da AHA (2025).
ASe o paciente apresentar no eletrocardiograma taquiarritmia de complexo QRS largo, deverá receber amiodarona.
BSe o paciente apresentar no eletrocardiograma taquiarritmia de complexo QRS estreito e regular, deverá ser realizada manobra de valsalva modificada.
CSe o paciente apresentar taquicardia supraventricular no eletrocardiograma o manejo inicial envolve cardioversão elétrica com carga inicial de 50 joules.
DSe o paciente apresentar taquicardia ventricular monomórfica no eletrocardiograma, devemos realizar cardioversão elétrica com carga inicial de 200 joules.
ESe o paciente apresentar flutter atrial no eletrocardiograma, devemos realizar cardioversão elétrica com carga inicial de 200 joules.
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GabaritoE — Se o paciente apresentar flutter atrial no eletrocardiograma, devemos realizar cardioversão elétrica com carga inicial de 200 joules.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Manejo de taquiarritmias instáveis: cardioversão elétrica sincronizada
Gabarito: letra E. O paciente apresenta sinais de instabilidade hemodinâmica (dor torácica anginosa, taquicardia importante, pulsos filiformes e perfusão lentificada), o que indica cardioversão elétrica sincronizada imediata. No flutter atrial, a carga inicial recomendada é de 100 a 200 joules (bifásico), sendo 200 J uma opção válida — é exatamente o que a alternativa E afirma. As demais alternativas erram ao indicar condutas inadequadas para o cenário de instabilidade ou ao usar cargas incorretas.
A taquiarritmia é qualquer ritmo cardíaco com frequência acima de 100 bpm. O manejo inicial depende de dois fatores: a presença de instabilidade hemodinâmica e a morfologia do QRS no eletrocardiograma. Instabilidade é definida por sinais como hipotensão, estado de choque, diminuição do nível de consciência, dor torácica e dispneia — todos indicativos de que o coração não está conseguindo manter a perfusão adequada. Nesse cenário, a conduta é a cardioversão elétrica sincronizada (CVE), que aplica uma descarga elétrica sincronizada com a onda R do ECG, evitando o período vulnerável (onda T) e reduzindo o risco de induzir fibrilação ventricular.
A escolha da carga na CVE depende do tipo de arritmia. Para taquicardias supraventriculares (como flutter atrial e taquicardia supraventricular), a carga inicial recomendada é de 100 a 200 joules em aparelho bifásico. Para taquicardia ventricular monomórfica, a carga inicial é de 100 joules, podendo ser aumentada progressivamente. Já para fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular sem pulso, a conduta é a desfibrilação não sincronizada com carga de 200 joules (bifásico) ou 360 joules (monofásico).
A distinção crucial é entre cardioversão sincronizada (para ritmos organizados, como flutter atrial e TV monomórfica) e desfibrilação não sincronizada (para ritmos caóticos, como FV e TV polimórfica). A sincronização é essencial para evitar que o choque caia na onda T, o que poderia desencadear FV. No paciente instável, não há tempo para tentativas farmacológicas — a CVE é imediata, com sedação e analgesia adequadas.
A pegadinha desta questão está em confundir as cargas e as indicações de cada procedimento. A banca explora a confusão entre cardioversão (sincronizada, para ritmos organizados) e desfibrilação (não sincronizada, para ritmos caóticos), além de trocar as cargas recomendadas para cada arritmia. Guarde a fronteira: instabilidade + ritmo organizado = CVE sincronizada; instabilidade + ritmo caótico = desfibrilação não sincronizada.
Taquiarritmia instável
1Conduta: CVE sincronizada imediata
2Cargas por ritmo
TSV / Flutter atrial
100–200 J (bifásico)
TV monomórfica
100 J
FV / TV sem pulso
Desfibrilação não sincronizada
200 J (bifásico) / 360 J (monofásico)
3Distinção-chave
Ritmo organizado → CVE sincronizada
Ritmo caótico → desfibrilação não sincronizada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que taquiarritmia de QRS largo deve receber amiodarona. No paciente instável, a conduta é cardioversão elétrica imediata, não medicação. A amiodarona é indicada para TV estável ou como adjuvante após a cardioversão, mas nunca substitui o choque na instabilidade. A banca troca a conduta de emergência (choque) pela terapia farmacológica, que é reservada para pacientes estáveis.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que taquiarritmia de QRS estreito e regular deve ser tratada com manobra de Valsalva modificada. A manobra vagal é indicada para TSV estável, não para paciente instável. No cenário descrito (dor torácica, pulsos filiformes, perfusão lentificada), a conduta é CVE imediata. A banca inverte a indicação: manobra vagal é para estabilidade; instabilidade exige choque.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que TSV instável deve ser tratada com CVE de 50 joules. A carga inicial recomendada para TSV é de 100 a 200 joules (bifásico). O valor de 50 J é insuficiente e não corresponde à recomendação atual. A banca usa um número plausível, mas incorreto, para testar o conhecimento das cargas específicas.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que TV monomórfica instável deve ser tratada com CVE de 200 joules. A carga inicial recomendada para TV monomórfica é de 100 joules (bifásico), podendo ser aumentada se necessário. O valor de 200 J é a carga da desfibrilação para FV/TV sem pulso, não da cardioversão da TV monomórfica. A banca troca a carga da cardioversão pela da desfibrilação.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que flutter atrial instável deve ser tratado com CVE de 200 joules. O flutter atrial é uma taquiarritmia supraventricular organizada, e a carga inicial recomendada para CVE é de 100 a 200 joules (bifásico). O valor de 200 J está dentro da faixa recomendada e é uma opção válida. A alternativa está correta ao indicar CVE sincronizada com carga adequada para o cenário de instabilidade.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter as cargas entre cardioversão e desfibrilação. Lembre-se: TV monomórfica instável = 100 J; flutter atrial/TSV = 100-200 J; FV/TV sem pulso = 200 J (bifásico) ou 360 J (monofásico). A alternativa D troca a carga da TV monomórfica pela da desfibrilação — armadilha clássica. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Monte uma tabela mental com as cargas: ritmo organizado (TSV, flutter, TV monomórfica) = cardioversão sincronizada com 100-200 J; ritmo caótico (FV, TV polimórfica) = desfibrilação não sincronizada com 200 J (bifásico). Na prova, identifique primeiro se o paciente está instável — isso decide entre choque e medicação.