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Questão de Medicina — Medicina Intensiva — FUNDATEC 2026

MedicinaMedicina Intensiva
Código
qg684656
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina de Emergência/UPA)
Paciente previamente hígido dá entrada na emergência com síndrome gripal há 2 dias, evoluindo com dispneia, desconforto respiratório, necessitando de intubação orotraqueal e ventilação mecânica. A radiografia de tórax evidenciou infiltrado pulmonar bilateral. Na gasometria arterial, o paciente apresenta pH:7,22, pO₂:90 mmHg, pCO₂:55 mmHg e HCO₃-:18 mEq/L. Para manutenção de saturimetria adequada, o paciente necessita de uma fração inspirada de oxigênio de 100%. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa correta.
  1. AO paciente pode ser diagnosticado como síndrome do desconforto respiratório agudo moderada.
  2. BA ventilação mecânica deve ser mantida de forma protetora com alvo de volume corrente de até 6ml/kg.
  3. CA driving pressure é calculada subtraindo-se o valor da PEEP do valor da pressão de pico.
  4. DÉ necessário que a ventilação mecânica seja ajustada de forma a normalizar o valor de pCO₂, com alvo entre 35 e 45.
  5. EA posição prona está contraindicada em pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo que necessitam de fração inspirada de oxigênio elevada.
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GabaritoB — A ventilação mecânica deve ser mantida de forma protetora com alvo de volume corrente de até 6ml/kg.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA): diagnóstico e ventilação protetora

Gabarito: letra B. O paciente preenche critérios de SDRA grave (relação PaO₂/FiO₂ < 100 com FiO₂ 100%) e, nesse cenário, a ventilação mecânica protetora com volume corrente de até 6 mL/kg de peso predito é a conduta padrão-ouro, conforme as diretrizes da American Thoracic Society (ATS) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). As demais alternativas contêm erros conceituais: a classificação da SDRA, o cálculo da driving pressure, o alvo de pCO₂ e a contraindicação da posição prona.

A SDRA é uma síndrome de insuficiência respiratória aguda hipoxêmica, caracterizada por infiltrado pulmonar bilateral (não explicado por derrame, atelectasia ou nódulos) e hipoxemia grave, com início agudo (até 7 dias) após um insulto conhecido. O diagnóstico é clínico-radiológico, baseado nos critérios de Berlim (2012), que classificam a gravidade pela relação PaO₂/FiO₂ com PEEP ≥ 5 cmH₂O: leve (200–300), moderada (100–200) e grave (< 100). No caso, com FiO₂ 100% e PaO₂ 90 mmHg, a relação é 90 — SDRA grave.

A ventilação protetora é o pilar do tratamento. O estudo ARDSNet (2000) demonstrou redução de mortalidade com volume corrente de 6 mL/kg de peso predito, comparado a 12 mL/kg. As diretrizes atuais recomendam limitar o volume corrente a 4–8 mL/kg de peso predito, manter a pressão de platô ≤ 30 cmH₂O e evitar driving pressure > 15 cmH₂O. A posição prona é indicada em SDRA grave (PaO₂/FiO₂ < 150) por mais de 12 horas, pois melhora a oxigenação e reduz mortalidade. A hipercapnia permissiva é aceita — não se busca normalizar a pCO₂, desde que o pH se mantenha > 7,20.

A driving pressure (pressão de distensão) é calculada como a diferença entre a pressão de platô e a PEEP (Pplatô − PEEP), não entre a pressão de pico e a PEEP. A pressão de pico inclui a resistência das vias aéreas, enquanto a pressão de platô reflete a pressão alveolar no final da inspiração. A driving pressure é um marcador prognóstico importante: valores > 15 cmH₂O associam-se a maior mortalidade.

A pegadinha central desta questão é a classificação da SDRA: o candidato pode calcular a relação PaO₂/FiO₂ e errar ao não considerar que, com FiO₂ 100%, a relação 90 classifica como grave, não moderada. Além disso, a alternativa C troca a pressão de platô pela pressão de pico no cálculo da driving pressure — uma inversão clássica de termos.

Guarde o tripé da ventilação protetora: volume corrente baixo (≤ 6 mL/kg), pressão de platô ≤ 30 cmH₂O e driving pressure ≤ 15 cmH₂O. É exatamente nesses três pilares que as alternativas se dividem.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A classificação está errada. Com PaO₂ 90 mmHg e FiO₂ 100%, a relação PaO₂/FiO₂ é 90, o que caracteriza SDRA grave (relação < 100), não moderada (100–200). A banca explora o erro de não calcular a relação ou de considerar o valor de PaO₂ isoladamente.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ventilação protetora com volume corrente de até 6 mL/kg de peso predito é a recomendação padrão para SDRA, conforme o estudo ARDSNet e as diretrizes da ATS/AMIB. O objetivo é evitar a lesão pulmonar induzida pelo ventilador (volutrauma, barotrauma, atelectrauma), mantendo a pressão de platô ≤ 30 cmH₂O.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A driving pressure é calculada subtraindo-se a PEEP da pressão de platô (Pplatô − PEEP), não da pressão de pico. A pressão de pico reflete a resistência das vias aéreas e não representa a pressão alveolar; a pressão de platô, medida após uma pausa inspiratória, é a que importa para o cálculo da distensão alveolar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Na SDRA, adota-se a hipercapnia permissiva: não se busca normalizar a pCO₂ (35–45 mmHg), mas sim tolerar valores elevados desde que o pH se mantenha > 7,20. A prioridade é a proteção pulmonar, não a normocapnia. No caso, o pH é 7,22, ainda dentro do aceitável.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A posição prona é indicada (não contraindicada) em SDRA grave com hipoxemia refratária, especialmente com FiO₂ elevada. As diretrizes recomendam prona por mais de 12 horas em pacientes com PaO₂/FiO₂ < 150, pois melhora a oxigenação e reduz a mortalidade.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte termos e valores: (1) classifica a SDRA como moderada quando é grave (relação 90 < 100); (2) troca a pressão de platô pela pressão de pico no cálculo da driving pressure; (3) sugere normalizar a pCO₂, quando a conduta é hipercapnia permissiva; e (4) contraindica a prona, quando ela é justamente indicada na SDRA grave. Com treino, você identifica essas inversões de longe 💪.

PEGA ESSA DICA!

Para SDRA, memorize o tripé: Vt ≤ 6 mL/kg, Pplatô ≤ 30 cmH₂O, driving pressure ≤ 15 cmH₂O. E para classificar a gravidade, sempre calcule a relação PaO₂/FiO₂: leve 200–300, moderada 100–200, grave < 100. A prona é para grave (PaO₂/FiO₂ < 150).

Gabarito: letra B

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