Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FUNDATEC 2026
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
qg684659
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina de Emergência/UPA)
Sobre as emergências hipertensivas na gestação, é correto afirmar que:
AA pré-eclâmpsia é caracterizada por hipertensão gestacional associada à proteinúria a partir de 16 semanas de gestação.
BPessoas diagnosticadas com pré-eclâmpsia podem ser liberadas para acompanhamento ambulatorial após otimização de anti-hipertensivos orais.
CA infusão de gluconato de cálcio está indicada em pacientes que apresentam depressão respiratória durante uso de sulfato de magnésio.
DA redução agressiva da pressão arterial para níveis normais deve ser realizada imediatamente em todos os casos de pré-eclâmpsia, independentemente da gravidade clínica.
EA hidralazina é contraindicada no tratamento das emergências hipertensivas da gestação, devendo ser evitada em qualquer situação.
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GabaritoC — A infusão de gluconato de cálcio está indicada em pacientes que apresentam depressão respiratória durante uso de sulfato de magnésio.
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Emergências hipertensivas na gestação: manejo e condutas
Gabarito: letra C. A infusão de gluconato de cálcio é o antídoto indicado para reverter a depressão respiratória causada pela intoxicação por sulfato de magnésio, droga de escolha na profilaxia e tratamento da eclâmpsia. As demais alternativas distorcem conceitos fundamentais: a pré-eclâmpsia se define a partir de 20 semanas (não 16), exige internação quando há critérios de gravidade (não liberação ambulatorial), a redução da PA deve ser gradual e controlada (não agressiva para níveis normais), e a hidralazina é, na verdade, uma das drogas de primeira linha no manejo agudo.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome específica da gestação, caracterizada por hipertensão arterial (PAS ≥ 140 mmHg ou PAD ≥ 90 mmHg) associada a proteinúria ou disfunção de órgão-alvo, que se manifesta após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no mundo. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais, pois a doença pode evoluir para formas graves, como a eclâmpsia (convulsões) e a síndrome HELLP.
O tratamento da pré-eclâmpsia depende da gravidade. Nos casos sem critérios de gravidade, o acompanhamento pode ser ambulatorial, com monitorização rigorosa. Já nos casos com critérios de gravidade (PA ≥ 160x110 mmHg, sintomas neurológicos, disfunção de órgão-alvo), a internação é obrigatória. O sulfato de magnésio é a droga de escolha para prevenção e tratamento de convulsões, mas seu uso requer monitorização cuidadosa, pois a intoxicação por magnésio pode causar depressão respiratória, hiporreflexia e parada cardíaca. O antídoto é o gluconato de cálcio, que deve ser administrado imediatamente.
O manejo da crise hipertensiva na gestação envolve drogas como hidralazina venosa, nifedipina oral e labetalol. A redução da pressão arterial deve ser gradual, evitando-se quedas bruscas que possam comprometer a perfusão placentária. A hidralazina é uma das drogas de primeira linha, e não é contraindicada. A conduta correta em emergências hipertensivas é fundamental para reduzir a morbimortalidade materna e fetal.
A banca explora a confusão entre os conceitos de pré-eclâmpsia, eclâmpsia e crise hipertensiva, além de testar o conhecimento sobre as drogas utilizadas e seus antídotos. É essencial dominar os critérios diagnósticos, os sinais de gravidade e o manejo farmacológico para responder corretamente a questões sobre este tema.
Emergências hipertensivas na gestação: Pré-eclâmpsia (≥ 20 semanas, PAS ≥ 140 ou PAD ≥ 90, Proteinúria ou disfunção de órgão-alvo); Manejo (Sem gravidade → [+] ambulatorial, Com gravidade → [-] internação, Crise hipertensiva → redução gradual da PA); Sulfato de magnésio (Prevenção/tratamento de convulsões, Intoxicação → depressão respiratória, Antídoto: gluconato de cálcio); Drogas de 1ª linha (Hidralazina venosa, Nifedipina oral, Labetalol)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A pré-eclâmpsia é definida por hipertensão gestacional associada à proteinúria ou disfunção de órgão-alvo, mas o marco temporal é a 20ª semana de gestação, não a 16ª. A alternativa erra ao antecipar o período de início da doença. A hipertensão que surge antes de 20 semanas geralmente indica hipertensão crônica ou doença renal prévia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Pacientes com pré-eclâmpsia com critérios de gravidade não podem ser liberadas para acompanhamento ambulatorial; elas demandam internação de urgência para monitorização materna e fetal. A liberação ambulatorial só é possível em casos sem critérios de gravidade, após avaliação criteriosa. A alternativa generaliza a conduta, ignorando a gravidade da doença.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A infusão de gluconato de cálcio é o antídoto para a intoxicação por sulfato de magnésio, que pode causar depressão respiratória, perda de reflexos e parada cardíaca. O cálcio antagoniza os efeitos do magnésio, revertendo a depressão respiratória. Esta é a conduta correta e imediata em casos de intoxicação por magnésio.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A redução da pressão arterial na pré-eclâmpsia deve ser gradual e controlada, não agressiva para níveis normais. Quedas bruscas da PA podem comprometer a perfusão placentária e causar sofrimento fetal. O objetivo é reduzir a PA para níveis seguros (PAS 140-150 mmHg, PAD 90-100 mmHg), não para níveis normais. A alternativa contraria as diretrizes de manejo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A hidralazina é uma das drogas de primeira linha no tratamento das emergências hipertensivas na gestação, sendo recomendada por diretrizes nacionais e internacionais. Ela não é contraindicada; pelo contrário, é amplamente utilizada no manejo agudo da crise hipertensiva. A alternativa inverte completamente a recomendação.