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Questão de Medicina — Hematologia — FUNDATEC 2026

MedicinaHematologia
Código
qg684665
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Medicina de Emergência/UPA)
Homem, 52 anos, em tratamento quimioterápico para linfoma não Hodgkin, comparece ao pronto atendimento com febre há 8 horas, temperatura máxima de 38,6° C, associada a mal-estar, calafrios e fraqueza. Nega tosse, disúria ou dor abdominal. Sua última sessão de quimioterapia ocorreu há 7 dias. Exames laboratoriais evidenciam leucócitos de 800/mm³, com neutrófilos de 200/mm³. Considerando o diagnóstico de neutropenia febril, é correto afirmar que:
  1. APacientes neutropênicos e estáveis devem iniciar cobertura antibiótica de amplo espectro mesmo na ausência de febre.
  2. BA cobertura antifúngica deve ser iniciada em todos os casos juntamente com antibioticoterapia de amplo espectro.
  3. CA escala de estratificação de risco CISNE (Clinical Index of Stable Febrile Neutropenia) é aplicada nos pacientes estáveis que não foram classificados como baixo risco na escala MASCC (Multinational Association for Supportive Care in Cancer).
  4. DO esquema inicial de tratamento antibiótico deve apresentar cobertura antipseudomonas.
  5. EOs pacientes em tratamento para neutropenia febril devem sempre ser internados em unidade monitorizada.
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GabaritoD — O esquema inicial de tratamento antibiótico deve apresentar cobertura antipseudomonas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Neutropenia Febril: manejo inicial e estratificação de risco

Gabarito: letra D. Na neutropenia febril, o esquema antibiótico empírico inicial deve, obrigatoriamente, incluir cobertura contra Pseudomonas aeruginosa, pois é o principal bacilo Gram-negativo envolvido e está associado a alta mortalidade — essa é a recomendação das diretrizes da IDSA/ASCO. As demais alternativas erram ao generalizar condutas (antifúngico para todos, internação sempre) ou ao inverter a lógica das escalas de risco (CISNE é usado para reclassificar pacientes que o MASCC não considerou de baixo risco).

A neutropenia febril é uma emergência oncológica definida pela ocorrência de febre (temperatura oral ≥ 38,3°C em uma única medida, ou ≥ 38,0°C sustentada por pelo menos uma hora) em paciente com contagem absoluta de neutrófilos (CAN) < 500 células/µL, ou com expectativa de queda abaixo desse valor nas próximas 48 horas. No caso do enunciado, o paciente tem CAN de 200/mm³ (ou seja, 200 células/µL) e febre de 38,6°C — preenche os critérios diagnósticos. A neutropenia profunda (≤ 100 células/µL) é ainda mais grave, mas não é o caso aqui.

O risco de infecção aumenta substancialmente quando a CAN cai abaixo de 500/µL, e os agentes mais comuns são bactérias da flora endógena, com predomínio histórico de bacilos Gram-negativos — entre eles, a Pseudomonas aeruginosa é o principal. Por isso, a terapia empírica inicial deve conter um antibiótico ou combinação com boa atividade antipseudomonas, sendo usualmente recomendada a monoterapia com cefepime. A primeira dose deve ser administrada dentro de 1 hora da apresentação no departamento de emergência.

A conduta não é uniforme: depende da estratificação de risco. A escala MASCC (Multinational Association for Supportive Care in Cancer) identifica pacientes de baixo risco (pontuação ≥ 21), que podem ser candidatos a tratamento oral ou ambulatorial. Já a escala CISNE (Clinical Index of Stable Febrile Neutropenia) é aplicada justamente nos pacientes que parecem estáveis, mas que não foram classificados como baixo risco pelo MASCC — ela refina a avaliação, identificando aqueles com risco oculto de complicações graves. A alternativa C inverte essa lógica, afirmando que o CISNE é aplicado nos pacientes que foram classificados como baixo risco — o que está errado.

A terapia antifúngica empírica não é indicada para todos os casos. Ela deve ser considerada apenas se houver persistência de febre após 4 a 7 dias de antibioticoterapia de amplo espectro, em pacientes com expectativa de neutropenia > 7 dias e cuja reavaliação não tenha identificado a causa da febre. Iniciar antifúngico junto com o antibiótico, de rotina, é conduta inadequada e aumenta custos e toxicidade sem benefício comprovado.

Quanto à internação, nem todo paciente com neutropenia febril precisa ser internado em unidade monitorizada. Pacientes de baixo risco (MASCC ≥ 21, sem comorbidades significativas, sem instabilidade hemodinâmica) podem ser tratados ambulatorialmente ou em enfermaria comum, com antibioticoterapia oral ou intravenosa. A internação em UTI é reservada para casos graves, com sepse, choque ou disfunção orgânica.

A alternativa A também está incorreta: a antibioticoterapia empírica é indicada na presença de febre, não na sua ausência. Pacientes neutropênicos sem febre não devem receber antibiótico de rotina, salvo em situações específicas de profilaxia (como após transplante de medula óssea), que não se aplicam ao caso.

Guarde a fronteira entre as escalas e as indicações precisas: é exatamente nelas que as alternativas se dividem.

Critério

Conduta correta

Conduta incorreta (alternativas)

Antibioticoterapia empírica

Iniciar na presença de febre, com cobertura antipseudomonas (ex.: cefepime)

Iniciar na ausência de febre (A)

Cobertura antifúngica

Considerar apenas se febre persistir por 4–7 dias de antibiótico, com neutropenia > 7 dias

Iniciar de rotina junto com antibiótico (B)

Escala de risco

MASCC ≥ 21 = baixo risco; CISNE aplicado em estáveis não classificados como baixo risco pelo MASCC

CISNE aplicado em pacientes já classificados como baixo risco (C)

Local de tratamento

Baixo risco pode ser ambulatorial ou enfermaria comum; UTI para sepse/choque

Internação sempre em unidade monitorizada (E)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A antibioticoterapia empírica de amplo espectro é indicada na presença de febre (ou sinais de infecção), não na sua ausência. Pacientes neutropênicos estáveis e sem febre não devem receber antibiótico de rotina — isso seria uso indiscriminado, com risco de seleção de resistência e toxicidade. A conduta correta é monitorar e tratar apenas se surgir febre ou outro sinal de infecção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A cobertura antifúngica empírica não é indicada para todos os casos. Ela deve ser considerada apenas se a febre persistir por 4 a 7 dias de antibioticoterapia de amplo espectro, em pacientes com expectativa de neutropenia > 7 dias e sem causa identificada. Iniciar antifúngico junto com o antibiótico, de rotina, é conduta inadequada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A escala CISNE é aplicada em pacientes que não foram classificados como baixo risco pelo MASCC, mas que parecem clinicamente estáveis. Ela serve para refinar a estratificação, identificando risco oculto de complicações. A alternativa inverte essa lógica, afirmando que o CISNE é usado nos pacientes já classificados como baixo risco — o que está errado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O esquema antibiótico empírico inicial na neutropenia febril deve, obrigatoriamente, incluir cobertura contra Pseudomonas aeruginosa, o principal bacilo Gram-negativo envolvido. A monoterapia com cefepime é a opção usual, mas outras combinações com atividade antipseudomonas (como piperacilina-tazobactam ou carbapenêmicos) também são aceitáveis. Essa é uma recomendação central das diretrizes da IDSA/ASCO.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Nem todo paciente com neutropenia febril precisa ser internado em unidade monitorizada (UTI). Pacientes de baixo risco (MASCC ≥ 21, sem instabilidade hemodinâmica, sem comorbidades graves) podem ser tratados ambulatorialmente ou em enfermaria comum. A internação em UTI é reservada para casos graves, com sepse, choque ou disfunção orgânica.

Gabarito: letra D — a única afirmação correta é a que exige cobertura antipseudomonas no esquema antibiótico inicial.

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