Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg684703
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neonatologia)
Qual é a recomendação correta sobre a periodicidade das consultas de seguimento ambulatorial para um RNPT de alto risco após a alta hospitalar?
AA primeira consulta deve ser realizada um mês após a alta hospitalar.
BAs revisões devem ser mensais até os 6 meses de idade corrigida, seguidas de revisões trimestrais até os 2 anos de idade.
CNão há necessidade de revisão após os 6 meses de idade corrigida se o ganho ponderal e o desenvolvimento estão dentro do esperado.
DConsultas devem ser agendadas sem considerar o ganho ponderal ou o desenvolvimento observado.
EÉ recomendado que todas as revisões ocorram semestralmente até a puberdade.
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GabaritoB — As revisões devem ser mensais até os 6 meses de idade corrigida, seguidas de revisões trimestrais até os 2 anos de idade.
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Seguimento ambulatorial do recém-nascido pré-termo de alto risco
Gabarito: letra B. A recomendação correta é que as revisões sejam mensais até os 6 meses de idade corrigida e, depois, trimestrais até os 2 anos — é o esquema de periodicidade que a literatura e os protocolos de seguimento do prematuro de alto risco adotam. As demais alternativas erram ao alongar o intervalo inicial, dispensar o seguimento precocemente ou ignorar a avaliação do ganho ponderal e do desenvolvimento.
O recém-nascido pré-termo (RNPT) de alto risco é aquele que, além da prematuridade, apresenta condições que aumentam a chance de morbidades — como muito baixo peso ao nascer, necessidade de ventilação mecânica, displasia broncopulmonar, asfixia perinatal, entre outras. Após a alta hospitalar, esse bebê não pode ser tratado como um recém-nascido a termo saudável: ele exige um programa de seguimento ambulatorial estruturado, com consultas frequentes e avaliação sistemática do crescimento, do desenvolvimento neuropsicomotor, do estado nutricional e das intercorrências clínicas.
A lógica por trás da periodicidade é simples: nos primeiros meses de vida, o cérebro e o organismo do prematuro estão em fase crítica de maturação e de recuperação — é o período de maior vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, de maior potencial de intervenção. Por isso, as consultas são mensais no início. À medida que o bebê cresce e os riscos diminuem, os intervalos podem ser espaçados — daí a passagem para revisões trimestrais. O marco de 6 meses de idade corrigida e o limite de 2 anos não são arbitrários: refletem o período em que a maioria dos problemas relacionados à prematuridade se manifesta e pode ser manejada precocemente.
Um ponto central é o uso da idade corrigida — calculada subtraindo-se as semanas de prematuridade da idade cronológica. Por exemplo, um bebê nascido com 32 semanas (8 semanas antes do termo) e que hoje tem 4 meses de vida cronológica tem idade corrigida de aproximadamente 2 meses. É com base nessa idade corrigida que se avaliam o crescimento e o desenvolvimento, pois o prematuro não pode ser comparado a um bebê a termo da mesma idade cronológica. A alternativa B respeita exatamente esse conceito ao fixar os marcos em idade corrigida.
A pegadinha que a banca explora aqui é dupla: primeiro, a tentação de achar que a primeira consulta pode esperar um mês (alternativa A) — quando, na prática, o ideal é que ela ocorra bem antes, geralmente em 7 a 10 dias após a alta, para avaliar a adaptação do bebê ao domicílio, a amamentação e o ganho de peso. Segundo, a ideia de que, se o bebê está bem, pode-se dispensar o seguimento (alternativa C) — o que é perigoso, pois muitos problemas do prematuro (como alterações auditivas, visuais e do desenvolvimento) podem não ser evidentes nas primeiras consultas e só aparecem com o tempo. O seguimento regular é justamente para captar esses problemas precocemente.
Guarde o esquema: mensal até 6 meses de idade corrigida → trimestral até 2 anos. É esse o critério que separa a alternativa correta das demais — e é nele que a análise abaixo se ancora.
11ª consulta: 7-10 dias após alta
2Mensal até 6 meses (idade corrigida)
3Trimestral até 2 anos
4Anual após 2 anos
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a primeira consulta deve ocorrer um mês após a alta. Esse intervalo é longo demais para um RNPT de alto risco. A recomendação usual é que a primeira consulta de seguimento ocorra em torno de 7 a 10 dias após a alta hospitalar, para avaliar precocemente a adaptação domiciliar, a alimentação, o ganho de peso e a icterícia, entre outros aspectos. Esperar um mês pode atrasar a detecção de problemas que exigem intervenção imediata.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta é a recomendação correta: revisões mensais até os 6 meses de idade corrigida, seguidas de revisões trimestrais até os 2 anos. Esse esquema reflete a necessidade de acompanhamento intensivo nos primeiros meses — período de maior vulnerabilidade e de maior potencial de intervenção — e o espaçamento gradual das consultas conforme o risco diminui. O uso da idade corrigida é essencial para avaliar adequadamente o crescimento e o desenvolvimento do prematuro.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Dispensa o seguimento após os 6 meses de idade corrigida se o ganho ponderal e o desenvolvimento estiverem dentro do esperado. Isso é um erro grave: mesmo um prematuro que esteja evoluindo bem pode apresentar problemas tardios — como alterações auditivas, visuais, ortopédicas e de desenvolvimento neuropsicomotor — que só se manifestam após os 6 meses. O seguimento até os 2 anos existe justamente para monitorar essas possibilidades e intervir precocemente. A boa evolução atual não elimina o risco futuro.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que as consultas devem ser agendadas sem considerar o ganho ponderal ou o desenvolvimento observado. Isso contraria o princípio básico do seguimento do prematuro: a periodicidade e a conduta em cada consulta devem ser individualizadas com base justamente na avaliação do crescimento, do estado nutricional e do desenvolvimento neuropsicomotor. Um bebê com ganho de peso insuficiente ou atraso no desenvolvimento pode precisar de consultas mais frequentes, não de um calendário fixo que ignore esses dados.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Recomenda revisões semestrais até a puberdade. Esse intervalo é excessivamente espaçado para os primeiros anos de vida do prematuro, que é exatamente o período de maior risco e de maior necessidade de acompanhamento próximo. O esquema correto é mensal até 6 meses de idade corrigida e trimestral até 2 anos; após os 2 anos, o seguimento pode ser anual, como na puericultura habitual, mas não semestral até a puberdade. A alternativa confunde o seguimento intensivo inicial com o acompanhamento de rotina da criança maior.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas confusões clássicas: (1) achar que a primeira consulta pode esperar um mês — quando o ideal é que ocorra em cerca de 7 a 10 dias após a alta; e (2) acreditar que, se o bebê está bem, o seguimento pode ser dispensado — quando o acompanhamento regular existe justamente para detectar problemas que ainda não se manifestaram. Fique atento: o seguimento do prematuro de alto risco é intensivo no início e vai se espaçando gradualmente, mas nunca é dispensado precocemente.
NÃO CAIA NESSA!
Para fixar o esquema, lembre-se da progressão: mensal até 6 meses de idade corrigida → trimestral até 2 anos. Na prova, desconfie de alternativas que alonguem o intervalo inicial, dispensem o seguimento cedo ou ignorem a avaliação do crescimento e do desenvolvimento — todas essas são armadilhas típicas.