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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
qg684712
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neonatologia)
No diagnóstico da sepse tardia em recém-nascidos, é correto afirmar que a procalcitonina (PCT):
  1. AÉ um marcador altamente específico, com especificidade de 90%.
  2. BTem uma meia-vida prolongada de 15 a 20 horas, o que limita sua utilização no monitoramento da resposta ao tratamento.
  3. CIsoladamente, é um bom marcador para o diagnóstico de infecção em recém-nascidos.
  4. DPode ser detectada precocemente, entre 2 e 4 horas após o início da infecção.
  5. EAtinge seu pico de concentração em 48 horas após o início dos sintomas de sepse.
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GabaritoD — Pode ser detectada precocemente, entre 2 e 4 horas após o início da infecção.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Procalcitonina na sepse neonatal tardia

Gabarito: letra D. A procalcitonina (PCT) é um biomarcador que pode ser detectado precocemente, entre 2 e 4 horas após o início da infecção, o que a torna útil no diagnóstico precoce da sepse neonatal tardia. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre especificidade, meia-vida, valor isolado e tempo de pico.

A procalcitonina é um pró-hormônio da calcitonina, produzido principalmente pelas células C da tireoide em condições normais, mas que em resposta a estímulos bacterianos é liberada por diversos tecidos, especialmente fígado e células mononucleares. Esse aumento é mediado por citocinas pró-inflamatóricas, como TNF-α e IL-6, e ocorre de forma rápida e precoce, o que a diferencia de outros marcadores como a proteína C reativa (PCR), que demora mais para se elevar.

A cinética da PCT é um dos seus principais atrativos clínicos: ela começa a subir entre 2 e 4 horas após o estímulo infeccioso, atinge o pico em cerca de 12 a 24 horas e, com o controle da infecção, declina rapidamente, com meia-vida de aproximadamente 20 a 24 horas. Essa dinâmica permite tanto o diagnóstico precoce quanto o monitoramento da resposta ao tratamento, pois a queda dos níveis séricos acompanha a melhora clínica.

Na sepse neonatal, especialmente na forma tardia (que ocorre após 72 horas de vida, geralmente por infecção adquirida no ambiente hospitalar), a PCT tem sido estudada como um marcador auxiliar. No entanto, é fundamental entender que ela não é um marcador isolado e perfeito: sua especificidade é limitada, pois pode se elevar em condições não infecciosas, como síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SIRS) de outras causas, asfixia perinatal, desconforto respiratório e até mesmo no período pós-operatório. Por isso, a interpretação deve ser sempre contextualizada com a clínica e outros exames.

A grande pegadinha desta questão está em atribuir à PCT características que não correspondem à sua realidade clínica: especificidade de 90% (na verdade, ela é moderadamente específica, mas não chega a esse valor de forma consistente), meia-vida prolongada (na verdade, é relativamente curta, permitindo monitoramento), valor isolado como bom marcador (na verdade, deve ser interpretada em conjunto) e pico em 48 horas (na verdade, o pico ocorre mais cedo, entre 12 e 24 horas). A alternativa D, que fala da detecção precoce entre 2 e 4 horas, é a que reflete corretamente a cinética da PCT.

Guarde a cinética da PCT como o critério decisivo: elevação precoce (2-4h), pico em 12-24h e meia-vida curta. É exatamente nesses números que as alternativas se dividem.

  1. 2-4hInício da elevação
  2. 12-24hPico sérico
  3. 20-24hMeia-vida (queda)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a PCT é um marcador altamente específico, com especificidade de 90%. Esse valor é exagerado e não corresponde à realidade clínica. A PCT tem especificidade moderada, mas não chega a 90% de forma consistente, especialmente em recém-nascidos, onde condições não infecciosas podem elevar seus níveis. A banca tenta confundir o candidato com um número aparentemente plausível, mas que não é sustentado pela literatura.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a PCT tem meia-vida prolongada de 15 a 20 horas, o que limitaria seu uso no monitoramento. Na verdade, a meia-vida da PCT é de aproximadamente 20 a 24 horas, o que é considerado relativamente curto e permite o monitoramento da resposta ao tratamento. A alternativa inverte o conceito: a meia-vida não é tão prolongada a ponto de limitar o uso, e sim adequada para acompanhar a evolução clínica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a PCT, isoladamente, é um bom marcador para o diagnóstico de infecção em recém-nascidos. Isso é incorreto porque a PCT não deve ser usada isoladamente; ela deve ser interpretada em conjunto com a clínica, outros biomarcadores (como PCR) e exames microbiológicos. A especificidade limitada e a possibilidade de elevação em condições não infecciosas tornam o uso isolado inadequado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a PCT pode ser detectada precocemente, entre 2 e 4 horas após o início da infecção. Isso está correto e reflete a cinética da PCT: ela começa a se elevar rapidamente após o estímulo infeccioso, o que a torna útil para o diagnóstico precoce da sepse neonatal tardia. Essa é a característica que a diferencia de outros marcadores, como a PCR, que demora mais para se elevar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a PCT atinge seu pico de concentração em 48 horas após o início dos sintomas de sepse. Na verdade, o pico ocorre mais cedo, geralmente entre 12 e 24 horas após o início da infecção. A alternativa superestima o tempo de pico, o que pode levar a uma interpretação equivocada da cinética do marcador.

A regra de ouro para a prova: a PCT é um marcador de elevação precoce (2-4h), com pico em 12-24h e meia-vida curta, o que a torna útil tanto para diagnóstico precoce quanto para monitoramento. Ela não é específica o suficiente para ser usada isoladamente, e seu valor deve ser sempre interpretado no contexto clínico.

Gabarito: letra D

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