Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg684721
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neonatologia)
Em relação à transferência de fármacos para o leite materno e às características que influenciam essa excreção, é correto afirmar que:
AFármacos com elevada capacidade de ligação às proteínas plasmáticas têm maior probabilidade de serem transferidos para o leite materno.
BA transferência de fármacos para o leite materno é facilitada por substâncias com baixo peso molecular e baixa lipossolubilidade.
CA forma ionizada de um fármaco favorece sua excreção no leite materno.
DFármacos com elevada meia-vida de eliminação são menos propensos a serem concentrados no leite materno.
EApós cinco meias-vidas de eliminação de um fármaco, aproximadamente 96,5% dele é eliminado do organismo, o que torna seguro retomar a amamentação.
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GabaritoE — Após cinco meias-vidas de eliminação de um fármaco, aproximadamente 96,5% dele é eliminado do organismo, o que torna seguro retomar a amamentação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Transferência de fármacos para o leite materno
Gabarito: letra E. A alternativa correta é a que afirma que, após cinco meias-vidas de eliminação, aproximadamente 96,5% do fármaco é eliminado do organismo, tornando seguro retomar a amamentação. Esse é um princípio farmacocinético fundamental: após cinco meias-vidas, a concentração plasmática do fármaco atinge o estado de equilíbrio (steady state) e, ao interromper a administração, a eliminação segue a mesma cinética, restando apenas cerca de 3,5% da concentração inicial. As demais alternativas invertem ou distorcem as características que influenciam a excreção de fármacos no leite materno.
A transferência de fármacos do plasma materno para o leite ocorre principalmente por difusão passiva, um processo que depende do gradiente de concentração entre os dois compartimentos. O nível plasmático do fármaco na mãe é o fator mais importante, mas diversas características físico-químicas determinam a extensão dessa passagem. Compreender essas características é essencial para avaliar a segurança da amamentação durante o uso de medicamentos.
As principais características que favorecem a transferência de fármacos para o leite materno são:
Baixo peso molecular: moléculas menores difundem mais facilmente através das membranas biológicas.
Alta lipossolubilidade: substâncias lipossolúveis atravessam as membranas com maior facilidade e tendem a se concentrar no leite.
Baixa ligação a proteínas plasmáticas: fármacos fortemente ligados a proteínas (como varfarina e AINEs) permanecem no plasma e passam em menor quantidade para o leite.
Forma não ionizada: substâncias não ionizadas atravessam as membranas em maior quantidade, enquanto a forma ionizada fica retida no compartimento de origem.
pH do leite (levemente ácido): fármacos levemente alcalinos tendem a se concentrar no leite, enquanto os levemente ácidos permanecem mais no plasma.
Além disso, fatores como via de administração, dose, intervalo entre doses, duração do tratamento e meia-vida do fármaco influenciam a concentração no leite. Quanto maior a meia-vida, maior o risco de acúmulo tanto na mãe quanto na criança.
A meia-vida de eliminação é o tempo necessário para que a concentração plasmática do fármaco seja reduzida à metade. Após cinco meias-vidas, aproximadamente 96,5% do fármaco é eliminado do organismo, restando apenas cerca de 3,5% da concentração inicial. Esse é o princípio que fundamenta a alternativa E: após esse período, a exposição da criança ao fármaco via leite materno é considerada clinicamente insignificante, tornando seguro retomar a amamentação.
A pegadinha desta questão está na inversão das características que favorecem a transferência: a banca troca "baixa ligação a proteínas" por "elevada", "lipossolubilidade" por "baixa lipossolubilidade", e "forma não ionizada" por "forma ionizada". O candidato que não domina os princípios de difusão passiva pode facilmente cair nessas inversões.
Guarde a fronteira entre as características que favorecem e as que dificultam a passagem de fármacos para o leite materno: é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Característica
Favorece a transferência para o leite materno
Dificulta a transferência para o leite materno
Peso molecular
Baixo
Alto
Lipossolubilidade
Alta
Baixa
Ligação a proteínas plasmáticas
Baixa
Elevada
Estado de ionização
Não ionizada
Ionizada
Meia-vida de eliminação
Curta (menor acúmulo)
Longa (maior acúmulo)
Transferência para o leite materno
1Favorecem a passagem
Baixo peso molecular
Alta lipossolubilidade
Baixa ligação a proteínas
Forma não ionizada
2Dificultam a passagem
Alto peso molecular
Baixa lipossolubilidade
Alta ligação a proteínas
Forma ionizada
3Meia-vida de eliminação
Após 5 meias-vidas
~96,5% eliminado
Seguro amamentar
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que fármacos com elevada capacidade de ligação às proteínas plasmáticas têm maior probabilidade de serem transferidos para o leite materno. Isso está invertido: fármacos fortemente ligados a proteínas plasmáticas (como varfarina e AINEs) permanecem no plasma e passam em menor quantidade para o leite. A baixa ligação a proteínas é que favorece a transferência, pois há maior fração livre do fármaco disponível para difundir.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a transferência é facilitada por substâncias com baixo peso molecular e baixa lipossolubilidade. O erro está na lipossolubilidade: substâncias lipossolúveis (não a baixa lipossolubilidade) atravessam as membranas biológicas com maior facilidade e se concentram no leite materno. O baixo peso molecular está correto, mas a baixa lipossolubilidade torna a afirmação incorreta.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a forma ionizada de um fármaco favorece sua excreção no leite materno. Isso está invertido: substâncias não ionizadas atravessam as membranas biológicas em maior quantidade. A forma ionizada fica retida no compartimento de origem (plasma ou leite), dificultando a passagem. O pH do leite (levemente ácido) faz com que fármacos levemente alcalinos se concentrem no leite, mas isso ocorre porque eles estão na forma não ionizada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que fármacos com elevada meia-vida de eliminação são menos propensos a serem concentrados no leite materno. Isso está invertido: quanto maior a meia-vida, maior é o risco de acúmulo tanto na mãe quanto na criança, pois o fármaco permanece por mais tempo no organismo. Fármacos com meia-vida curta são eliminados mais rapidamente e, portanto, menos propensos a se acumular no leite.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que, após cinco meias-vidas de eliminação, aproximadamente 96,5% do fármaco é eliminado do organismo, tornando seguro retomar a amamentação. Esse é um princípio farmacocinético fundamental: a cada meia-vida, a concentração plasmática é reduzida à metade. Após cinco meias-vidas, a concentração restante é de aproximadamente 3,5% (100% → 50% → 25% → 12,5% → 6,25% → 3,125%), ou seja, cerca de 96,5% do fármaco foi eliminado. Nesse ponto, a exposição da criança via leite materno é clinicamente insignificante, tornando seguro retomar a amamentação.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre transferência de fármacos para o leite materno, memorize o perfil que favorece a passagem: baixo peso molecular, alta lipossolubilidade, baixa ligação a proteínas, forma não ionizada e pH alcalino (em relação ao leite). As bancas adoram inverter essas características — se a alternativa diz o oposto, está errada. E lembre-se: após cinco meias-vidas, ~96,5% do fármaco é eliminado, o que é o critério prático para retomar a amamentação com segurança.