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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg684729
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurocirurgia Vascular)
Uma paciente de 28 anos realiza ressonância magnética (RM) de crânio para investigação de cefaleia e descobre incidentalmente três lesões cavernosas em diferentes lobos cerebrais, todas assintomáticas. A anamnese revela que seu pai teve diagnóstico de “tumores vasculares” cerebrais e faleceu de AVC hemorrágico aos 52 anos. A ressonância magnética confirma lesões com núcleo de sinal misto e halo de hemossiderina, sem realce pelo contraste. Sobre o provável diagnóstico, é correto afirmar que:
  1. ACavernomas múltiplos indicam a presença da síndrome de Von-Hippel-Lindau, sendo imperioso investigar a presença concomitante de hemangioblastoma cerebelar e carcinoma renal.
  2. BMalformações cavernosas múltiplas têm alto risco de transformação maligna, sendo a radiocirurgia estereotáxica a conduta de escolha para prevenir progressão neoplásica sem necessidade de acesso cirúrgico.
  3. CDiferentemente das malformações arteriovenosas (MAVs), a lesão cavernomatosa possui tecido cerebral funcionante no seu interior, motivo de a ressecção completa possuir um risco elevado de morbidade.
  4. DCavernomas múltiplos sugerem a forma familiar, sendo o gene CCM1 o responsável por aproximadamente metade das variantes encontradas de origem familiar
  5. ETratam-se de metástases hemorrágicas. Com isso, é necessária a investigação de lesão neoplásica primária e início de quimioterapia sistêmica.
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GabaritoD — Cavernomas múltiplos sugerem a forma familiar, sendo o gene CCM1 o responsável por aproximadamente metade das variantes encontradas de origem familiar

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Malformações cavernosas cerebrais: forma familiar e genética

Gabarito: letra D. A paciente apresenta múltiplos cavernomas cerebrais assintomáticos com história familiar de "tumores vasculares" e AVC hemorrágico precoce — quadro clássico de malformação cavernosa cerebral (MCC) familiar, na qual o gene CCM1 (KRIT1) é responsável por aproximadamente metade das variantes patogênicas identificadas. As demais alternativas erram ao associar a condição a outras síndromes, atribuir risco de transformação maligna ou sugerir que se trata de metástases hemorrágicas.

As malformações cavernosas cerebrais (MCCs), também chamadas cavernomas ou angiomas cavernosos, são malformações vasculares do sistema nervoso central caracterizadas por um aglomerado de vasos sanguíneos dilatados e de paredes finas, sem tecido cerebral interposto e sem parênquima neural funcionante em seu interior. Elas se apresentam em duas formas principais: esporádica (geralmente lesão única) e familiar (múltiplas lesões, herança autossômica dominante). A forma familiar é responsável por cerca de 20% dos casos e está associada a mutações em três genes principais: CCM1 (KRIT1), CCM2 (MGC4607) e CCM3 (PDCD10). O gene CCM1 é o mais frequentemente envolvido, sendo responsável por aproximadamente 50% das variantes patogênicas encontradas em famílias com MCC.

Na ressonância magnética, os cavernomas apresentam um padrão característico: núcleo de sinal heterogêneo (misto) devido a sangramentos em diferentes estágios de evolução, circundado por um halo de hipossinal em sequências de susceptibilidade magnética (T2*/SWI), correspondente à deposição de hemossiderina. Essas lesões não apresentam realce significativo pelo contraste, diferentemente de tumores ou metástases. O achado de múltiplas lesões em uma paciente jovem com história familiar positiva é altamente sugestivo de MCC familiar, e não de outras condições como síndrome de Von Hippel-Lindau (VHL) ou doença metastática.

O manejo dos cavernomas assintomáticos é conservador, com acompanhamento clínico e de imagem. A ressecção cirúrgica é reservada para lesões sintomáticas (epilepsia refratária, hemorragia recorrente) ou de alto risco. A radiocirurgia estereotáxica pode ser considerada em casos selecionados, mas não é a conduta de escolha para prevenção de progressão neoplásica, uma vez que os cavernomas não têm potencial de transformação maligna. O risco de hemorragia é o principal evento adverso, mas é relativamente baixo em lesões assintomáticas.

A distinção entre MCC e malformação arteriovenosa (MAV) é fundamental: enquanto a MAV possui um nidus com shunt arteriovenoso e tecido cerebral interposto, o cavernoma é uma lesão compacta, sem parênquima neural em seu interior e sem shunt de alto fluxo. Essa diferença estrutural explica por que a ressecção de um cavernoma, embora possa ser desafiadora, não acarreta o mesmo risco de morbidade que a ressecção de uma MAV, que envolve a remoção de tecido cerebral funcional.

A pegadinha central desta questão é a associação incorreta de múltiplos cavernomas com a síndrome de Von Hippel-Lindau (alternativa A) e com metástases hemorrágicas (alternativa E). A VHL é uma síndrome de predisposição tumoral que inclui hemangioblastomas cerebelares e da medula espinhal, carcinoma de células renais, feocromocitoma e tumores de saco endolinfático, mas não está associada a cavernomas cerebrais. Já as metástases hemorrágicas, embora possam apresentar halo de hemossiderina, geralmente mostram realce pelo contraste e são acompanhadas de edema vasogênico, além de ocorrerem em contexto clínico diferente (pacientes com neoplasia primária conhecida).

Guarde a fronteira entre MCC familiar e as demais condições vasculares e neoplásicas: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A presença de múltiplas lesões cavernosas com história familiar aponta para a forma genética, e o conhecimento dos genes envolvidos (CCM1, CCM2, CCM3) é o critério decisivo para a alternativa correta.

Característica

Cavernoma (MCC)

Malformação Arteriovenosa (MAV)

Tecido cerebral interposto

Ausente (lesão compacta)

Presente (nidus com parênquima)

Fluxo sanguíneo

Baixo fluxo, sem shunt

Alto fluxo, com shunt arteriovenoso

Risco de morbidade na ressecção

Menor (não remove tecido funcional)

Maior (remove tecido cerebral funcional)

Padrão de imagem na RM

Núcleo de sinal misto + halo de hemossiderina, sem realce

Nidus vascular com drenagem venosa precoce, possível realce

1Forma esporádica
Lesão única
2Forma familiar (autossômica dominante)
Múltiplas lesões
Gene CCM1 (KRIT1) — ~50%
Gene CCM2
Gene CCM3
3Características
Sem tecido cerebral interposto
Sem potencial maligno
Risco: hemorragia
4Conduta
Assintomática: conservador
Sintomática: cirurgia
Malformação cavernosa cerebral (MCC)
LEVELsoulevel.com.br
Malformação cavernosa cerebral (MCC): Forma esporádica (Lesão única); Forma familiar (autossômica dominante) (Múltiplas lesões, Gene CCM1 (KRIT1) — ~50%, Gene CCM2, Gene CCM3); Características (Sem tecido cerebral interposto, Sem potencial maligno, Risco: hemorragia); Conduta (Assintomática: conservador, Sintomática: cirurgia)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa associa erroneamente múltiplos cavernomas à síndrome de Von Hippel-Lindau (VHL). A VHL é uma síndrome autossômica dominante caracterizada por hemangioblastomas (cerebelares, de tronco, medulares), carcinoma de células renais, feocromocitoma e tumores de saco endolinfático. Os hemangioblastomas são lesões altamente vascularizadas, com nódulo mural realçante e cisto, e não apresentam o padrão de núcleo de sinal misto com halo de hemossiderina típico dos cavernomas. Não há associação entre VHL e malformações cavernosas cerebrais. A investigação de hemangioblastoma cerebelar e carcinoma renal é pertinente na VHL, mas não se aplica ao caso apresentado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que cavernomas múltiplos têm alto risco de transformação maligna e que a radiocirurgia estereotáxica é a conduta de escolha para prevenir progressão neoplásica. Isso é incorreto: cavernomas são malformações vasculares benignas, sem potencial de transformação maligna. O principal risco é hemorragia, que em lesões assintomáticas é baixo (cerca de 0,5-1% ao ano). A radiocirurgia estereotáxica pode ser considerada em casos selecionados de lesões sintomáticas ou com sangramento recorrente, mas não é a conduta de escolha para prevenção de progressão neoplásica, pois não há risco neoplásico a prevenir. O manejo padrão de cavernomas assintomáticos é conservador, com acompanhamento clínico e de imagem.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa inverte a anatomia patológica: afirma que o cavernoma possui tecido cerebral funcionante no seu interior, o que é falso. O cavernoma é uma lesão compacta, formada por canais vasculares dilatados e de paredes finas, sem parênquima neural interposto. Essa é uma diferença fundamental em relação à malformação arteriovenosa (MAV), que possui um nidus com tecido cerebral interposto entre os vasos. Justamente por não conter tecido cerebral funcionante, a ressecção cirúrgica de um cavernoma pode ser realizada com menor risco de déficit neurológico, embora a abordagem dependa da localização e da sintomatologia. A alternativa erra ao atribuir ao cavernoma a característica da MAV.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que cavernomas múltiplos sugerem a forma familiar e que o gene CCM1 é responsável por aproximadamente metade das variantes encontradas de origem familiar. A forma familiar de MCC é herdada de forma autossômica dominante e se manifesta com múltiplas lesões. Os três genes principais associados são CCM1 (KRIT1), CCM2 e CCM3, sendo o CCM1 o mais prevalente, responsável por cerca de 50% das variantes patogênicas familiares. O caso clínico apresentado — paciente jovem com múltiplas lesões cavernosas assintomáticas e história familiar de "tumores vasculares" e AVC hemorrágico — é altamente sugestivo de MCC familiar, tornando a alternativa D a mais adequada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa sugere que as lesões são metástases hemorrágicas e que é necessária investigação de neoplasia primária e início de quimioterapia sistêmica. Isso é incorreto por vários motivos: (1) as metástases hemorrágicas geralmente apresentam realce pelo contraste, edema vasogênico e ocorrem em pacientes com neoplasia primária conhecida ou com sintomas sistêmicos; (2) o padrão de imagem descrito — núcleo de sinal misto com halo de hemossiderina, sem realce — é típico de cavernoma, não de metástase; (3) a história familiar de lesões vasculares e AVC hemorrágico precoce aponta para uma condição genética, não para doença metastática. A conduta de quimioterapia sistêmica seria inadequada e potencialmente prejudicial em um paciente com MCC familiar assintomática.

Gabarito: letra D

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