Sobre a síndrome de Sturge-Weber, assinale a alternativa correta.
AÉ uma síndrome rara, que pode envolver o cérebro, a pele e os olhos, associada a tumores cerebrais.
BPor se tratar de uma alteração somática, exames moleculares de sangue periférico e saliva podem não detectar a alteração genética.
CO critério diagnóstico tem base em duas das três seguintes alterações: angiomatose leptomeningea; aumento da pressão intraocular; manchas do vinho do porto disseminadas pelo corpo.
DO tratamento de primeira linha para as convulsões consiste em lobectomia e hemisferectomia.
EO sintoma mais comum associado à doença é a presença de déficit neurológico focal.
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GabaritoB — Por se tratar de uma alteração somática, exames moleculares de sangue periférico e saliva podem não detectar a alteração genética.
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Síndrome de Sturge-Weber: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra B. A síndrome de Sturge-Weber (SSW) é causada por mutações somáticas no gene GNAQ, presentes apenas nos tecidos afetados (pele, cérebro e olhos), e não na linhagem germinativa — por isso, exames moleculares de sangue periférico e saliva podem não detectar a alteração genética. Essa é a base da alternativa correta, que explora a natureza somática (mosaicismo) da doença.
A SSW é uma síndrome neurocutânea rara, caracterizada por malformações vasculares que acometem pele, cérebro e olhos. É a terceira síndrome neurocutânea mais comum, depois da neurofibromatose tipo 1 (NF1) e do complexo da esclerose tuberosa (CET). A doença não é hereditária na maioria dos casos — ocorre de forma esporádica, por mutação somática (pós-zigótica) no gene GNAQ, que codifica uma proteína G envolvida no desenvolvimento vascular. Como a mutação está presente apenas em uma população de células (mosaicismo somático), o DNA extraído de sangue periférico ou saliva — que reflete a linhagem germinativa — pode não conter a alteração, tornando o diagnóstico molecular por esses materiais pouco sensível.
A apresentação clássica inclui a tríade: (1) mancha vinho do Porto na face, tipicamente na distribuição do nervo oftálmico (V1 do trigêmeo); (2) angiomatose leptomeníngea ipsilateral à mancha, geralmente na região occipital/posterior do hemisfério; e (3) glaucoma e/ou angioma de coroide no olho. As convulsões são o sintoma neurológico mais comum, frequentemente refratárias, e podem estar associadas a déficit neurológico focal, atraso do desenvolvimento e hemiparesia. O diagnóstico é clínico, confirmado por neuroimagem (ressonância magnética com contraste mostra a angiomatose leptomeníngea e atrofia cortical subjacente).
O tratamento é multidisciplinar: controle agressivo das convulsões com fármacos antiepilépticos; consideração de cirurgia de epilepsia (excisão de áreas epileptogênicas, lobectomia ou hemisferectomia) nos casos refratários; tratamento a laser das manchas faciais por razões estéticas; e rastreamento e tratamento do glaucoma. O uso profilático de ácido acetilsalicílico (AAS) para prevenção de acidente vascular encefálico é controverso.
A pegadinha central desta questão está em distinguir o que é critério diagnóstico, o que é tratamento de primeira linha e qual é o sintoma mais comum — e, principalmente, em reconhecer a implicação prática da mutação somática para o diagnóstico molecular. Guarde esses quatro eixos: eles são exatamente o que as alternativas tentam confundir.
Síndrome de Sturge-Weber: Genética (Mutação somática (GNAQ), Mosaicismo — sangue/saliva podem não detectar); Tríade clássica (Mancha vinho do Porto (V1), Angiomatose leptomeníngea, Glaucoma / angioma de coroide); Sintoma mais comum (Convulsões (frequentemente refratárias)); Tratamento (1ª linha: fármacos antiepilépticos, Refratários: cirurgia (lobectomia/hemisferectomia), Laser (manchas) e rastreio de glaucoma)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A SSW envolve cérebro, pele e olhos, mas não está associada a tumores cerebrais. As lesões são malformações vasculares (angiomatose leptomeníngea, mancha vinho do Porto, angioma de coroide), não neoplasias. A associação com tumores é típica de outras síndromes neurocutâneas, como a esclerose tuberosa (hamartomas, astrocitomas) e a NF1 (gliomas, neurofibromas). A banca troca o conceito de malformação vascular por neoplasia.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A SSW é causada por mutação somática no gene GNAQ, presente apenas nos tecidos afetados (pele, cérebro, olhos), e não na linhagem germinativa. Por isso, o DNA de sangue periférico e saliva — que reflete a linhagem germinativa — pode não conter a mutação, tornando o diagnóstico molecular por esses materiais pouco sensível. A alternativa está correta ao afirmar que, por se tratar de alteração somática, exames moleculares de sangue periférico e saliva podem não detectar a alteração genética.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O critério diagnóstico da SSW não se baseia em "duas de três" alterações com manchas disseminadas pelo corpo. O diagnóstico é estabelecido pela presença de mancha vinho do Porto na distribuição do nervo oftálmico (V1) com confirmação de angiomatose leptomeníngea por neuroimagem. A mancha é facial, não disseminada pelo corpo, e o glaucoma é uma complicação ocular frequente, não um critério diagnóstico primário. A banca distorce os critérios diagnósticos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O tratamento de primeira linha para as convulsões na SSW é farmacológico, com fármacos antiepilépticos. A cirurgia (lobectomia, hemisferectomia) é considerada apenas nos casos refratários ao tratamento medicamentoso, como opção para excisão de áreas epileptogênicas. A alternativa inverte a hierarquia terapêutica: cirurgia não é primeira linha.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O sintoma mais comum associado à SSW são as convulsões, não o déficit neurológico focal. Embora o déficit focal (como hemiparesia) possa ocorrer, especialmente em decorrência de lesão cortical e crises refratárias, as convulsões são a manifestação neurológica mais frequente e costumam ser o sintoma que leva ao diagnóstico. A banca troca o sintoma mais comum por uma complicação possível.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre malformação vascular e tumor (alternativa A), inverte a hierarquia terapêutica (alternativa D) e troca o sintoma mais comum (alternativa E). O ponto mais sutil é a alternativa B: muitos candidatos estranham a afirmação sobre exames moleculares, mas é exatamente a natureza somática da mutação no GNAQ que a torna correta. Lembre-se: SSW = mutação somática, não germinativa — por isso o sangue periférico pode não detectar.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre síndromes neurocutâneas, monte um quadro comparativo com as principais: neurofibromatose tipo 1 (NF1), esclerose tuberosa (CET) e Sturge-Weber (SSW). Anote para cada uma: gene envolvido, herança (germinativa vs somática), manifestações cutâneas, neurológicas e oculares, e tratamento. Isso resolve a maioria das questões do tema.