Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg684737
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Neurocirurgia Vascular)
- AHipotálamo.
- BNúcleo caudado.
- CCorpo caloso.
- DAmígdala.
- ETálamo.
GabaritoE — Tálamo.
Gabarito: letra E. O tálamo é a estrutura profunda do diencéfalo que atua como principal estação de retransmissão das informações sensoriais (exceto o olfato) antes de chegarem ao córtex cerebral, além de participar da modulação motora e do estado de vigília. Essa é uma definição clássica de neuroanatomia, presente em tratados como o Gray's Anatomy e o Tratado de Anatomia Humana de Moore.
O tálamo é um conjunto de núcleos de substância cinzenta, em forma de ovo, localizado na porção dorsal do diencéfalo, um dos quatro componentes dessa região (junto com hipotálamo, epitálamo e subtálamo). Ele é dividido em diversos núcleos, cada um com projeções específicas para áreas do córtex cerebral. A função de "porta de entrada" sensorial se deve ao fato de que quase todas as vias sensitivas (tato, propriocepção, dor, temperatura, visão, audição) fazem sinapse no tálamo antes de projetarem para o córtex. A exceção é o olfato, cuja via segue diretamente para o córtex olfatório primário, sem passar pelo tálamo — uma particularidade que a banca explora.
Além da retransmissão sensorial, o tálamo participa da modulação motora: os núcleos ventrais anterior e ventrolateral recebem aferências dos núcleos da base e do cerebelo e projetam para o córtex motor, integrando o circuito motor. Também está envolvido no estado de vigília e consciência, por meio dos núcleos intralaminares e da linha média, que recebem projeções da formação reticular ascendente e as distribuem difusamente ao córtex. Essa função é evidenciada na Tabela 17.4 do material de apoio, que lista os circuitos encefálicos responsáveis pela manutenção da consciência, do estado de alerta e da atenção, incluindo os núcleos intralaminares do tálamo e os núcleos talâmicos da linha média.
Na prática clínica, lesões talâmicas podem causar déficits sensoriais contralaterais (perda de sensibilidade tátil, dolorosa e proprioceptiva), dor talâmica (síndrome de Dejerine-Roussy) e alterações do nível de consciência, dependendo da extensão e da localização. Por isso, o conhecimento da anatomia e das funções do tálamo é fundamental para a interpretação de quadros neurológicos.
A pegadinha desta questão está em distinguir o tálamo de outras estruturas do diencéfalo e do sistema nervoso: o hipotálamo (alternativa A) é o principal regulador homeostático, mas não é a estação de retransmissão sensorial; o núcleo caudado (B) é um núcleo da base, envolvido no controle motor, não na retransmissão sensorial; o corpo caloso (C) é um feixe de fibras comissurais que conecta os hemisférios, não uma estrutura diencefálica; e a amígdala (D) é parte do sistema límbico, relacionada às emoções, não à retransmissão sensorial. O critério decisivo é a função de "retransmissão sensorial" — que é exclusiva do tálamo.
O hipotálamo é uma estrutura do diencéfalo, mas sua função principal é a regulação homeostática: controle da temperatura corporal, fome, sede, sono, ritmo circadiano, e a integração entre o sistema nervoso e o endócrino (via hipófise). Ele não atua como estação de retransmissão das informações sensoriais para o córtex. A banca troca a função de "retransmissão sensorial" pela de "regulação homeostática", que é a marca do hipotálamo.
O núcleo caudado é um dos núcleos da base, localizado nos hemisférios cerebrais, e participa do controle motor, do aprendizado e da cognição. Não é uma estrutura do diencéfalo e não tem função de retransmissão sensorial. A confusão aqui é associar "estrutura profunda" a qualquer núcleo subcortical, mas o núcleo caudado não é diencefálico.
O corpo caloso é o maior feixe de fibras comissurais do cérebro, conectando os hemisférios cerebrais direito e esquerdo. Não é uma estrutura do diencéfalo e não participa da retransmissão sensorial. A banca pode tentar confundir o aluno com a palavra "corpo", mas a função é completamente diferente.
A amígdala (corpo amigdaloide) é uma estrutura do sistema límbico, localizada no lobo temporal, e está envolvida no processamento de emoções, especialmente medo e ansiedade, e na memória emocional. Não é uma estação de retransmissão sensorial e não é uma estrutura do diencéfalo (embora tenha conexões com o hipotálamo e o tálamo). A banca explora a associação da amígdala com o sistema límbico, que também é "profundo", mas a função é distinta.
O tálamo é a estrutura do diencéfalo que atua como principal estação de retransmissão das informações sensoriais (exceto olfato) para o córtex cerebral. Além disso, participa da modulação motora (via núcleos ventrais anterior e ventrolateral) e do estado de vigília (via núcleos intralaminares e da linha média). Essa definição é amplamente aceita na neuroanatomia e é o que a questão pede.
A banca explora a confusão entre as estruturas do diencéfalo: o hipotálamo é o "regulador homeostático", enquanto o tálamo é a "estação de retransmissão sensorial". Muitos candidatos marcam hipotálamo por ser a estrutura diencefálica mais conhecida, mas a função descrita no enunciado é exclusiva do tálamo. Lembre-se: se a questão fala em "retransmissão sensorial", é tálamo; se fala em "homeostase", é hipotálamo.
Gabarito: letra E
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