Uma mulher de 52 anos, previamente hígida, apresenta início súbito de cefaleia intensa, descrita como "a pior dor de cabeça da vida", enquanto realizava atividade física. Evolui com náuseas, vômitos e rigidez da nuca. Ao exame, encontra-se consciente, porém com fotofobia importante. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
AEnxaqueca com aura.
BCefaleia tensional.
CHemorragia subaracnóidea.
DTrombose venosa cerebral.
EMeningite viral.
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GabaritoC — Hemorragia subaracnóidea.
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Hemorragia subaracnóidea: reconhecimento clínico
Gabarito: letra C. O quadro descrito — cefaleia súbita e explosiva, "a pior dor de cabeça da vida", iniciada durante esforço físico, acompanhada de náuseas, vômitos, rigidez de nuca e fotofobia — é a apresentação clássica da hemorragia subaracnóidea (HSA), uma emergência neurológica. O diagnóstico diferencial com outras cefaleias agudas é o ponto central da questão.
A hemorragia subaracnóidea é o extravasamento de sangue para o espaço subaracnóideo, que envolve o cérebro e a medula espinhal. Na grande maioria dos casos, é causada pela ruptura de um aneurisma cerebral. O sangue liberado irrita quimicamente as meninges, gerando a chamada "meningite química", responsável pela rigidez de nuca e pela fotofobia — sintomas que mimetizam uma meningite infecciosa, mas com um início muito mais abrupto e característico.
O quadro clássico é tão específico que recebe o nome de "cefaleia em trovoada" (thunderclap headache): uma dor de intensidade máxima que atinge seu pico em segundos a poucos minutos. O esforço físico é um fator precipitante conhecido, pois eleva a pressão arterial e pode desencadear a ruptura aneurismática. A paciente descrita está consciente, o que não exclui a HSA — a alteração do nível de consciência ocorre em casos mais graves, mas muitos pacientes permanecem lúcidos.
A conduta diante da suspeita de HSA é emergencial: realizar tomografia computadorizada (TC) de crânio sem contraste, que tem alta sensibilidade nas primeiras horas, e, se negativa, proceder à punção lombar para pesquisa de sangue ou xantocromia no líquido cefalorraquidiano. O reconhecimento precoce é vital, pois cerca de 15% dos pacientes morrem antes de receber atendimento médico e aproximadamente 50% evoluem a óbito em até 30 dias.
A distinção crucial que separa as alternativas é o padrão temporal e a intensidade da dor. Enquanto as cefaleias primárias (enxaqueca, tensional) têm início gradual ou progressivo, a HSA tem início súbito e explosivo, atingindo intensidade máxima em segundos. Esse é o critério que a banca explora: o candidato que não reconhece a "cefaleia em trovoada" como um sinal de alarme pode confundir o quadro com uma enxaqueca ou meningite.
Cefaleia em trovoada
1Início súbito e explosivo
2Pico em segundos a minutos
3"Pior dor da vida"
4Sinal de alarme
Causa secundária
Exige neuroimagem
5Diagnóstico diferencial
Hemorragia subaracnóidea
Ruptura de aneurisma
Irritação meníngea (meningite química)
Rigidez de nuca e fotofobia
Esforço físico como precipitante
Meningite
Início gradual
Febre presente
Enxaqueca
Início gradual
Dor latejante unilateral
Cefaleia tensional
Dor em aperto bilateral
Leve a moderada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A enxaqueca com aura é uma cefaleia primária, geralmente de início gradual, com dor latejante e unilateral, precedida por sintomas neurológicos transitórios (aura visual, sensitiva ou motora). Embora possa causar náuseas, vômitos e fotofobia, a dor não tem o caráter súbito e explosivo descrito, nem costuma ser desencadeada por esforço físico dessa forma. A ausência de aura no relato e o início abrupto afastam essa hipótese.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A cefaleia tensional é a mais comum das cefaleias primárias, caracterizada por dor bilateral, em aperto ou pressão, de intensidade leve a moderada, sem náuseas ou vômitos significativos e sem fotofobia importante. O início é gradual e a dor não atinge a intensidade máxima em segundos. O quadro descrito — dor intensa, súbita, com rigidez de nuca e fotofobia — é completamente incompatível com essa hipótese.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A hemorragia subaracnóidea é a hipótese mais provável. A tríade clássica — cefaleia súbita e explosiva ("a pior dor da vida"), rigidez de nuca e fotofobia — associada ao início durante esforço físico, é altamente sugestiva de HSA por ruptura aneurismática. A rigidez de nuca decorre da irritação química das meninges pelo sangue (meningite química), e a fotofobia é um sintoma frequente, assim como náuseas e vômitos. A paciente consciente não exclui o diagnóstico, pois muitos pacientes permanecem lúcidos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A trombose venosa cerebral (TVC) é uma causa rara de AVC, que se apresenta com cefaleia de início geralmente subagudo ou progressivo, podendo cursar com déficits neurológicos focais, crises convulsivas e papiledema. Embora possa causar cefaleia intensa, o início súbito e explosivo, com rigidez de nuca e fotofobia, é muito mais característico da HSA. A TVC não é a hipótese mais provável diante do quadro descrito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A meningite viral pode causar cefaleia, febre, rigidez de nuca e fotofobia, mas o início é geralmente subagudo, ao longo de horas a dias, e não explosivo como descrito. Além disso, a paciente não apresenta febre, um sintoma quase sempre presente na meningite infecciosa. A ausência de pródromos virais e o início súbito durante esforço físico apontam fortemente para a HSA, não para a meningite.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre HSA e meningite, pois ambas cursam com rigidez de nuca e fotofobia. A diferença crucial é o início: a HSA é súbita e explosiva ("cefaleia em trovoada"), enquanto a meningite tem início mais gradual, geralmente com febre. Ao ver rigidez de nuca, não pense automaticamente em meningite — avalie o padrão temporal da dor.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, memorize os sinais de alarme da cefaleia que indicam causa secundária: início súbito ("pior dor da vida"), início após 50 anos, progressão, exacerbação com esforço, sinais focais, rigidez de nuca, febre, papiledema e alteração do nível de consciência. Qualquer um deles exige investigação com neuroimagem e, se necessário, punção lombar.
Gabarito: letra C — hemorragia subaracnóidea, pela apresentação clássica de cefaleia súbita e explosiva com rigidez de nuca e fotofobia.