Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg684740
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Neurocirurgia Vascular)
- AApenas I.
- BApenas I e II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoC — Apenas I e III.
Gabarito: letra C — estão corretas as assertivas I e III. Antidepressivos tricíclicos (ADT) e inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) são terapias de primeira linha, assim como os anticonvulsivantes gabapentina e pregabalina; opioides fortes NÃO são a primeira escolha no tratamento inicial, sendo reservados para casos refratários ou exacerbações, com cautela. Essa hierarquia terapêutica é o que separa as assertivas corretas da incorreta.
A dor neuropática é uma dor crônica resultante de lesão ou doença do sistema somatossensorial — diferente da dor nociceptiva, que é a resposta fisiológica a um estímulo lesivo. No manejo farmacológico, o tratamento é feito com os chamados analgésicos adjuvantes, que atuam em mecanismos centrais e periféricos da sensibilização neural, e não com os analgésicos convencionais (paracetamol, dipirona, AINEs), que têm pouco efeito nesse tipo de dor.
As principais classes de primeira linha são exatamente as citadas nas assertivas I e III:
Antidepressivos tricíclicos (ADT) — amitriptilina, nortriptilina, imipramina — inibem a recaptação de serotonina e noradrenalina na via inibitória descendente, impedindo a condução de potenciais de ação nociceptivos no corno posterior da medula. As doses analgésicas são inferiores às doses antidepressivas (início com 10–25 mg).
Inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) — venlafaxina (75–225 mg/dia) e duloxetina (60–120 mg/dia) — também têm eficácia comprovada, com melhor tolerabilidade que os ADT.
Anticonvulsivantes — gabapentina (iniciada em 300 mg, até 1.200 mg 3×/dia) e pregabalina (iniciada em 50–75 mg 2×/dia, até 600 mg/dia) — são opções eficazes, sendo a carbamazepina a melhor alternativa para neuralgia do trigêmeo.
Os opioides, por sua vez, têm papel limitado. Embora possam reduzir a dor em curto prazo (4 a 12 semanas), as evidências de longo prazo são desconhecidas ou de baixa qualidade, e o risco de dependência e efeitos adversos é relevante. Por isso, a prescrição deve ser feita com cautela, apenas em casos de exacerbações ou dor intratável, na menor dose efetiva — nunca como primeira escolha no tratamento inicial.
A pegadinha da questão está na assertiva II: o candidato que conhece a eficácia dos opioides na dor aguda pode assumir que eles também são a primeira linha na dor neuropática. Mas a diretriz é clara — opioides são terapia de segunda ou terceira linha, reservados para falha ou contraindicação das classes de primeira linha. Guarde a hierarquia: ADT/IRSN e gabapentinoides primeiro; opioides apenas em casos selecionados.
Os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina, imipramina) e os IRSN (venlafaxina, duloxetina) são considerados terapias de primeira linha no tratamento da dor neuropática. O mecanismo é a inibição da recaptação de serotonina e noradrenalina, potencializando a via inibitória descendente da dor. As evidências são robustas para ADT em condições como neuropatia diabética, neuralgia pós-herpética e dor pós-AVC.
Opioides fortes não são a primeira escolha no tratamento inicial da dor neuropática. Eles são reservados para casos de exacerbação ou dor intratável, com prescrição cautelosa na menor dose efetiva, devido às evidências limitadas de eficácia a longo prazo e ao risco de dependência. A primeira linha é composta por ADT, IRSN e gabapentinoides.
Anticonvulsivantes como gabapentina e pregabalina são opções eficazes no controle da dor neuropática. A gabapentina é indicada para dor neuropática pós-herpética, neuropatia diabética e dor neuropática mista; a pregabalina também é eficaz. A carbamazepina é a melhor opção para neuralgia do trigêmeo.
Conclusão: corretos os itens I e III → gabarito: letra C.
Gabarito: letra C
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