Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg684743
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Neurocirurgia Vascular)
- AApenas I.
- BApenas I e II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoB — Apenas I e II.
Gabarito: letra B. Estão corretas as assertivas I e II. A epilepsia do lobo temporal (ELT) é a forma mais comum de epilepsia focal em adultos e frequentemente se associa à esclerose mesial temporal (assertiva I correta); as crises típicas iniciam com aura epigástrica ascendente, seguida de comprometimento da consciência e automatismos orais ou manuais (assertiva II correta). A assertiva III é falsa, pois o eletroencefalograma (EEG) interictal não é sempre normal — embora possa ser normal em até 50% dos casos, anormalidades epileptiformes são comuns e o EEG é o exame complementar de maior utilidade no diagnóstico.
A epilepsia do lobo temporal é a síndrome epiléptica mais comum em adultos, representando pelo menos 40% dos casos de epilepsia. A maioria dos pacientes apresenta crises de início focal com comprometimento da consciência, algumas evoluindo para crises tônico-clônicas focais para bilaterais. As crises do lobo temporal medial envolvem o hipocampo e/ou a amígdala, e a aura mais comumente relatada é a sensação epigástrica crescente ou sensação cefálica vaga. Com menos frequência, podem ocorrer sintomas como odor fétido, déjà vu ou pensamento alterado estereotipado. À medida que a crise se espalha para envolver o lobo temporal dominante ou estruturas bilaterais, incluindo o sistema límbico, evolui para o comprometimento da consciência, frequentemente descrito por testemunhas como "olhar vazio". Os automatismos — comportamentos motores automáticos — são comuns nas crises que envolvem o sistema límbico e incluem sinais oroalimentares (estalar dos lábios, deglutição repetitiva) e movimentos repetitivos das mãos (automatismos manuais).
A esclerose mesial temporal (ou esclerose hipocampal) é uma das patologias mais comuns e bem definidas associadas à epilepsia do lobo temporal. Consiste em perda das células piramidais e gliose em vários subcampos hipocampais, frequentemente associada à disfunção da memória de curto prazo. Essa associação é tão característica que a epilepsia do lobo temporal mesial com esclerose hipocampal é reconhecida como uma constelação distinta na classificação das síndromes epilépticas.
O EEG é o exame complementar de maior utilidade para crises e epilepsia, ajudando a confirmar o diagnóstico, classificar as crises, identificar a síndrome epiléptica e orientar decisões terapêuticas. No entanto, até 50% dos pacientes com epilepsia exibem anormalidades epileptiformes no EEG inicial, e uma pequena parcela apresenta EEG interictal normal apesar de todos os esforços. Portanto, a afirmação de que o EEG interictal é "sempre normal" é incorreta — o EEG pode ser normal, mas não é sempre, e a presença de descargas epileptiformes focais é um achado frequente e importante.
A distinção crucial que separa as assertivas é: a ELT tem semiologia típica (aura epigástrica + automatismos) e associação frequente com esclerose mesial, mas o EEG interictal não é sempre normal — ele pode ser normal em uma parcela dos casos, mas anormalidades epileptiformes são comuns e o EEG é o exame de maior utilidade diagnóstica. É exatamente nesse ponto que a assertiva III falha.
A epilepsia do lobo temporal é a forma mais comum de epilepsia focal em adultos, representando pelo menos 40% dos casos de epilepsia. A esclerose mesial temporal (esclerose hipocampal) é uma das patologias mais comuns e bem definidas associadas à ELT, consistindo em perda de células piramidais e gliose em subcampos hipocampais. A associação é tão característica que a "epilepsia do lobo temporal mesial com esclerose hipocampal" é reconhecida como uma constelação distinta na classificação das síndromes epilépticas.
As crises do lobo temporal medial tipicamente iniciam com aura epigástrica ascendente (sensação epigástrica crescente), seguida de comprometimento da consciência e automatismos. Os automatismos incluem sinais oroalimentares (estalar dos lábios, deglutição repetitiva) e movimentos repetitivos das mãos (automatismos manuais). Essa semiologia é clássica e amplamente descrita na literatura.
A assertiva afirma que o EEG interictal é "sempre normal", o que é falso. O EEG é o exame complementar de maior utilidade para crises e epilepsia, e até 50% dos pacientes com epilepsia exibem anormalidades epileptiformes no EEG inicial. Embora uma pequena parcela de pacientes apresente EEG interictal normal, isso não é a regra — e a palavra "sempre" torna a assertiva incorreta. O EEG pode ser normal em alguns casos, mas anormalidades epileptiformes focais são comuns e o EEG é fundamental para o diagnóstico e classificação.
A banca explora a palavra "sempre" na assertiva III. O candidato pode lembrar que o EEG pode ser normal em alguns pacientes com epilepsia e marcar a assertiva como correta, mas a afirmação categórica "sempre normal" é falsa — o EEG é anormal em até 50% dos casos no exame inicial, e anormalidades epileptiformes são comuns. A pegadinha está em transformar uma possibilidade (EEG normal em alguns casos) em uma regra absoluta (sempre normal).
Para questões sobre epilepsia, lembre-se: o EEG é o exame de maior utilidade, mas um EEG normal não exclui o diagnóstico de epilepsia. A palavra "sempre" ou "nunca" em assertivas sobre exames complementares geralmente indica erro — a medicina raramente admite absolutos. Foque na semiologia típica (aura epigástrica + automatismos) e nas associações clássicas (esclerose mesial) para acertar as assertivas verdadeiras.
Gabarito: letra B — corretas apenas as assertivas I e II.
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