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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg684751
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurocirurgia)
Um paciente de 32 anos é admitido no pronto-socorro com quadro de febre alta (39,2 °C), cefaleia intensa há 4 dias e rigidez de nuca. Há relato de sinusite frontal crônica em tratamento irregular. Nas últimas 24 horas, desenvolveu hemiparesia à esquerda e apresentou duas crises convulsivas focais. Ao exame, encontra-se sonolento, com meningismo e Glasgow 13. A ressonância magnética cerebral com contraste demonstra coleção subdural no hemisfério direito, com realce intenso da membrana medial e deslocamento medial da interface córtico-subcortical, além de sinais de sinusite frontal ativa. Considerando o diagnóstico mais provável e as evidências atuais sobre o manejo dessa condição, assinale a alternativa correta.
  1. AA punção lombar está indicada nesse momento para isolamento do agente etiológico, visto que os organismos geralmente estão presentes no líquor e a cultura é fundamental para direcionamento antibiótico precoce.
  2. BO tratamento inicial deve consistir em antibioticoterapia empírica com ceftriaxone e metronidazol, associada à corticoterapia em altas doses, postergando a abordagem cirúrgica para avaliação da resposta clínica nas primeiras 48–72 horas.
  3. CA drenagem por trepanação é considerada abordagem adequada em pacientes criticamente graves com empiema subdural localizado, embora possa haver necessidade de procedimento adicional em até 20% dos casos, especialmente na presença de septações.
  4. DA taxa de mortalidade dessa condição permanece próxima a 50% mesmo na era da tomografia computadorizada e dos antibióticos modernos, sendo o principal fator prognóstico a localização da coleção (convexidade versus região parafalcina).
  5. EEstreptococos aeróbicos estão presentes em apenas 10–15% dos casos relacionados à sinusite, sendo os estafilococos e bacilos Gram-negativos aeróbicos os agentes mais frequentemente isolados nesse contexto etiológico.
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GabaritoC — A drenagem por trepanação é considerada abordagem adequada em pacientes criticamente graves com empiema subdural localizado, embora possa haver necessidade de procedimento adicional em até 20% dos casos, especialmente na presença de septações.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Empiema subdural: diagnóstico e manejo

Gabarito: letra C. O caso descreve um empiema subdural — coleção purulenta no espaço subdural, complicação clássica de sinusite frontal — e a alternativa correta afirma que a drenagem por trepanação é adequada em pacientes graves com coleção localizada, podendo ser necessário procedimento adicional em até 20% dos casos, especialmente com septações. As demais alternativas contêm erros conceituais ou dados incorretos sobre o manejo dessa condição.

O empiema subdural é uma emergência neurocirúrgica que exige drenagem cirúrgica precoce associada a antibioticoterapia prolongada. A fisiopatologia envolve a extensão direta de infecção de seios paranasais (especialmente o frontal) para o espaço subdural, formando uma coleção purulenta que comprime o cérebro e pode causar déficits focais, crises convulsivas e rebaixamento do nível de consciência — exatamente o quadro do paciente: febre, cefaleia, rigidez de nuca, hemiparesia esquerda e crises focais, com RM mostrando coleção subdural à direita e sinusite frontal ativa.

O diagnóstico é essencialmente por imagem, sendo a RM com contraste o exame de escolha, mostrando a coleção com realce da membrana medial e deslocamento medial da interface córtico-subcortical. A punção lombar é contraindicada nesse cenário, pois há risco de herniação cerebral — o paciente tem sinais localizatórios, rebaixamento de consciência e crises convulsivas, todas contraindicações à punção imediata. O tratamento definitivo é cirúrgico: craniotomia ou trepanação para drenagem da coleção, associado a antibióticos de amplo espectro. A trepanação (um ou mais orifícios de trepano) é uma opção menos invasiva, adequada para coleções localizadas e pacientes graves, mas pode ser insuficiente quando há septações, exigindo craniotomia adicional em uma parcela dos casos.

A mortalidade do empiema subdural diminuiu drasticamente na era moderna, ficando em torno de 10–20%, não 50%. O principal fator prognóstico não é a localização da coleção, mas sim o nível de consciência na admissão e a rapidez do tratamento. Quanto à microbiologia, os estreptococos (especialmente os do grupo milleri) são os agentes mais comuns em empiemas subdurais de origem sinusal, não os estafilococos ou bacilos Gram-negativos.

A alternativa C é a única que reflete corretamente o manejo atual: a trepanação é uma abordagem válida em pacientes criticamente enfermos com coleção localizada, mas a taxa de reintervenção (até 20%) é um dado real, especialmente quando há septações que impedem a drenagem completa por um único orifício. Guarde esse dado: a trepanação é uma opção, mas não é definitiva em todos os casos — a necessidade de procedimento adicional é o ponto-chave que a banca explora.

Empiema subdural
  • 1Fisiopatologia
    • Extensão de sinusite frontal
    • Coleção purulenta no espaço subdural
  • 2Diagnóstico
    • RM com contraste (exame de escolha)
    • Punção lombar contraindicada (risco de herniação)
  • 3Tratamento
    • Drenagem cirúrgica urgente
      • Trepanação (coleção localizada)
        • Pode exigir reintervenção (até 20%, septações)
      • Craniotomia
    • Antibioticoterapia prolongada
      • Ceftriaxone + metronidazol
  • 4Microbiologia
    • Estreptococos (grupo milleri) — mais comuns
    • Anaeróbios
  • 5Prognóstico
    • Mortalidade 10–20%
    • Fator principal: nível de consciência na admissão
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A punção lombar está contraindicada neste momento. O paciente apresenta sinais localizatórios (hemiparesia), rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 13) e crises convulsivas — todas contraindicações à punção lombar imediata, pois há risco de herniação cerebral. Além disso, no empiema subdural, o líquor geralmente não revela o agente etiológico, pois a infecção está no espaço subdural, não no espaço subaracnóideo. O diagnóstico é por imagem (RM), e a cultura do material cirúrgico é que direciona o antibiótico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O tratamento inicial do empiema subdural não posterga a abordagem cirúrgica. A drenagem cirúrgica é urgente e não deve ser adiada para avaliar resposta clínica à antibioticoterapia. Além disso, a corticoterapia em altas doses não é rotina no manejo do empiema subdural — pode até ser prejudicial por mascarar a resposta clínica e imunossuprimir o paciente. O esquema antibiótico empírico (ceftriaxone + metronidazol) está correto para cobrir estreptococos e anaeróbios, mas a conduta cirúrgica não pode ser postergada.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A drenagem por trepanação é uma abordagem cirúrgica adequada em pacientes criticamente graves com empiema subdural localizado, sendo menos invasiva que a craniotomia. No entanto, a taxa de reintervenção é real: em até 20% dos casos, a trepanação é insuficiente e um procedimento adicional (geralmente craniotomia) é necessário, especialmente quando há septações que compartimentalizam a coleção e impedem a drenagem completa. Essa é a conduta aceita na literatura neurocirúrgica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A mortalidade do empiema subdural na era moderna é de aproximadamente 10–20%, não 50%. O principal fator prognóstico não é a localização da coleção (convexidade versus parafalcina), mas sim o nível de consciência na admissão e a precocidade do tratamento. Pacientes com Glasgow baixo e atraso na drenagem têm pior prognóstico, independentemente da localização.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os estreptococos (especialmente os do grupo anginosus/milleri) são os agentes mais comuns em empiemas subdurais de origem sinusal, presentes em mais de 50% dos casos. Estafilococos e bacilos Gram-negativos são menos frequentes nesse contexto. A alternativa inverte a epidemiologia microbiana.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre empiema subdural e meningite bacteriana. Na meningite, a punção lombar é o exame-chave e a antibioticoterapia empírica imediata é a conduta; no empiema subdural, a punção é contraindicada (risco de herniação) e a drenagem cirúrgica é urgente. Identifique o diagnóstico por imagem e lembre: coleção subdural + sinusite = cirurgia, não punção.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de empiema subdural, memorize o tripé: (1) RM com contraste é o exame de escolha; (2) punção lombar é contraindicada; (3) tratamento é drenagem cirúrgica (trepanação ou craniotomia) + antibióticos. A taxa de reintervenção após trepanação (até 20%) e a predominância de estreptococos são os dados mais cobrados.

Gabarito: letra C

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