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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg684766
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurocirurgia)
Uma paciente de 27 anos apresenta um quadro de cefaleia há 4 dias, febre e sinais de irritação meníngea. Ela realizou uma TC de crânio que não evidenciou alterações e um exame de punção lombar que revelou o seguinte: 120 células por campo (sendo 90% neutrófilos e 10% linfócitos); 1 hemácia por campo; proteína 40 mg/dl; glicose 29 mg/dl (HGT 140 mg/dl) e pressão de abertura liquórica normal. O que esse quadro clínico e laboratorial sugere?
  1. AMeningite bacteriana.
  2. BMeningite viral.
  3. CMeningite por tuberculose.
  4. DHemorragia subaracnóidea.
  5. ECefaleia por hipotensão liquórica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Meningite bacteriana.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Meningites: análise do líquido cefalorraquidiano (LCR)

Gabarito: letra A. O quadro clínico (cefaleia, febre, irritação meníngea) associado ao LCR com pleocitose neutrofílica (90% neutrófilos), glicose baixa (29 mg/dl) e proteína normal a discretamente elevada (40 mg/dl) é o padrão clássico de meningite bacteriana. A hipoglicorraquia (glicose baixa no LCR) é o achado que praticamente fecha o diagnóstico, pois a meningite viral cursa com glicose normal.

A meningite é um processo inflamatório das meninges (dura-máter, pia-máter e aracnoide) e do espaço subaracnóideo, que contém o LCR. A análise do LCR obtido por punção lombar é essencial para confirmar o diagnóstico e identificar a etiologia. Os principais parâmetros avaliados são: contagem de leucócitos com diferencial, concentração de glicose, concentração de proteína, coloração de Gram e cultura. A interpretação desses achados, em conjunto com o quadro clínico, permite distinguir as principais causas de meningite: bacteriana, viral, tuberculosa e fúngica.

A fisiopatologia da meningite bacteriana envolve uma resposta inflamatória intensa, com edema cerebral, aumento da pressão intracraniana e diminuição da perfusão cerebral. O metabolismo anaeróbico resultante leva ao aumento de lactato e ao consumo de glicose, causando a hipoglicorraquia. Na meningite viral, a resposta inflamatória é mais limitada, o que explica a glicose geralmente normal e as manifestações clínicas mais brandas.

No caso apresentado, a paciente tem 27 anos, cefaleia há 4 dias, febre e sinais de irritação meníngea. A TC de crânio foi normal, o que é esperado na meningite sem complicações. A punção lombar revelou 120 células por campo (90% neutrófilos), 1 hemácia por campo, proteína de 40 mg/dl, glicose de 29 mg/dl (com HGT de 140 mg/dl) e pressão de abertura normal. A pleocitose neutrofílica e a hipoglicorraquia são os achados decisivos para o diagnóstico de meningite bacteriana.

A tabela abaixo resume os achados típicos do LCR nas principais etiologias de meningite, conforme o material de apoio:

Característica

Meningite Bacteriana

Meningite Tuberculosa

Meningite Viral

Valores de Referência

Aspecto

Turvo

Límpido ou opalescente

Límpido

Límpido

Cor

Branco-leitosa

Incolor ou xantocrômica

Incolor

Incolor, água de rocha

Glicose

Diminuída

Diminuída

Normal

45 a 100 mg/dl

Proteínas totais

Aumentadas

Aumentadas

Discretamente aumentadas

15 a 50 mg/dl

Leucócitos

200 a milhares/mm³ (neutrófilos)

25 a 500/mm³ (linfócitos)

5 a 500 (linfócitos)

0 a 5/mm³

A pegadinha desta questão está em não confundir a meningite bacteriana com a viral. A chave é a glicose: na bacteriana, ela está baixa (hipoglicorraquia); na viral, está normal. Além disso, a pleocitose neutrofílica é típica da bacteriana, enquanto a viral apresenta predomínio de linfócitos. A meningite tuberculosa também cursa com hipoglicorraquia, mas com predomínio linfocitário e evolução mais arrastada. A hemorragia subaracnóidea e a cefaleia por hipotensão liquórica não cursam com pleocitose neutrofílica nem com hipoglicorraquia.

1Bacteriana
Neutrófilos (pleocitose)
Glicose baixa
Proteína aumentada
2Viral
Linfócitos
Glicose normal
Proteína discreta
3Tuberculosa
Linfócitos
Glicose baixa
Proteína muito aumentada
Meningites (análise do LCR)
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Meningites (análise do LCR): Bacteriana (Neutrófilos (pleocitose), Glicose baixa, Proteína aumentada); Viral (Linfócitos, Glicose normal, Proteína discreta); Tuberculosa (Linfócitos, Glicose baixa, Proteína muito aumentada)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A meningite bacteriana é caracterizada por pleocitose com predomínio de neutrófilos, hipoglicorraquia (glicose baixa no LCR) e proteína elevada. No caso, a glicose de 29 mg/dl (com HGT de 140 mg/dl) confirma a hipoglicorraquia, e os 90% de neutrófilos confirmam a etiologia bacteriana. A proteína de 40 mg/dl está no limite superior da normalidade, mas pode estar discretamente elevada na fase inicial. O quadro clínico de febre, cefaleia e irritação meníngea é compatível.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A meningite viral cursa com pleocitose linfocitária e glicose normal no LCR. No caso, há predomínio de neutrófilos (90%) e hipoglicorraquia (29 mg/dl), o que afasta a etiologia viral. A glicose normal é o achado que diferencia a meningite viral da bacteriana.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A meningite tuberculosa também cursa com hipoglicorraquia, mas apresenta predomínio de linfócitos no LCR e evolução clínica mais arrastada (subaguda ou crônica). No caso, o predomínio de neutrófilos e o início agudo (4 dias) são mais compatíveis com meningite bacteriana. Além disso, a proteína na meningite tuberculosa costuma estar mais elevada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hemorragia subaracnóidea cursa com cefaleia de início súbito ("em trovoada") e o LCR apresenta hemácias e xantocromia, sem pleocitose neutrofílica nem hipoglicorraquia. No caso, a presença de apenas 1 hemácia por campo e a hipoglicorraquia afastam essa hipótese. A TC de crânio também seria diagnóstica na maioria dos casos de hemorragia subaracnóidea.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A cefaleia por hipotensão liquórica é uma cefaleia ortostática (piora em pé, melhora ao deitar), sem febre, sem irritação meníngea e sem alterações inflamatórias no LCR. A pressão de abertura liquórica estaria baixa, e não normal. O quadro clínico e laboratorial apresentado é claramente infeccioso.

Gabarito: letra A

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