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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026

MedicinaNeurologia
Código
qg684778
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurofisiologia Clínica)
Em relação às ondas F, assinale a alternativa correta.
  1. ASão consideradas um reflexo verdadeiro.
  2. BO parâmetro mais importante a ser analisado é a persistência da onda F.
  3. CApresentam configuração monofásica.
  4. DOs valores de latência mínima dependem da altura do paciente.
  5. ESão o principal parâmetro para diagnóstico da síndrome do túnel do carpo quando realizadas no membro superior.
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GabaritoD — Os valores de latência mínima dependem da altura do paciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ondas F na eletroneuromiografia

Gabarito: letra D. As ondas F são respostas tardias obtidas na eletroneuromiografia (ENMG) após estimulação supramáxima de um nervo motor, e sua latência mínima — o parâmetro mais relevante — depende diretamente da altura do paciente, pois reflete o tempo de condução do estímulo até a medula espinhal e seu retorno. As demais alternativas incorrem em erros conceituais: não são reflexo verdadeiro, não têm configuração monofásica e não são o principal parâmetro para o diagnóstico da síndrome do túnel do carpo.

As ondas F são respostas musculares tardias que ocorrem após a onda M (resposta motora direta) quando se aplica um estímulo supramáximo a um nervo motor. Elas resultam da ativação antidrômica do motoneurônio: o estímulo, além de seguir ortodromicamente até o músculo (gerando a onda M), também percorre o axônio em sentido contrário (antidrômico), alcança o corno anterior da medula espinhal e reexcita o motoneurônio, que então dispara um novo potencial que retorna ao músculo — essa é a onda F. Por isso, a latência da onda F mede o tempo de ida e volta do estímulo entre o ponto de estimulação e a medula, sendo diretamente proporcional ao comprimento do trajeto neural, que, na prática, correlaciona-se com a altura do paciente.

Diferentemente do reflexo H, que é um reflexo monossináptico verdadeiro (via aferente sensorial → sinapse na medula → via eferente motora), a onda F não é um reflexo verdadeiro, pois não depende de sinapse: é a reexcitação do motoneurônio por um impulso que chega antidromicamente. Essa distinção é central e costuma ser explorada pelas bancas.

Na prática clínica, as ondas F são utilizadas principalmente para avaliar a condução nervosa proximal (raízes, plexo e troncos nervosos), sendo úteis em polineuropatias (como a desmielinizante inflamatória crônica) e radiculopatias. Os parâmetros analisados incluem a latência mínima, a persistência (porcentagem de estímulos que geram onda F) e a cronodispersão. A latência mínima é o parâmetro mais importante e deve ser corrigida pela altura do paciente, pois o comprimento do membro influencia diretamente o tempo de percurso do estímulo. Já a persistência e a cronodispersão são parâmetros secundários, que podem estar alterados em diversas neuropatias, mas não são específicos.

Quanto à síndrome do túnel do carpo (STC), o diagnóstico eletrofisiológico se baseia principalmente na comparação das latências sensitivas e motoras do nervo mediano com o nervo ulnar (estudos de condução nervosa), especialmente a latência sensitiva distal e a diferença entre as latências do mediano e do ulnar. As ondas F, embora possam estar alteradas em casos avançados, não são o parâmetro principal para o diagnóstico da STC — o padrão-ouro eletrofisiológico é a condução nervosa sensitiva e motora do mediano no punho.

A configuração das ondas F é polifásica (ou, no mínimo, não monofásica), pois resulta da soma de potenciais de unidades motoras individuais que são ativados de forma ligeiramente dessincronizada. Isso contrasta com a onda M, que é tipicamente bifásica ou trifásica.

Guarde a fronteira entre onda F e reflexo H, e entre os parâmetros da onda F (latência mínima vs. persistência): é exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.

Ondas F (ENMG)
  • 1Mecanismo
    • Ativação antidrômica do motoneurônio
    • Não é reflexo verdadeiro (sem sinapse)
  • 2Parâmetros
    • Latência mínima (principal)
      • Depende da altura do paciente
    • Persistência (secundário)
    • Cronodispersão
  • 3Configuração
    • Polifásica
  • 4Uso clínico
    • Condução proximal (raiz/plexo)
    • Não é principal na síndrome do túnel do carpo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que as ondas F são um reflexo verdadeiro. Erro conceitual: a onda F não é um reflexo, pois não envolve sinapse — é a reexcitação antidrômica do motoneurônio. O reflexo verdadeiro é a onda H (reflexo de Hoffmann), que é monossináptico e depende de via aferente sensorial. A banca troca os dois conceitos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o parâmetro mais importante é a persistência da onda F. Erro: o parâmetro mais importante é a latência mínima, que reflete o tempo de condução proximal e deve ser corrigida pela altura. A persistência (percentual de ondas F obtidas) é um parâmetro secundário, útil em algumas neuropatias, mas não é o principal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que as ondas F apresentam configuração monofásica. Erro: as ondas F são tipicamente polifásicas, pois resultam da ativação dessincronizada de múltiplas unidades motoras. A onda M, por outro lado, é bifásica ou trifásica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. A latência mínima da onda F depende diretamente da altura do paciente, pois o estímulo percorre o axônio até a medula e retorna — quanto maior o membro, maior o trajeto e, portanto, maior a latência. Por isso, os valores de referência são corrigidos pela altura (ou pelo comprimento do membro).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que as ondas F são o principal parâmetro para diagnóstico da síndrome do túnel do carpo. Erro: o diagnóstico eletrofisiológico da STC se baseia na condução nervosa sensitiva e motora do nervo mediano no punho (latências distais e velocidades de condução), comparadas com o nervo ulnar. As ondas F avaliam a condução proximal e não são o parâmetro principal para a STC.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre onda F e reflexo H (alternativa A) e entre os parâmetros da onda F (alternativa B). Lembre: onda F = reexcitação antidrômica, sem sinapse; reflexo H = reflexo monossináptico verdadeiro. E na onda F, o que importa é a latência mínima, não a persistência.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar: onda F avalia condução proximal (raiz/plexo), latência mínima é o parâmetro-chave e depende da altura; reflexo H avalia a via aferente (S1) e é um reflexo verdadeiro. Na STC, o foco é a condução distal do mediano no punho.

Gabarito: letra D

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