Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2026
- Código
- qg684790
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2026
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico (Neurofisiologia Clínica)
- AApenas I.
- BApenas I e II.
- CApenas I e III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoC — Apenas I e III.
Gabarito: letra C — estão corretas as assertivas I e III. Antidepressivos tricíclicos (ADTs) e inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSNs) são terapias de primeira linha, assim como os anticonvulsivantes gabapentina e pregabalina; opioides fortes NÃO são primeira escolha no tratamento inicial, sendo reservados para casos refratários ou exacerbações, conforme diretrizes de manejo da dor neuropática.
A dor neuropática é uma dor crônica resultante de lesão ou disfunção do sistema nervoso somatossensorial, manifestando-se como queimação, formigamento, choque ou alodinia. Seu tratamento é complexo e baseia-se em medicamentos adjuvantes analgésicos, que atuam em mecanismos centrais e periféricos distintos da dor nociceptiva comum. As principais classes de primeira linha são os antidepressivos (ADTs e IRSNs) e os anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina, carbamazepina).
Os ADTs, como amitriptilina, nortriptilina e imipramina, inibem a recaptação de serotonina e noradrenalina no sistema inibitório descendente, bloqueando a condução de potenciais nociceptivos no corno posterior da medula. As doses analgésicas são inferiores às antidepressivas, iniciando-se com 10–25 mg e titulando-se conforme resposta. Os IRSNs, como duloxetina (60–120 mg/dia) e venlafaxina (75–225 mg/dia), também têm eficácia comprovada e melhor tolerabilidade em alguns pacientes. Os anticonvulsivantes gabapentina e pregabalina são eficazes, agindo em canais de cálcio dependentes de voltagem, reduzindo a liberação de neurotransmissores excitatórios. A carbamazepina é particularmente útil na neuralgia do trigêmeo.
Os opioides, por sua vez, têm efeito modesto na dor neuropática (tamanho de efeito reduzido) e apresentam riscos significativos de dependência e efeitos adversos. Por isso, as diretrizes recomendam reservá-los para pacientes refratários às terapias de primeira linha, em exacerbações agudas ou dor intratável, sempre na menor dose efetiva e com monitorização regular. A assertiva II, ao afirmar que opioides fortes são "sempre a primeira escolha", contraria frontalmente essa recomendação — é uma armadilha clássica de inversão de hierarquia terapêutica.
A distinção crucial que separa as assertivas é a hierarquia de tratamento: primeira linha (ADTs, IRSNs, gabapentinoides) versus opioides como terapia de resgate ou segunda/terceira linha. Guarde essa fronteira: ela é exatamente o que a banca explora ao colocar a assertiva II como incorreta.
Os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina, imipramina) e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (duloxetina, venlafaxina) são considerados terapias de primeira linha no manejo da dor neuropática. O material de apoio confirma: "Os ADTs (amitriptilina, imipramina e nortriptilina) inibem a recaptação da serotonina e da noradrenalina no sistema inibitório descendente..." e "Outros antidepressivos, como os inibidores da recaptação da serotonina e da noradrenalina (venlafaxina... e duloxetina...), também têm eficácia comprovada". Além disso, a tabela de fármacos utilizados no tratamento de neuropatia lista ADTs e IRSNs como opções eficazes, com tamanhos de efeito significativos (duloxetina −1,33; venlafaxina −1,53).
Afirma que opioides fortes são "sempre a primeira escolha" no tratamento inicial da dor neuropática. Isso é falso: as diretrizes recomendam que opioides sejam evitados como primeira linha, sendo reservados para casos refratários ou exacerbações. O material de apoio é explícito: "Devem-se evitar analgésicos opioides (tapentadol, tramadol, oxicodona), cujo efeito é apenas modesto (TE = −0,57) e cujos paraefeitos são frequentes, incluindo o risco de dependência" e "O uso de opioides deve ser reservado para pacientes refratários ao tratamento inicial". A palavra "sempre" torna a assertiva ainda mais incorreta, pois há exceções e a escolha é individualizada.
Os anticonvulsivantes gabapentina e pregabalina são opções eficazes no controle da dor neuropática. O material de apoio confirma: "Os anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina e carbamazepina) são muito úteis em alguns casos de pacientes com dor neuropática" e "A gabapentina foi desenvolvida como anticonvulsivante, mas tem-se mostrado muito útil no controle da dor, especialmente em pacientes com dor neuropática". A pregabalina também é citada como eficaz, com doses de 150–600 mg/dia. Esses fármacos são considerados primeira linha em diversas diretrizes, ao lado dos antidepressivos.
Conclusão: corretas as assertivas I e III → gabarito: letra C.
A banca inverte a hierarquia terapêutica ao afirmar que opioides fortes são "sempre a primeira escolha". O candidato desatento pode marcar a assertiva II como correta, mas as diretrizes são claras: opioides são reservados para casos refratários, com efeito modesto e risco de dependência. Lembre-se: primeira linha = ADTs, IRSNs e gabapentinoides; opioides = última linha ou resgate.
Para questões de dor neuropática, memorize a hierarquia: 1ª linha: ADTs (amitriptilina, nortriptilina), IRSNs (duloxetina, venlafaxina), gabapentinoides (gabapentina, pregabalina); 2ª linha/adjuvantes: carbamazepina (neuralgia do trigêmeo), tramadol, lidocaína tópica, capsaicina; opioides fortes: apenas refratários. Se a alternativa trouxer "sempre" ou "primeira escolha" para opioides, desconfie — é pegadinha.
Gabarito: letra C
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