Arterite temporal (arterite de células gigantes): diagnóstico laboratorial
Gabarito: letra E. O quadro clínico — mulher idosa com cefaleia temporal recente, claudicação de mandíbula (dor ao mastigar), sensibilidade no couro cabeludo e artéria temporal espessada e dolorosa — é clássico de arterite de células gigantes (ACG), e o exame laboratorial mais útil para apoiar o diagnóstico é a Velocidade de Hemossedimentação (VHS), que se apresenta marcadamente elevada na maioria dos casos. A VHS é o marcador inflamatório de primeira linha na suspeita de ACG, conforme a abordagem de cefaleia em idosos.
A arterite de células gigantes, também chamada arterite temporal, é uma vasculite de grandes e médias artérias que acomete preferencialmente pacientes acima de 50 anos, com pico na sétima década de vida. A inflamação granulomatosa da parede arterial leva a espessamento, oclusão e isquemia dos territórios irrigados. Os sintomas clássicos são cefaleia de início recente (frequentemente temporal), sensibilidade no couro cabeludo, claudicação de mandíbula (dor ao mastigar por isquemia dos músculos mastigatórios), fadiga, perda de peso e, em casos graves, perda visual súbita por neuropatia óptica isquêmica anterior — a complicação mais temida, que pode ser irreversível. O exame físico revela artéria temporal espessada, nodular e dolorosa à palpação, às vezes com pulso diminuído.
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas os exames laboratoriais de fase aguda são fundamentais para apoiar a suspeita. A VHS é o marcador mais clássico e sensível: valores muito elevados (frequentemente acima de 100 mm/h, mas qualquer elevação significativa é relevante) são encontrados na grande maioria dos pacientes. A proteína C-reativa (PCR) também costuma estar elevada e pode ser usada em conjunto. A confirmação definitiva é feita por biópsia da artéria temporal, que mostra infiltrado inflamatório com células gigantes multinucleadas, mas o tratamento com corticoides em dose alta deve ser iniciado imediatamente diante da suspeita clínica, sem aguardar a biópsia, para prevenir a perda visual.
A tabela de sinais de alarme em cefaleia é explícita ao relacionar o início da cefaleia após os 50 anos com arterite temporal e neoplasia, indicando como exames complementares a VHS e a neuroimagem. Isso reforça que, no contexto da questão, a VHS é o exame laboratorial que a banca espera. As demais alternativas são distratores que não se relacionam com a fisiopatologia da ACG: o Dímero-D é marcador de trombose/coagulação, a ferritina reflete estoques de ferro e fase aguda (inespecífica), a CK avalia lesão muscular e o FAN é usado na investigação de doenças autoimunes sistêmicas como o lúpus.
A pegadinha central desta questão é o candidato confundir a arterite temporal com outras causas de cefaleia em idosos ou com doenças reumatológicas autoimunes, solicitando FAN ou CK. O raciocínio clínico correto parte da tríade cefaleia temporal + claudicação de mandíbula + paciente idoso, que aponta diretamente para vasculite de grandes vasos, cujo marcador laboratorial de escolha é a VHS. Guarde essa associação: idoso + cefaleia temporal + dor ao mastigar = arterite temporal → VHS elevada.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O Dímero-D é um produto de degradação da fibrina, utilizado na investigação de trombose venosa profunda, embolia pulmonar e coagulação intravascular disseminada. Não há relação com a fisiopatologia da arterite temporal, que é uma vasculite inflamatória, não um evento trombótico. Embora possa estar elevado em processos inflamatórios sistêmicos por mecanismos inespecíficos, não é o exame útil para apoiar o diagnóstico de ACG.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A ferritina é uma proteína de fase aguda que reflete os estoques de ferro e pode estar elevada em processos inflamatórios, mas é totalmente inespecífica. Na arterite temporal, a ferritina não tem papel diagnóstico estabelecido. Sua dosagem é útil na investigação de anemia ferropriva, hemocromatose e, em contexto reumatológico, na doença de Still do adulto (onde níveis muito elevados são característicos) — não na ACG.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A creatinoquinase (CK) é uma enzima presente em músculo esquelético, cardíaco e cérebro, utilizada na investigação de lesão muscular (rabdomiólise, miosites, infarto agudo do miocárdio). Na arterite temporal, não há lesão muscular primária que justifique sua dosagem. A claudicação de mandíbula é causada por isquemia dos músculos mastigatórios devido à oclusão arterial, não por miopatia inflamatória — portanto, a CK não se eleva de forma relevante.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O Fator Antinuclear (FAN) é um autoanticorpo utilizado na investigação de doenças autoimunes sistêmicas, principalmente lúpus eritematoso sistêmico (LES). Na arterite temporal, o FAN não é útil: a doença é uma vasculite de grandes vasos, não uma doença autoimune com autoanticorpos característicos. O FAN pode ser positivo em baixos títulos em pessoas hígidas e em diversas condições, mas não apoia o diagnóstico de ACG. A banca coloca essa alternativa para confundir o candidato que pensa em "doença reumatológica" de forma genérica.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A Velocidade de Hemossedimentação (VHS) é o exame laboratorial mais útil para apoiar o diagnóstico de arterite temporal. Trata-se de um marcador inespecífico de inflamação, mas que se apresenta marcadamente elevado na grande maioria dos pacientes com ACG (frequentemente > 100 mm/h). Na tabela de sinais de alarme em cefaleia, o início da cefaleia após os 50 anos tem como diagnóstico diferencial a arterite temporal, e o exame complementar indicado é exatamente a VHS. A elevação da VHS, somada ao quadro clínico típico, justifica o início imediato de corticoterapia para prevenir complicações graves como a perda visual.
Gabarito: letra E