Considerando exames de eletroneuromiografia, assinale a alternativa que apresenta um achado típico de neuropatia desmielinizante.
ARedução da amplitude dos potenciais.
BPresença de fibrilações.
CPotenciais de unidade motora polifásicos.
DAumento da latência distal.
EBloqueio neuromuscular.
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GabaritoD — Aumento da latência distal.
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Eletroneuromiografia: achados típicos de neuropatia desmielinizante
Gabarito: letra D. Na neuropatia desmielinizante, o achado eletroneuromiográfico clássico é o aumento da latência distal (e a redução da velocidade de condução nervosa), pois a lesão compromete a bainha de mielina, que é responsável pela condução saltatória do impulso. As demais alternativas descrevem achados de neuropatia axonal (A, B, C) ou de doenças da junção neuromuscular (E).
A eletroneuromiografia (ENMG) é um exame que estuda a unidade motora, desde a saída do nervo na medula ou cérebro até o músculo, dividindo-se em duas partes: a neurocondução (sensorial e motora), que avalia a velocidade e a amplitude dos potenciais de ação ao longo do nervo, e a miografia (eletromiografia de agulha), que registra a atividade elétrica muscular em repouso e durante a contração. É um exame fundamental para diferenciar neuropatias desmielinizantes de axonais, além de auxiliar no diagnóstico de miopatias e doenças da junção neuromuscular.
A mielina é a bainha isolante que envolve os axônios e permite a condução saltatória do impulso nervoso, tornando-a rápida e eficiente. Quando há desmielinização, o impulso "vaza" e a condução fica mais lenta. Por isso, nos exames de neurocondução, os achados típicos de uma neuropatia desmielinizante são:
Aumento da latência distal (o tempo que o estímulo leva para percorrer o segmento distal do nervo até o músculo);
Redução da velocidade de condução nervosa (VCN);
Prolongamento das ondas F e da onda H;
Bloqueio de condução e dispersão temporal dos potenciais.
Já na neuropatia axonal, a lesão compromete o axônio, e o achado principal é a redução da amplitude dos potenciais (de ação muscular composto e sensitivo), com velocidade de condução normal ou discretamente reduzida. Na eletromiografia de agulha, a denervação por lesão axonal gera fibrilações e potenciais de unidade motora polifásicos (sinais de reinervação).
A distinção entre desmielinizante e axonal é crucial na prática clínica, pois orienta o diagnóstico etiológico. Por exemplo, a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) e a Polirradiculoneuropatia Desmielinizante Inflamatória Crônica (PDIC) são neuropatias desmielinizantes, enquanto neuropatias tóxicas, metabólicas (como a diabética) e hereditárias (como a doença de Charcot-Marie-Tooth axonal) são predominantemente axonais.
A pegadinha desta questão está em confundir os achados de neuropatia desmielinizante com os de neuropatia axonal ou com doenças da junção neuromuscular. O candidato que memoriza que "desmielinizante = lentificação" e "axonal = redução de amplitude" acerta de imediato. A alternativa E (bloqueio neuromuscular) é um achado típico de doenças da junção neuromuscular, como a miastenia gravis, e não de neuropatia periférica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A redução da amplitude dos potenciais é o achado típico da neuropatia axonal, não da desmielinizante. Na lesão axonal, há perda de axônios, o que diminui o número de fibras musculares inervadas e, consequentemente, a amplitude do potencial de ação muscular composto. Na desmielinizante, a amplitude costuma estar preservada, pois o axônio está íntegro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A presença de fibrilações é um achado de denervação muscular, típico de neuropatia axonal (quando há lesão do axônio e o músculo perde a inervação) ou de miopatias. Na neuropatia desmielinizante pura, sem degeneração axonal significativa, não há denervação e, portanto, não há fibrilações.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os potenciais de unidade motora polifásicos são um sinal de reinervação, que ocorre após lesão axonal, quando brotos axonais colaterais reinervam fibras musculares denervadas. É um achado de neuropatia axonal em fase de recuperação ou de doença do neurônio motor, não um achado típico de desmielinização.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O aumento da latência distal é um dos achados clássicos da neuropatia desmielinizante. A latência distal é o tempo entre o estímulo no ponto distal do nervo e a resposta muscular. Como a desmielinização retarda a condução do impulso, esse tempo aumenta. É um dos critérios eletrofisiológicos para o diagnóstico de neuropatias desmielinizantes, como a SGB e a PDIC.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O bloqueio neuromuscular é um achado típico de doenças da junção neuromuscular, como a miastenia gravis e a síndrome de Lambert-Eaton, e não de neuropatia periférica. Na ENMG, o bloqueio neuromuscular se manifesta como decremento da resposta muscular à estimulação repetitiva, o que não ocorre nas neuropatias desmielinizantes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura os achados de neuropatia desmielinizante com os de neuropatia axonal e de doenças da junção neuromuscular. O candidato que confunde "desmielinizante" com "axonal" cai nas alternativas A, B ou C. Lembre-se: desmielinizante = lentificação (aumento da latência distal, redução da VCN); axonal = redução de amplitude. Com treino, você enxerga essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para fixar, monte uma tabela mental comparando os achados: