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Questão de Medicina — Oftalmologia — FUNDATEC 2026

MedicinaOftalmologia
Código
qg684808
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Oftalmogia - Plástica Ocular e Vias Lacrimais)
Em relação à descompressão orbital na orbitopatia de Graves, qual parede orbital é geralmente abordada primeiro devido à menor taxa de complicações?
  1. AParede medial.
  2. BParede inferior.
  3. CParede lateral.
  4. DParede superior.
  5. EParede posterior.
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GabaritoC — Parede lateral.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Descompressão orbital na orbitopatia de Graves

Gabarito: letra C. Na descompressão orbital da orbitopatia de Graves, a parede lateral é geralmente abordada primeiro por apresentar menor taxa de complicações, especialmente menor risco de diplopia e de lesão do nervo infraorbital, quando comparada às paredes medial e inferior. Essa é a sequência cirúrgica clássica: parede lateral → parede medial → parede inferior, conforme a necessidade de descompressão adicional.

A orbitopatia de Graves (também chamada de oftalmopatia de Graves ou doença ocular tireoidiana) é a manifestação extrínseca mais comum da doença de Graves, ocorrendo em cerca de 50% dos pacientes. Ela resulta de um processo autoimune em que linfócitos infiltram os tecidos orbitários, levando à proliferação de fibroblastos, acúmulo de glicosaminoglicanos e edema. Isso aumenta o conteúdo orbitário e a pressão intraocular, empurrando o globo ocular para frente — o exoftalmo. Quando a proptose é grave, causa dor, exposição corneana, neuropatia óptica compressiva e comprometimento visual, indicando a necessidade de descompressão cirúrgica da órbita.

A descompressão orbital consiste na remoção ou remodelação de uma ou mais paredes da órbita para criar espaço adicional para o conteúdo aumentado. As paredes orbitárias que podem ser abordadas são: lateral (asa maior do esfenóide), medial (lâmina papirácea do etmoide), inferior (assoalho da órbita, formado pela maxila e zigomático) e, raramente, superior (teto). Cada via tem riscos e benefícios específicos.

A parede lateral é a via preferida inicialmente por vários motivos. Primeiro, a remoção da parede lateral (osteotomia da asa maior do esfenóide) permite descompressão significativa sem manipular diretamente os músculos extraoculares, reduzindo o risco de diplopia pós-operatória. Segundo, a parede lateral não está em contato direto com o nervo infraorbital, ao contrário da parede inferior, cuja remoção pode lesar esse nervo, causando hipoestesia da bochecha e do lábio superior. Terceiro, a parede medial, embora também seja uma via comum, está próxima dos seios etmoidais e do nervo óptico, e sua remoção pode levar a complicações como fístula liquórica, sinusite e, principalmente, maior incidência de diplopia por deslocamento do globo. Por isso, a abordagem lateral é considerada mais segura e é a primeira escolha na maioria dos protocolos cirúrgicos.

Na prática, a sequência cirúrgica costuma ser: primeiro a parede lateral, depois, se necessário, a parede medial e, por fim, a parede inferior. Essa ordem permite avaliar a resposta do paciente a cada etapa e minimizar o risco cumulativo de complicações. A parede superior raramente é abordada, pois sua remoção pode expor o lobo frontal e causar pulsação cerebral visível, além de risco de lesão do nervo óptico.

A banca explora aqui a confusão entre as paredes orbitárias e suas complicações. O candidato pode lembrar que a parede medial é frequentemente citada como via de descompressão, mas a questão pede especificamente a que é abordada primeiro pela MENOR taxa de complicações — e essa é a lateral. A pegadinha está em associar "menor complicação" à parede medial, que na verdade tem maior risco de diplopia.

Guarde a hierarquia: lateral (primeira, mais segura) → medial (segunda, maior risco de diplopia) → inferior (terceira, risco de lesão do nervo infraorbital). É exatamente essa ordem que as alternativas tentam inverter.

  1. 1Parede lateral
  2. 2Parede medial
  3. 3Parede inferior
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A parede medial é uma via comum de descompressão, mas não é a primeira escolha. Sua remoção está associada a maior risco de diplopia pós-operatória, pois o globo se desloca medialmente e inferiormente, alterando o alinhamento ocular. Além disso, há risco de lesão do nervo óptico e de fístula liquórica. Portanto, não é a parede com menor taxa de complicações.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A parede inferior (assoalho da órbita) também é utilizada, mas sua abordagem pode lesar o nervo infraorbital, causando hipoestesia facial. Além disso, a remoção do assoalho pode levar a enoftalmo (globo afundado) e, em alguns casos, a diplopia. Não é a primeira escolha por ter complicações mais frequentes que a parede lateral.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A parede lateral é a via preferencial inicial na descompressão orbital da orbitopatia de Graves. A osteotomia da asa maior do esfenóide proporciona descompressão eficaz com menor risco de diplopia e de lesão de estruturas nobres, como o nervo óptico e o nervo infraorbital. Por isso, é a parede geralmente abordada primeiro.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A parede superior (teto da órbita) raramente é abordada na descompressão orbital. Sua remoção pode expor o lobo frontal, causando pulsação cerebral visível, além de risco de lesão do nervo óptico e de fístula liquórica. Não é uma via rotineira e certamente não é a primeira escolha.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Não existe uma "parede posterior" como via cirúrgica na descompressão orbital. A órbita tem quatro paredes: lateral, medial, superior e inferior. A região posterior da órbita é ocupada pelo ápice orbitário, onde passam o nervo óptico e vasos, e não é abordada cirurgicamente para descompressão. A alternativa é um distrator sem fundamento anatômico.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a ordem de abordagem: muitos candidatos lembram que a parede medial é uma via comum, mas a questão pede a que tem MENOR taxa de complicações — e essa é a lateral. A parede medial, apesar de ser frequentemente citada, tem maior risco de diplopia. Fique atento ao termo "menor taxa de complicações" e associe-o à parede lateral.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar a sequência, use o mnemônico L-M-I (Lateral → Medial → Inferior), na ordem de abordagem. Lembre-se: a lateral é a mais segura (menos diplopia), a medial é a segunda (mais diplopia), e a inferior é a terceira (risco de lesão do nervo infraorbital).

Gabarito: letra C

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