Questão de Medicina — Oftalmologia — FUNDATEC 2026
Medicina›Oftalmologia
Código
qg684817
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Médico (Oftalmogia - Plástica Ocular e Vias Lacrimais)
Qual é o defeito campimétrico esperado em um paciente com lesão no trato óptico?
AHemianopsia homônima ipsilateral à lesão.
BHemianopsia homônima contralateral à lesão.
CHemianopsia bitemporal.
DHemianopsia binasal.
EEscotoma juncional.
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GabaritoB — Hemianopsia homônima contralateral à lesão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Defeitos campimétricos e localização topográfica das lesões da via óptica
Gabarito: letra B. Lesão no trato óptico produz hemianopsia homônima contralateral à lesão, tipicamente incongruente, com alteração do reflexo pupilar à luz. A regra decorre da anatomia da via óptica: as fibras nasais de cada olho (que carregam a informação do campo temporal) cruzam no quiasma, de modo que o trato óptico carrega a informação do hemicampo contralateral — por isso a lesão de um trato gera perda do mesmo hemicampo (homônima) do lado oposto à lesão.
A via óptica é o caminho que a informação visual percorre do olho até o córtex occipital, e cada ponto dessa via tem uma assinatura campimétrica própria. Antes do quiasma (retina e nervo óptico), as lesões produzem defeitos monoculares — afetam apenas o olho cujo nervo foi lesado. No quiasma, as fibras nasais de ambos os olhos se cruzam, e uma lesão central produz hemianopsia bitemporal (perda dos campos temporais de ambos os olhos). Depois do quiasma (trato óptico, corpo geniculado lateral, radiações ópticas e córtex occipital), as lesões produzem defeitos binoculares homônimos — ou seja, perda do mesmo hemicampo (direito ou esquerdo) nos dois olhos — e sempre contralaterais à lesão, porque as fibras já cruzaram.
O trato óptico é a primeira estrutura pós-quiasmática. Como as fibras nasais (que representam o campo temporal) já cruzaram no quiasma, o trato óptico direito carrega a informação do hemicampo visual esquerdo, e o trato óptico esquerdo carrega a informação do hemicampo visual direito. Por isso, uma lesão no trato óptico direito causa hemianopsia homônima esquerda (contralateral), e uma lesão no trato óptico esquerdo causa hemianopsia homônima direita. Essa é a regra fundamental que a questão testa.
A distinção entre congruente e incongruente também ajuda na localização: quanto mais próxima do córtex occipital a lesão, mais congruente (idêntico) é o defeito nos dois olhos. O trato óptico produz defeitos tipicamente incongruentes, enquanto o córtex visual produz defeitos congruentes. Além disso, lesões no trato óptico frequentemente cursam com alteração do reflexo pupilar à luz (defeito pupilar aferente relativo), enquanto lesões mais posteriores (corpo geniculado lateral, radiações ópticas, córtex) não alteram o reflexo pupilar.
A pegadinha clássica desta questão é inverter o lado: o candidato pode pensar que a lesão no trato óptico direito afeta o campo visual direito (ipsilateral), mas a regra é exatamente o oposto — a lesão afeta o hemicampo contralateral. Guarde o par: lesão pós-quiasmática → hemianopsia homônima contralateral.
Afirma que a hemianopsia homônima é ipsilateral à lesão. Isso está errado: as fibras nasais já cruzaram no quiasma, então o trato óptico carrega informação do hemicampo contralateral. Uma lesão no trato óptico direito causa perda do hemicampo esquerdo, não do direito. A banca inverte o lado para confundir.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta. A lesão no trato óptico produz hemianopsia homônima contralateral à lesão, tipicamente incongruente, com alteração do reflexo pupilar à luz. Isso porque as fibras nasais (campo temporal) cruzam no quiasma, e o trato óptico carrega a informação do hemicampo oposto. A tabela abaixo resume os defeitos campimétricos por localização:
Localização da lesão
Anormalidade
Quiasma óptico
Hemianopsia bitemporal
Trato óptico
Hemianopsia homônima não congruente contralateral, com alteração do reflexo pupilar à luz
Corpo geniculado lateral
Hemianopsia homônima não congruente contralateral, sem alteração do reflexo pupilar
Radiações ópticas no lobo temporal
Quadrantanopsia superior contralateral
Radiações ópticas no lobo parietal
Quadrantanopsia inferior contralateral
Córtex visual (lobo occipital)
Hemianopsia homônima congruente contralateral
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão no trato óptico causa hemianopsia bitemporal. Isso é característico de lesão no quiasma óptico, não no trato óptico. A hemianopsia bitemporal ocorre porque as fibras nasais de ambos os olhos (que representam os campos temporais) cruzam no quiasma; uma lesão central nessa região interrompe essas fibras bilateralmente. No trato óptico, a lesão é unilateral e produz defeito homônimo, não bitemporal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão no trato óptico causa hemianopsia binasal. Esse defeito é raro e não corresponde a uma localização clássica na via óptica; não há uma lesão única que produza perda dos campos nasais de ambos os olhos. A hemianopsia binasal não é um padrão típico de lesão do trato óptico — o padrão esperado é homônimo contralateral.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a lesão no trato óptico causa escotoma juncional. O escotoma juncional é característico de lesão no nervo óptico distal (junção com o quiasma), produzindo escotoma cecocentral em um olho e defeito no quadrante temporal superior do outro olho. No trato óptico, o defeito é uma hemianopsia homônima, não um escotoma juncional.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora inverter o lado da lesão: em lesões pós-quiasmáticas, o defeito é sempre contralateral — nunca ipsilateral. Se a alternativa disser "ipsilateral", está errada. Além disso, confunde trato óptico (hemianopsia homônima incongruente) com quiasma (bitemporal) e com nervo óptico distal (escotoma juncional). Com treino, você reconhece essas trocas de longe 💪
PEGA ESSA DICA!
Para localizar a lesão na via óptica, faça três perguntas: (1) O defeito é monocular ou binocular? Monocular → retina/nervo óptico; binocular → pós-quiasmático. (2) É homônimo ou heterônimo? Homônimo → pós-quiasmático; bitemporal → quiasma. (3) É congruente ou incongruente? Incongruente → mais anterior (trato); congruente → mais posterior (córtex). Essa sequência resolve a maioria das questões de campimetria.